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Tudo o que você precisa saber sobre o Kindle Unlimited, o “Netflix de livros” da Amazon

Kindle Unlimited oferece mais de 600 mil ebooks por 10 dólares mensais

Paulo Higa Por
TB Responde

A Amazon confirmou as expectativas e lançou, nesta sexta-feira (18), o Kindle Unlimited, um serviço que oferece acesso ilimitado a um catálogo de mais de 600 mil ebooks e milhares de audiobooks com uma assinatura mensal de US$ 9,99. Sem prazo de devolução, os livros podem ser lidos tanto nos leitores Kindle quanto nos smartphones, tablets e computadores com o aplicativo gratuito do Kindle.

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Como funciona esse negócio?

Pensar no Kindle Unlimited como um “Netflix de livros” é a maneira mais fácil de entender como o serviço funciona. Na página da Amazon, há uma opção para degustar o Kindle Unlimited por 30 dias. Enquanto você for assinante, receberá uma cobrança mensal de 10 dólares no cartão de crédito e poderá ler quantos livros quiser nos dispositivos atrelados à sua conta. Ao cancelar a assinatura, os ebooks são automaticamente retirados da sua coleção.

Tanto no Kindle quanto na loja da Amazon, próximo ao botão de compra, haverá um botão para “ler de graça” em mais de 600 mil obras. Depois que o ebook for baixado, você pode lê-lo como se fosse seu: há sincronização com o Whispersync, o que significa que a página, as marcações e as anotações são sincronizadas entre todos os seus dispositivos.

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Audiobooks podem ser ouvidos no Android e iOS

Audiobooks podem ser ouvidos no Android e iOS

Não há prazo de devolução, mas há um limite de 10 ebooks emprestados simultaneamente. Quando você tentar ler o décimo primeiro livro, a Amazon irá sugerir a devolução do ebook emprestado há mais tempo — mas é possível selecionar outro. A qualquer momento, um ebook emprestado anteriormente pode ser baixado novamente, inclusive com as marcações sincronizadas na nuvem.

Além de livros em texto, o Kindle Unlimited permite acessar pouco mais de 2 mil audiobooks, mas eles só podem ser ouvidos em dispositivos com som, o que não inclui nenhum dos leitores Kindle vendidos hoje (Kindle e Kindle Paperwhite), só os tablets Kindle Fire e dispositivos Android e iOS com o aplicativo oficial do Kindle. O tamanho dos arquivos varia; aqui, gastei 156 MB para baixar o audiobook de The Hobbit.

Não está disponível no Brasil, mas…

O Kindle Unlimited só foi lançado nos Estados Unidos, mas o serviço funciona no Brasil caso você possua uma conta americana da Amazon com um endereço americano. O cartão de crédito precisa ser internacional, mas não necessariamente emitido nos Estados Unidos.

Se você se enquadra no caso acima, não deve ter dificuldade para testar e assinar o serviço. Se a conta for brasileira, é possível migrá-la para uma americana sem perder as compras já realizadas (no entanto, você não poderá adquirir novos conteúdos na Amazon.com.br). Basta entrar em Gerencie seu Kindle e selecionar “Configurações do país”. Em “Brasil”, clique no link “Mudar”, preencha com o endereço americano e salve as alterações. É possível voltar para uma conta brasileira a qualquer momento fazendo o caminho inverso.

Em comparação com a Amazon brasileira, a Amazon americana possui uma quantidade maior de ebooks (2,7 milhões contra 2,2 milhões), mas menos títulos em português (27 mil contra 35 mil). Os preços não estão totalmente conectados: alguns livros são mais baratos na loja americana; outros, na brasileira.

Você pode assinar O Globo e Zero Hora na Amazon (mas não no Brasil)

Você pode assinar O Globo e Zero Hora na Amazon (mas não no Brasil)

Na Amazon americana, é possível comprar audiobooks e fazer assinaturas de jornais e revistas, como O GloboZero HoraThe New York TimesNational Geographic e Vogue. Estranhamente, mesmo com jornais brasileiros, a assinatura não está disponível no Brasil, por isso, se você fizer o caminho inverso (migrar uma conta americana para uma brasileira), suas assinaturas serão automaticamente canceladas.

