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Bradesco libera acesso de graça para operações nos aplicativos de celular

Iniciativa vale para clientes pré e pós da Vivo, TIM, Claro e Oi

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O Bradesco começou a implementar uma facilidade para os correntistas que utilizam o m-banking (banco no celular) nas quatro maiores operadoras do país. A partir deste mês, o acesso às operações financeiras é de graça. A medida vale tanto para clientes de pós-pago quanto de pré-pago.

De acordo com o banco, hoje em dia 3,2 milhões de clientes usam o celular para operações bancárias, número que é o dobro do verificado em 2012. No ano passado foram realizados 800 milhões de transações por meio do aplicativo Bradesco Celular. Tendo em vista o volume crescente de negócios feitos pelos celulares e smartphones, a instituição financeira decidiu liberar o acesso para todo mundo.

m.bradesco.com.br

m.bradesco.com.br

Até onde me consta, esta é a primeira vez que uma empresa brasileira subsidia a internet para o acesso aos seus serviços. É bem verdade que algumas operadoras como Claro e TIM mantêm acordos com redes sociais para liberar o acesso ao Twitter e Facebook, mas a iniciativa do Bradesco é completamente diferente destas ofertas – que geram mais visibilidade e poderio de marketing para as teles.

O Bradesco informou ao Tecnoblog que o acesso de graça ao banco vale para clientes das quatro grandes operadoras de celular: Vivo, TIM, Claro e Oi.

Conversamos com a Vivo sobre o modelo de negócios por trás da oferta. A companhia explicou que o acesso é integralmente subsidiado pela marca patrocinadora. O contrato tem um valor fixo que inclui o possível aumento dos dados utilizados. Por motivos óbvios, a Vivo não entra em detalhes sobre a quantia repassada pelo Bradesco. Ainda de acordo com a operadora, a iniciativa com o banco é de “caráter experimental”. O modelo será avaliado ao longo da evoluções.

O Bradesco divulgou que todos os usuários de telefonia do pós e pré-pago podem aproveitar a novidade. No caso do pós-pago, o acesso aos serviços do Bradesco não será contabilizado na franquia de dados. E se ela acabar, ainda assim o acesso será mantido. A Vivo esclareceu que, no caso de clientes do pré-pago, é necessário que o cliente possua um saldo mínimo, coisa de “centavos”, segundo a operadora. “Implementamos desta forma o projeto piloto, porém, pretendemos aprimorar o produto e permitir acesso em qualquer situação em breve”, informou a Vivo.

O Bradesco possui 22 aplicativos para iPhone, 16 para iPad e 13 para Android, além dos apps para Windows Phone e BlackBerry. Todos foram contemplados com o acesso patrocinado. De acordo com o banco, a medida também vale para quem acessar os endereços bradesco.com.br ou bradescoprime.com.br pelo celular (tablets ficam de fora).

Embora a iniciativa do Bradesco seja interessante para os correntistas, ela levanta questionamentos sobre a neutralidade da rede. Vale lembrar que o princípio estabelece que nenhum tráfego ou conteúdo será tratado de maneira distinta dentro da sua assinatura de internet. Não tenho certeza se a oferta do banco infringe a neutralidade. Numa analogia com outro serviço de telecomunicações, seria o equivalente a ter um número 0800 para fazer suas operações bancárias. Quem não gosta de ligar para o 0800 e evitar o gasto de dinheiro com a conta telefônica?

A operadora americana AT&T recentemente anunciou o serviço Sponsored Data (algo como Dados Patrocinados), a partir do qual empresas podem bancar o acesso a alguns serviços online. A seguradora UnitedHealth aderiu à medida. Os assinantes da AT&T podem acessar alguns sites sobre saúde sem pagar.

O Bradesco tem uma longa tradição de iniciativas na internet. A melhor delas, sem sombra de dúvida, foi ter adotado um copycat do Stuart Little para apresentar o internet banking. O comercial tá abaixo. Certeza que os leitores de idade mais avançada vão se lembrar da musiquinha.

