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Especialista em segurança coloca gatinho espião para patrulhar Wi-Fis da vizinhança

Os equipamentos na coleira do bichano eram capazes de detectar redes Wi-Fi abertas ou com senhas fáceis de serem quebradas

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5 anos atrás

Coco, o gatinho da foto abaixo, parece inofensivo, mas ele é um poderoso recurso no projeto de espionagem do especialista em segurança Gene Bransfield.

Na coleira do bichano, Gene escondeu um chip Spark Core com firmware customizado, uma placa Wi-Fi, um pequeno módulo GPS e bateria, que aliados ao descomprometido passear do Coco nos arredores de um bairro do subúrbio de Washington, foram capazes de detectar dezenas de redes Wi-Fi abertas ou muito mal protegidas pelo protocolo WEP.

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Essa experiência nerd de Gene Bransfield é uma modernização do conhecido wardialing dos anos 1980, quando hackers tentavam acessar números de telefone de forma cíclica em busca de conexões desprotegidas que pudessem ser utilizadas por eles.

Wardialing, termo que surgiu depois do filme WarGames (1983)

Wardialing, termo que surgiu depois do filme WarGames (1983)

Mais tarde, a mesma técnica funcionava colocando antenas em carros, que ao circular pela cidade, podiam detectar redes Wi-Fi sem proteção de senhas, o que ficou conhecido como wardriving. Para não deixar a tradição de lado, Gene batizou sua ação de espionagem com animaizinhos de estimação de WarKitteh, em homenagem aos serviços prestados por Coco, o gatinho.

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O equipamento todo que foi escondido na coleira de Coco. A nota de 1 dólar é uma referência de dimensão

Afora a diversão geek que o especialista teve durante alguns fins de semana (entre convencer a avó de sua esposa a costurar o kit de equipamentos na coleira, “emprestar” o gato e trabalhar com os dados obtidos), o monitoramento de Gene evidenciou que as pessoas não sabem proteger as suas redes. Dentre os 23 Wi-Fis detectados pela engenhoca na coleira do gato, mais de 33% estavam abertos ou poderiam ter suas senhas quebradas, já que usavam a fraca encriptação WEP ao invés da mais moderna (e segura) WPA.

Segundo Gene, a maioria das redes parecia ter mantido a configuração padrão das empresas de telefonia da região, o que mostra que as próprias operadoras não parecem muito interessadas em proteger a privacidade e a segurança digital de seus clientes. Ele até fez um mapa em que mostra o caminhar do gato e as redes detectadas por ele:


Além disso, acho que o mais alarmante é que um inofensivo gato possa se tornar uma arma de espionagem. Cada vez mais as pessoas parecem preocupadas com o direito à privacidade e indignadas com a espionagem realizada por órgãos como a NSA, mas elas provavelmente jamais se preocupariam com o comportamento suspeito de um gato conhecido na vizinhança. Afinal, que tipo de ameaça ele poderia oferecer, não é mesmo?

O que para Gene Bransfield era apenas uma brincadeira de fim de semana acabou virando um estudo, que foi apresentado neste mês durante a conferência hacker DefCon com o divertido título “How To Weaponize Your Pets” (Como Transformar seus Animais de Estimação em Armas, em tradução livre).

Além de ensinar os interessados a fazerem o seu próprio WarKitteh, Gene espera conseguir conscientizar as pessoas sobre a necessidade de ter mais cuidado com a segurança das suas redes de internet sem fio, já que por ela circulam milhares de informações e dados pessoais. “Se as pessoas conseguirem compreender que um gato pode ‘invadir’ o seu Wi-Fi, talvez isso já seja algo positivo”, disse ele em entrevista à Wired.

Depois dessa, vai ter gente olhando com um bocado de descrença para qualquer bichano circulando com uma coleira mais gordinha.

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