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Depois de mais um trimestre nada bom, dona da Nextel pensa em pedir concordata

Paulo Higa Por
5 anos atrás

A NII Holdings, controladora da Nextel Brasil, anunciou os resultados financeiros do segundo trimestre de 2014, e eles não foram nada bons: mais uma vez, a empresa sangrou dinheiro e registrou prejuízo de US$ 623,3 milhões. No relatório, além de mostrar outros resultados negativos, a NII Holdings admitiu que pode entrar com pedido de recuperação judicial para tentar renegociar suas dívidas.

No momento em que escrevo este parágrafo, as ações da NII Holdings na Nasdaq estão despencando mais de 70% e valem apenas US$ 0,19 — um zoom no gráfico mostra que, nos grandes tempos da Nextel, em meados de 2007, os papeis chegaram a custar mais de US$ 89.

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Além de controlar a Nextel Brasil, a NII Holdings também possui operações no México, Chile e Argentina. Pelo visto, os planos agressivos da Nextel Brasil, com mais minutos e franquia de dados que os concorrentes, têm dado até certo: em um ano, de acordo com o relatório, a base de clientes cresceu de 3,9 para 4,2 milhões. O problema é que, mesmo com mais assinantes, a receita caiu 17%, segundo o TeleSíntese.

Nos outros países, a situação não é melhor que no Brasil. Por exemplo, no México, outro grande mercado da Nextel, a empresa usa a seguinte frase: "a queda no número de clientes foi menor que no último trimestre". Já na Argentina, embora a quantidade de assinantes tenha modestamente aumentado 4% em um ano, para quase 2 milhões de clientes, as receitas caíram 34%.

Hoje, a NII Holdings tem uma dívida de US$ 5,8 bilhões (e só US$ 1 bilhão em caixa). Como informa o Teletime, a empresa pode entrar com um pedido de concordata se não conseguir renegociar as dívidas que possui, principalmente no Brasil, onde a NII Holdings tem US$ 443,1 milhões em empréstimos abertos. Se não conseguir cumprir com os compromissos mesmo após rever os valores e datas de pagamento, durante o processo de recuperação judicial, o próximo passo é a falência.

Caso a NII Holdings não consiga pagar suas dívidas, ninguém sabe ao certo qual será o futuro da Nextel Brasil — a controladora não cita a palavra "venda", mas não descarta uma "solução estratégica" para continuar a operar.