Comentários

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RÁDIO PAIAIA FM
no meu nao funciona
Rodrigo Blank
se eu não tiver crédito não consigo usar. porque??
Vagner Alexandre Abreu
Du Mend Se eu não entendi o que é neutralidade de rede, então peço por gentileza que VOCÊ explique com paciência, de forma que um leigo entenda o que seria então (no seu conceito) o que é neutralidade de rede para aí podemos conversar (se possível, dialogar para chegar em um consenso onde AMBOS entendam entre si) e aí chegar em um ponto em comum. Só para adiantar meu conceito: se fosse que nem antigamente, onde poderíamos conectar diretamente aos servidores das empresas usando um modem e uma conexão discada, era outra coisa. Hoje isso é raro acontecer, e ao que noto pela minha pouca experiência de redes (admito que preciso aprender ainda mais), hoje dependemos sempre de um "provedor de conteúdo", na qual "pagamos pedágio" para adentrar ao universo de servidores interligados seja na internet como um todo (além dos protocolos HTTP), seja no WWW clássico. Quando fazemos uma conexão à um servidor (como agora, onde no caso estou conectado ao servidor onde se hospeda o Tecnoblog e no servidor onde o Facebook controla os logins associados), isso ao meu entendimento, estamos de certa forma interligados ainda aos provedores de acesso. Lembrando que os pacotes variam de rota algumas vezes, justamente para evitar congestionamentos. Se estamos de certa forma ligados apenas à um serviço subsidiado cuja condição de subsídio é apenas o acesso àquele site, isso, ao meu ver, é indiferente à conexão com a internet, a não ser que mude para se conectar diretamente via proxy àquele servidor. Mesmo assim, estaríamos de alguma forma usando uma conexão limitada e restrita - o que justamente fica como o dilema da neutralidade de rede nesta história. Veja o que coloquei: a condição é "só tem acesso gratuito ao servidor do banco X, fora isso o resto é pago"? Isso é interferir no tráfego de dados de certa forma. Não é modelo de negócios. Modelo de negócios seria se realmente eu usasse uma rede tipo "intranet" de um banco, com conexão feita via rede do banco X. Não rede da operadora Y, Z ou T. Se eu uso uma operadora Y para entrar no site do banco X, e só este site não é cobrado o acesso, então ninguém está neutro aí.
Du Mend
Vagner Alexandre Abreu você também não entendeu o que é neutralidade da rede. o que o texto do Idec diz é que não se pode conferir vantagem técnica no tráfego de dados de determinado serviço em detrimento de outros. Por exemplo, não se pode fazer traffic shaping. No caso do Bradesco, eles estão oferecendo um serviço gratuitamente, não existe vantagem técnica. Se você qusier acessar o app do BB vai ter a mesma velocidade de trafego de dados que o Bradesco, mas provavelmente vai pagar pelo acesso. Como eu disse, isso é modelo de negócio e é totalmente legítimo porque não confere vantagem tecnica ao Bradesco por parte das teles. Não tem absolutamente nada a ver com neutralidade da rede. Quando falar em neutralidade da rede pense em pacotes de dados, diferenciação de protocolos de comunicação, tráfego de rede e não em preços de serviços.
Thássius Veloso
?????
Vagner Alexandre Abreu
O pessoal do Tecnoblog já deu a resposta deles, mas vou ajudar com a minha resposta. Além do caso do Bradesco, há o caso do acesso gratuito ao Facebook via certas operadoras (se não estou errado, a Claro). As primeiras questões são: como realmente se dá essa possibilidade sendo que isso de qualquer forma é privilegiar um canal especifico em detrimento dos outros? Se pegar o princípio de que "Neutralidade de rede é a indistinção de movimentação de dados/comunicação/informação em redes eletrônicas de telecomunicações", então sim, um parceiro comercial de operadoras entrar com acordo para acesso gratuito restrito é sim uma afronta a ideia de neutralidade. Do site do Idec: "(Isso significa que) com uma internet neutra, as operadoras de telecomunicações não podem fazer distinção de tráfego com base em interesses comerciais, nem privilegiar a transferência de determinados pacotes de dados (aquilo que enviamos ou recebemos quando estamos