E quando o Kindle Unlimited será lançado oficialmente no Brasil? Procurada pelo Tecnoblog, a Amazon declarou que “não comenta planos futuros”. Como o serviço ainda não funciona nem no Reino Unido, outro mercado grande para a Amazon, é bom esperar sentado.

O que tem de bom para ler?

No momento em que escrevo este parágrafo, há 639 mil livros disponíveis no Kindle Unlimited, pouco menos de um quarto dos 2,7 milhões de ebooks da loja americana. Muitos títulos não estão disponíveis, mas a Amazon destaca algumas obras conhecidas: dá para ler a trilogia de The Lord of The Rings, os sete livros de Harry Potter, bem como 2001: A Space OdysseyThe Hobbit e Life of Pi, por exemplo.

Todos os livros acima estão em inglês, mas também há pouco menos de 8 mil títulos em português no Kindle Unlimited.

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O problema é que, assim como na Netflix, liberar os conteúdos exige acordos comerciais. E as cinco grandes editoras americanas (Hachette, HarperCollins, Macmillan, Penguin Random House e Simon & Schuster) não disponibilizaram muitos livros, logo, há uma série de títulos famosos faltando. Boa parte dos livros do Kindle Unlimited, incluindo as obras em português, são de pequenas editoras ou autores independentes.

Portanto, mesmo que 600 mil ebooks pareça muito, na prática a história é um pouco diferente, e o acervo ainda é fraco se você estiver interessado apenas nos best sellers.

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Quão fraco? Entre a lista dos 20 ebooks Kindle mais vendidos, apenas 3 estão no Kindle Unlimited: My Mother Was Nuts, em 1º; Pines, em 13º; e One Lavender Ribbon, em 20º. Na categoria Computadores e Tecnologia, a situação melhora (10 dos 20 podem ser lidos gratuitamente), mas a maioria dos livros são guias e tutoriais — nada de ler de graça a biografia do Steve Jobs ou o novo livro de Glenn Greenwald, portanto.

Entre os livros em português, a coisa é ainda mais triste, mas isso é até compreensível se considerarmos que o serviço, oficialmente, nem funciona no Brasil. Da lista dos 20 mais vendidos, só um está no Kindle Unlimited. E, na verdade, esse único livro não é voltado para brasileiros, mas sim para estrangeiros que desejam aprender a língua portuguesa.

Vale a pena o esforço?

O preço de US$ 9,99 por mês é bem atraente. Se você considerar que muitos ebooks custam esse preço ou até mais, basta pedir apenas um ou dois livros emprestados e a assinatura mensal já valeu a pena.

Só que a Amazon ainda precisa melhorar o acervo para o Kindle Unlimited ser realmente vantajoso. 600 mil ebooks é muita coisa, mas uma parcela bem pequena desses livros representa o que as pessoas querem ler. Eu tenho certeza que grande parte dos que estão lendo este texto passariam tranquilamente 10 horas por mês assistindo a filmes e séries na Netflix, mas não gastariam a mesma quantidade de horas lendo livros aleatórios na Amazon.

Resta saber se a Amazon conseguirá aumentar a disponibilidade de livros e, mais importante, se será capaz de convencer as editoras de que o modelo de negócios é interessante. Estamos até acostumados com serviços de streaming de músicas ou filmes, mas não de livros — embora já existissem opções antes do Kindle Unlimited, como o Oyster. Eu, como leitor, acho ótimo pagar só 10 dólares para ler quantos livros quiser. Mas, se estivesse do outro lado, comandando uma editora, não sei se toparia receber só alguns centavos por usuário.

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Maria Cadastro

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Edy

"princípio da igualdade entre os consumidores" mas hein?! uahsuahsasu (2)

