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Um dos principais motivos de desconfiança na Bitcoin é a identidade secreta de seu criador, Satoshi Nakamoto. Não apenas ninguém sabia quem ele era: havia suspeitas de que fosse um pseudônimo ou um grupo de pessoas que criou a “entidade” Satoshi Nakamoto.

Uma repórter do Newsweek, no entanto, encontrou um Satoshi Nakamoto que é, possivelmente, o Satoshi Nakamoto: ele existe, é uma pessoa só e não curte conversar sobre Bitcoin.

Para encontrá-lo, ela vasculhou arquivos do governo atrás dos Satoshis Nakamotos (sim, há mais de um nos EUA com esse nome) com histórias de vida que pudessem ser compatíveis com o pouco conhecido sobre o criador da Bitcoin. A pesquisa acabou apontando para um senhor de 64 anos que mora na Califórnia, em Temple City.

Apesar de não conseguir contato pelo telefone e de ter ficado falando sozinha por email ao perguntar sobre Bitcoin (antes, o papo sobre trens, os quais ele coleciona desde jovem, fluiu bem), a repórter foi até a casa de Nakamoto para tentar a entrevista. Foi recebida com uma portada na cara e só conseguiu falar com ele quando os policiais que ele chamou chegaram, e bem rapidinho.

Nakamoto basicamente disse que não está mais envolvido com Bitcoin e não comenta o assunto. “Ela foi repassada para as pessoas, elas estão no comando agora”, afirma.

Para conseguir traçar um perfil de Nakamoto sem a ajuda dele, a repórter foi atrás de outras pessoas “próximas”, ou melhor, que já tiveram algum contato, pois ele parece ter se isolado de sua família e, entre os entusiastas de Bitcoin, poucos chegaram a falar com ele.

Nakamoto é um imigrante japonês que chegou aos EUA ainda criança. Logo depois de se formar em Física na faculdade, mudou de nome para Dorian Prentice Satoshi Nakamoto, assinando Dorian S. Nakamoto.

Ele tem seis filhos, frutos de dois casamentos, e mora com a mãe em uma casa simples na Califórnia. É o irmão mais velho de outros dois e é descrito como um cara inteligentíssimo e absolutamente discreto, com muita desconfiança do governo e de instituições bancárias.

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A casa de Nakamoto

Sobre a criação da Bitcoin, os relatos apontam para uma perda de emprego em 2001 que coincide com essa época, que foi cerca de quatro anos antes de seu lançamento.

Estima-se que Nakamoto tenha uma fortuna de 400 milhões de dólares na moeda virtual, apesar de seu estilo de vida simples e sem ostentações. A reportagem até supõe um motivo para isso: para sacar uma quantia tão grande, ele seria identificado pela Receita Federal e pelo FBI. “Enquanto a Bitcoin permite que seus usuários façam transações anônimas, todas podem ser vistas online – e todo mundo está de olho nas Bitcoins de Nakamoto para ver se ele irá gastá-las, diz Andresen [Gavin Andresen, um dos chefões da Bitcoin]”, diz o texto original.

Fica a dúvida: o timing da reportagem que “desmascara” o criador da Bitcoin bater com a crise da moeda é coincidência? E será que esse Satoshi Nakamoto da Califórnia é realmente o criador da Bitcoin? Sua própria família fica com o pé atrás: o filho diz que seu pai nega, e seus irmãos acreditam que ele nunca irá confirmar.

O texto pode ser lido na íntegra, com todos os detalhes da reportagem e relatos de pessoas próximas a Nakamoto, no site da Newsweek.

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Ronaldo Cesar

Não acho que seja ele, por 3 motivos:

1- ele não tem formação em TI
2- se ele tivesse ganhado muito dinheiro não viveria com os pais
3- Pessoas da área de TI acreditam que a moeda foi criada por mais de uma pessoa, por ser feita sem muitas falhas.

Iury Piva
E ai Vagner, bitcoin a 10000 algo a declarar?
Marcell Chaveiro Silva
Corrigindo, sim são desperdiçados, e não, não são desperdiçados, o mineiro gasta essa energia em busca da recompensa que em moedas virtuais, essa recompensa ele vende imediatamente uma parte para subsidiar a energia, salário e adquirir maquinários.
Marcell Chaveiro Silva
Para concorrer a ganhar bitcoins, vc necessita realizar provas de trabalhos, quanto a grosso modo quanto mais processadores vc tem, maior é a sua prova de trabalho.
Marcell Chaveiro Silva
Sim, são desperdiçados, esses cálculos nada mais é do que uma prova de trabalho, conceito muito comum e utilizado até para enviar um e-mail, sem essa prova de trabalho, vc é considerado spam na rede e seu e-mail não chega ao destino. Ou seja, para enviar um e-mail vc tem que gastar um valor em energia, pois mandar um e-mail é muito barato sem essa prova de trabalho, e quem se preocupa com custo do e-mail são spammers
Vagner Ligeiro
"Não deveria ter exposto ele"... Uma coisa sobre anonimato: NUNCA diga ou se diz apoiar anonimato se realmente VOCÊ quer ser alguém anônimo. A propósito, o que faz on line, mesmo sabendo que muitos hoje tem a capacidade de desvendar até com uma certa facilidade quem se faz de anônimo? Se o cara é realmente o cara que criou o Bitcoin, e já tinham citado o nome real dele, então que aguente as consequencias. Poderia dizer que seria um gigantesco "bem-feito" merecido na verdade. Um sistema transparente tem pessoas transparentes por trás. Um sistema criado de forma um pouco obscura, com alguém que procurou se ocultar, onde hoje muitos estão perdendo "seus investimentos" devido a falhas bestas, o resultado é esse. Já vi que muitos que falam sobre BitCoin no final só queriam era ganhar com a especulação plena da moeda virtual. Agora tão perdendo até dizer chega. Digo um gigante "bem feito! toma!"
pedoolimpic
Sacanagem com o cara expor ele e a casa dele. Tomara que coloquem um prêmio na DeepWeb pela cabeça dessa jornalista inescrupulosa da Newsweek.
Dhene Silva
Tá certo em se esconder. Agora corre risco de vida. :/
Diogo Ramos Gutierre
Que trabalho de paparazzi nada a ver. Este senhor, sendo o criador do bitcoin ou não, não merece passar por isso. E sinceramente na minha opinião o bitcoin foi feito por um grupo com um intuito muito maior por trás. Ou a galera acha que todos os cálculos de mineração são só processamento desperdiçado?