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A promessa do OnLive

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Em março do ano passado, durante a Game Developers Conference, foi anunciado um vindouro produto que polarizou a comunidade gamer por alguns meses em dois grupos distintos – os “essa é a maior revolução dos videogames desde a introdução do d-pad” e os “há maior probabilidade de eu me casar com a Megan Fox do que desse sistema funcionar conforme descrito”.

Trata-se do OnLive, um serviço on demand para jogos mais ou menos no formato utilizado por companias de TV a cabo ou empresas como o Netflix. Enquanto esses últimos fazem stream de filmes para a sua TV, a premissa do OnLive é utilizar infraestrutura parecida para transmitir jogos.

Não estou falando de distribuição digital: isso já existe há um bom tempo e atingiu sua maturidade com o Steam e a AppStore. OnLive seria o próximo degrau – em vez de te vender o conteúdo digital do jogo por meio da internet, o OnLive te venderá apenas a imagem em tempo real do jogo, que está sendo executado nos servidores dele e controlado por seus comandos à distância.

Comprando ou alugando um jogo no OnLive, você nunca o terá (nem fisicamente nem digitalmente); você acessará o jogo remotamente, no mainframe da empresa. A diferença é que o aluguel te dará acesso temporário, enquanto a compra garante jogatina vitalícia.

O obstáculo mais óbvio (quem quereria pagar por algo que você não “terá” de verdade?) seria um problema maior em outros tempos, mas o conceito uniformemente adotado de distribuição digital nos deixou acostumados a comprar versões não-físicas dos nossos jogos favoritos. Uma das vantagens desse sistema é que você não precisa esperar por período de download, ou de instalação – você paga pelo jogo e o acessa imediatamente.

E outra maior vantagem é que seu catálogo de jogos não será mais limitado pela quantidade de upgrades que sua máquina possui, um paradigma que movimenta a indústria de memória RAM e placas de vídeo para PCs.

Teoricamente parece uma ideia excelente. Eu, como entusiasta desse universo, aceito de braços abertos qualquer novo competidor que force os jogadores veteranos a mudar seu jogo. Como disse um colunista da CNET, o modelo proposto pela OnLive poderia ameaçar a Sony, Nintendo e Microsoft. Afinal de contas, uma das maiores vantagens dos consoles é que o hardware comprado hoje se manterá atual daqui 5 ou 6 anos sem necessidade de mais investimento. Seria difícil convencer alguém a comprar um console num mundo em que o OnLive funciona como prometido.

Mas é aí que está o problema: muitos insistem que o OnLive jamais poderia funciona como mostra a propaganda. Aliás, é muito difícil para nós, gamers experientes, nos empolgarmos com propaganda. O lendário Phantom, um dos primeiros consoles a propôr distribuição exclusivamente digital, prometida revolução similar foi um fracasso retumbante. E o fato de que a empresa gastou mais nos esforços de marketing do que no desenvolvimento deixa patente o perigo de acreditar no comercial.

A empresa por trás do OnLive afirma ter desenvolvido algoritmos de compressão inéditos para a tarefa de fazer stream em tempo real de jogos em alta definição para milhares (ou talvez milhões?) de clientes. E eles se dispuseram a mostrar um pouco mais do console na GDC deste ano. É difícil de acreditar (este articulista da Eurogamer esboçou os vários motivos), mas a julgar pelo fato de que eles têm um pouco mais para mostrar que o natimorto Phantom, tenho uma curiosidade otimista. E vale lembrar que o console OnLive está cotado para custar menos que um Nintendo Wii.

Agora eu consegui sua atenção, hein? E você, acha que há mérito na experiência do OnLive ou vai continuar economizando para uma nova GeForce?

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Diones Reis
Ao ler o seu artigo, me veio uma vaga lembrança de que lá nos anos 80 a regra de negócio de se jogar videogame sem precisar de mídia já existia. Lembro de uma propaganda em que se jogava pela TV jogos do estilo Atari, usando o telefone como modem. Só lamento não lembrar e nem achar material disto. Eu lembro que se asemelhava próximo disto aqui http://en.wikipedia.org/wiki/PlayCable
Sr. Sem Papo
projetos projetos...cade ele nas prateleiras...a tempos que ouso falar disso
Darox
Vou continuar economizando pra uma nova GeForce, mas há merito sim.
Fabiano
Como brasileiro, acho ótima essa ideia: se funcionar, será um grande desestímulo à pirataria! Mas estou com os que vão esperar pra ver! Ah, sim: sou brasileiro e comprei um Need for Speed original, há um mês!
Tipo Um Bar
seria a solução contra a pirataria, ou seja, não agrada aos brasileiros...
daniel
aqui no Brasil com a nossa conexão ultra rápida será o maior sucesso. :}
Timóteo
Deem uma olhada aqui http://www.engadget.com/2009/12/30/onlive-shows-off-ui-and-iphone-use-in-marathon-tech-demo-video/ Mostra um streaming do que o CEO esta jogando durante a apresentação direto no iPhone, ele apresenta o "console", etc. Muito boa a apresentação. Se tudo isso for real, o OnLive funciona, agora se eles conseguem o streaming pra milhões de usuarios em alta qualidade, é outra história.
Thiago Mobilon
O maior desafio não se dará no funcionamento da infra, mas sim em tentar introduzir um modelo que derruba de uma vez vários gigantes que fabricam hardware. E não estamos falando apenas de Sony, Nintendo e Microsoft, mas também ATI, Nvidia e um mercado bilionário que vive da venda de placas novas. Sem falar de toda evolução do mercado de hardware que é impulsionada pelos Games...   
Lucas
Isso vai funcionar em países com banda realmente larga. Streaming em HD não é algo que 5mb vai aguentar tão fácil, e estou falando em qualidade pq fazer um streaming em hd e perceber a compreensão da imagem, nenhum gamer que preze pela qualidade vai gostar. Além do fato de ter que estar conectado 100% do tempo, de que manutenção nos servidores deles = SEM JOGAR. Não sei, da mesma forma que to esperando sair o Projeto Natal, espero esse daí tambem sem muito ânimo pra não entrar hype e quebrar a cara depois.
Rafael Olah
Izzy não se esqueça que uma das principais vantagens de se ter uma placa de vídeo principalmente a Geforce são seus recursos. A tecnologia CUDA ajuda milhares de pessoas e da uma grande diferença se comparado as placas ATI que possuem o stream. Fora a saída HDMI para quem quer montar seu media center com baixo custo.