navegando) em detrimento de outros. As empresas de telecomunicações são contra a neutralidade pois querem que os consumidores paguem mais para ter sua navegação “facilitada” ou ter permissão para favorecer parceiros comerciais. (...)" - http://www.idec.org.br/consultas/dicas-e-direitos/neutralidade-da-rede-entenda-o-significado-e-a-importancia-do-conceito A internet é como várias ruas, avenidas e rodovias - é um sistema de tráfego de informações. Como tais, você fazer um sistema de tráfego subsidiado por uma empresa a ponto de ser gratuito APENAS para aqueles serviços é como fazer duas ruas paralelas, onde uma você paga o pedágio uma vez, entra e faz o que quiser, e a outra você entra sem pagar, mas só pode fazer o delimitado pelas condições de quem gerencia/financia aquela via. Usando da analogia do Thaissus, na via pedagiada, todos os caixas eletrônicos dos outros bancos estão por lá, e os mesmos bancos pagam as taxas para estarem por lá. Na via subsidiada, você só tem os caixas eletrônicos de um banco só. Ou o sinal de celular de uma rede social apenas :p Enfim. De alguma forma, isso interfere sim no conceito de neutralidade. Quando se é neutro, se é algo "que não dá adesão a nenhuma das partes litigantes" (Michaelis), "Indeterminado". A partir do momento que você subsidia um tráfego com a condicionante que apenas tal subsídio é para àquele serviço específico, e não qualquer outro, isso é privilegiar um lado apenas.
Thássius Veloso
Tem mais: o texto publicado por este site é plágio de uma matéria da revista Exame.
Thássius Veloso
Não gosto de ficar comparando meus textos com o dos outros, mas: (1) temos a posição de uma das operadoras, para explicar o modelo de negócios do acesso patrocinados; (2) contextualizamos com as dúvidas sobre a neutralidade da rede; (3) ainda tem o vídeo do Chip Chip no final!
Thássius Veloso
Daniel, em relação à sua última suposição, tenho sérias dúvidas. Primeiro, porque como o Vivo esclareceu, o contrato tem um valor fixo. Segundo, porque a operadora poderia fazer o registro de quantos correntistas acessaram os aplicativos, sem, no entanto, manter o log individual de cada um deles. Como se fosse o Analytics que roda neste Tecnoblog e nos permite saber quantas pessoas acessaram o site durante o mês (muitas, por sinal. Obrigado a todos pelo carinho!).
Thássius Veloso
A imagem é meramente ilustrativa ;-)
Rodrigo Zmoginski
Notícia atrasada viu... Desde o inicio do mês que saiu isso no Minha Operadora > http://www.minhaoperadora.com.br/2014/03/servicos-do-bradesco-pelo-celular-nao.html
Daniel Serodio
Se o artigo 9º, que fala sobre neutralidade da rede for incluído, trata sim. As conexões para o Bradesco tem privilégios que as conexões com outros bancos não tem, violando a neutralidade. Além disso, significa que a operadora de telefonia está bisbilhotando os sites que você acessa, o que viola a privacidade do usuário. O artigo 12º do Marco Civil diz que é vedado guardar registro dos sites, e provavelmente a operadora está guardando estes registros para que possa repassar a cobrança para o Bradesco.
Andre Kittler
Obvio que acaba com a neutralidade, tecnicamente falando. Agora francamente... tem muita coisa ridicula antes de chegar no ponto de "neutralidade de rede" em uma rede tão podre como a móvel. As operadoras de telefonia foram muito inteligentes ao ver criar esse modelo (poucos megas de franquia por dia, ilimitada a 50Kbps), e fica meus parabéns. Tem de ver com outro angulo: Internet no celular é uma facilidade para uso pequeno e trivial. Até consegue internet, em casos de emergência. Isso nada mais é que uma facilidade para a mobilidade.
Lucas Braga
Eu concordo com o Thássius. Imagina só se o Viber pagasse pelos dados que o aplicativo utilizasse nas principais operadoras. É óbvio que haveria um certo aumento na utilização e serviços como WhatsApp e Telegram ficaria de fora da história. O problema é que o princípio de neutralidade é muito abrangente. Em relação a parte de conectividade, concordo plenamemente, mas na parte comercial que a polêmica começa.
William Bannach
Os 2 são ruins a propósito.
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