A notícia que pegou todo mundo de surpresa no final do expediente da última quarta-feira foi o anúncio de que a Oculus VR, precursora na nova onda dos dispositivos de realidade virtual, teria sido comprada pelo Facebook. Apesar da transação bilionária (se fala em US$ 2 bilhões) ter tudo para aquecer a tecnologia no mercado, as palavras, ditas pelo próprio Zuckerberg, reverberaram pela internet, acarretando várias opiniões negativas.

Muito embora grande parte das críticas tenham vindo do público incrédulo, uma, em especial, pode se tornar uma verdadeira pedra no sapato da companhia. Markus “Notch” Person, fundador da Mojang e criador do sucesso Minecraft, destilou um pouco de veneno ao saber da negociação.

Notch, o criador do Minecraft

Notch, o criador do Minecraft

A declaração de Notch foi pertinente pois, pouco mais de duas semanas atrás, havia sido estabelecida uma parceria entre a Oculus VR e a Mojang, que criaria uma versão especial de Minecraft para o aparelho. Agora, de acordo com o game designer, as coisas rumam contra o que a empresa acredita: “o Facebook não é uma companhia reconhecida por ter entusiastas da tecnologia. O Facebook não é uma companhia de tecnologia para jogos. O Facebook possui uma história de se importar com a construção de números de usuários, e nada além disso.”

Com bastante coerência, o dono da Mojang citou o fato de que, apesar dos muitos jogos construídos para a plataforma do Facebook, muitas vezes suas produtoras se veem em uma posição pouco confortável, devido às constantes reconstruções da plataforma para oferecer uma experiência social melhor para o usuário. “Não me entendam mal, a realidade virtual não é ruim para o social. Na verdade, eu acho que o social poderia se tornar uma das maiores utilidades para o VR (…) mas eu não quero trabalhar com isso. Eu quero trabalhar com jogos.”

Vale recordar que, ao ser lançada no Kickstarter, a campanha para arrecadação de dinheiro para o Oculus Rift foi bem sucedida a ponto de conseguir cerca de dez vezes mais do que era pedido por sua produtora. Não por coincidência, Notch foi um dos doadores mais notáveis, tendo levado um dos prêmios que incluíam conhecer o escritório da Oculus VR, na Califórnia. E foi exatamente daí que, duas semanas atrás, surgiu a ideia da versão especial de Minecraft para o dispositivo.

“Felizmente, a ascensão da Oculus coincidiu com o aparecimento de competidores. Nenhum deles é perfeito, mas competição é uma coisa boa. Se isso significar que haverá mais competição e que a VR continuará ficando melhor, eu serei um cara muito feliz. Eu definitivamente quero ser parte da VR, mas não trabalharei com o Facebook. Seus motivos são obscuros e confusos (…) não há nada sobre sua história que me faça confiar neles, e isso os torna estranhos para mim”, esclareceu Notch, mostrando que a decisão foi puramente baseada em suas crenças e ética.

“Tenho o maior respeito pelos desenvolvedores e engenheiros talentosos da Oculus, compreendo que é um acordo puramente de negócios, e gostaria de felicitar tanto os donos do Facebook quanto do Oculus. Mas é daqui que seguiremos caminhos diferentes.”

Captura de Tela 2014-03-26 às 10.03.53 AM

Curiosamente, no momento de desabafo de Notch no Twitter, Min Liang Tan, CEO e fundador da Razer, entrou em contato com o desenvolvedor pela rede social dizendo que “talvez pudesse ajudar”. Se isso significa que vem chegando um óculos de realidade virtual da Razer por aí, não sabemos. Mas, de qualquer forma, essa seria uma grata surpresa.

Comentários

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Tiago Celestino
No final, vamos ver um Oculus social e ponto final.
Leonardo Domingues
Como INDIE é chato.
Silvio Ney
Tô na da Razr.
Diogo Ramos Gutierre
Estou com este cara, não é só ele que se desapontou com esta aquisição. Sinceramente, não tem nada a ver esta compra. o produto nem esta terminado, é prototipo. Ninguém gasta 2 bilhões sem saber aonde lucrar com isso. O produto final pode ser muito diferente da premissa dada inicialmente. Perdi 99% do interesse no Oculus Rift. Espero fortemente que outros concorrentes apareçam, tal qual já se fez a Sony.