CDC? Empresa americana seguir CDC? Igualdade de serviços em nível planetário? Caraca! Seu saber jurídico internacional é lastimável

edw
"princípio da igualdade entre os consumidores" mas hein?! uahsuahsasu (2) CDC? Empresa americana seguir CDC? Igualdade de serviços em nível planetário? Caraca! Seu saber jurídico internacional é lastimável
rudson alves
Apenas um problema. Nem todos os livros ficam disponíveis para leitura simultaneamente. Tal como no Netflix, apenas alguns títulos são liberados a cada período (semana acho). Não sei como é no Amazon americano, mas no brasil, alguns é algo da ordem de uma dúzia de livros. Por isto, a menos que seja muito eclético, nem sempre poderá encontrar textos de seu interesse. Neste caso será uma semana (ou período) perdido e sem ofertas interessantes. E dependendo de seu gosto literário pode ser mais de um mês. Em meu período de degustação, todos os livros que apareceram, os quais tinha algum interesse, já os havia lido. Somente não foi uma experiência totalmente perdida, por conta de alguns títulos em inglês me interessaram.
Filipe Martins
Essa mentalidade brasileira de achar que tem direito a tudo que faz com que as empresas fiquem com o pé atras de aplicar aqui mesmo, as empresas oferecerem o serviço que querem para quem querer, amazon unlimited não é um direito humano.
Henrique Tavares
sim, Caio Everton . Não sei o porquê do "espanto". Nosso CDC além de trazer seus princípios próprios, haja vista ser um ramo autônomo do Direito, também, como não poderia deixar de ser, traz os princípios constitucionais, dentre eles a isonomia. Vide o caso "Titanic", quando o filme foi lançado aqui no Brasil. As filas do cinema eram enormes, mas mesmo assim os consumidores não se importavam em enfrentá-las. No entanto, os exibidores do filme firmaram um contrato com os administradores do cartão de crédito Diners Club, permitindo que seus usuários adquirissem os ingressos para assistir ao filme sem pegar fila. O resultado foi um enorme fura-fila. Também não foi para menos. Uns usuários (consumidores) tiveram tratamento diferenciado em detrimento dos demais. Nas palavras de Rizzatto Nunes: "Não resta dúvida de que aquela prática era ilegal, na medida em que feria o princípio da isonomia previsto na Carta Magna". Não vejo diferença entre essa caso citado por mim, e o que a Amazon tem feito.
Caio Everton
"princípio da igualdade entre os consumidores" mas hein?! uahsuahsasu
Fernanda C. Briones
Lekynus Sama Eu, enquanto escritora, agradeço seu comentário. Passamos noites a fio escrevendo nossos livros, criando nossos filhos. E, através deles, pagamos nossas contas. Quero ver alguém dizer para um advogado: "achei seu serviço em um site, você ganha alguns centavos e o site ganha a esmagadora maioria". Não, não fazem. Isso é porque o trabalho de artistas (escritores, ilustradores, músicos, cineastas, etc) não é valorizado. Nós ralamos como qualquer outro profissional e merecemos ser pagos justamente pelo nosso suor de cada dia. Para a JK Rowling, por exemplo, é fácil vender livros e ganhar centavos por isso. Afinal, ela já foi (justamente) paga por seu trabalho. Para escritores de livros não considerados best-sellers, no entanto, a coisa não funciona assim.
Fawks Gustavo
Já existe um serviço similar Brasileiro e com todos os livros em português, é o Flixbook , funciona muito bem e é possível ler em qualquer lugar inclusive no computador e custa bem mais barato. www.flixbook.com.br
Henrique Tavares
Agora não ter esse serviço no Brasil é um absurdo. Fere o princípio da igualdade entre os consumidores. Ora, nós também pagamos pelo aparelho, por que só então os norte-americanos podem ter esse direito? Absurdo e falta de respeito!
Railan Barbosa
O serviço está mais fraco do que criei expectativa ao ver os boatos. Bem, esse serviço tem uma ideia ótima, mas ainda precisa de mais acordos, vamos ver como vai se desenrolar
Luis Henrique Torres Bigode
Lekynus Sama Achei esses 65% muito alto, mas se tem muito livro lá é pq mesmo recebendo menos a cada livro deve vender muito mais, dando um lucro maior no final das contas. Não curto livros mas vejo a Amazon como uma Steam dos livros. Galera só compra jogo se for na Steam, e só compra livro se for na Amazon.
Pedro Maich
Pode ser que eu seja meio preguiçoso pra ler, mas me parece que é muito mais fácil uma pessoa gastar 45 minutos assistindo um episódio de uma série no Netflix, que vai dar despesa com banda do servidor, do que gastar uma semana lendo um livro que é quase custo zero. Não entendo por que seria um negócio ruim para as editoras.
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