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Funcionários da Foxconn são presos por suposta cobrança de propina a fornecedores de peças do iPhone

Emerson Alecrim Por

Como resultado de uma investigação iniciada há pouco mais de um ano, a polícia chinesa prendeu, nesta semana, pelo menos dez funcionários e ex-funcionários da Foxconn, todos com cargos de direção. O motivo? O grupo foi acusado de integrar um milionário esquema de propina envolvendo fornecedores de peças para o iPhone.

A trama toda é bastante complexa, mas se resume ao seguinte: a Foxconn terceiriza a produção de determinados componentes utilizados nas linhas da Apple; o problema é que muitos dos fornecedores vinham sendo pressionados para se submeterem ao pagamento de um valor extraoficial ao grupo. Do contrário, a aceitação de suas peças poderia ser dificultada.

Segundo as investigações, os funcionários da Foxconn responsáveis por esta operação recebiam 2,5% das vendas dos componentes, o que teria rendido, desde o início do esquema, o equivalente a US$ 3,3 milhões.

Prisão de funcionários e ex-funcionários da Foxconn (Fonte: Taipei Times)

Mas o montante pode ser maior. As autoridades chinesas revelaram que Liao Wancheng, ex-executivo da Foxconn e um dos principais mentores do grupo, mantinha uma empresa de fachada para lavar o dinheiro pago pelos fabricantes, portanto, ainda pode haver valores escondidos.

A Foxconn tem se mostrado discreta quanto ao assunto, mas afirmou que vem contribuindo com as investigações e que constatou, a partir de uma auditoria interna, que as ações ilegais atingem apenas uma pequena parte de seu negócio.

Analistas do mercado chinês afirmam que suborno ou pagamento de propina não são práticas incomuns por lá. A quantidade de fabricantes de componentes e eletrônicos é tão grande no país que muitas destas empresas recorrem a artifícios ilegais para obter contratos.

A concorrência acirrada abre espaço inclusive para o mercado negro. A própria Foxconn (e a Apple, de rebote) já se viu vítima de ação fraudulenta dentro de suas instalações antes: cerca de três anos atrás, um pequeno grupo de funcionários foi detido depois que capas para o iPad 2 começaram a chegar ao mercado pouco antes do lançamento do produto, o que fez a companhia desconfiar de vazamento de informações confidenciais e acionar as autoridades.

Com informações: WSJ.com, CNET News

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Rafael Olah
Vão ser fuzilados como os políticos que roubam na China?