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A solução para um mundo melhor é acabar totalmente com a privacidade?

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5 anos atrás

Você já deve ter ouvido uma daquelas grandes teorias da humanidade, como a que diz que, se o mar é feito de água e sal e a bolacha de água e sal também é, o mar é uma grande bolacha. Essa talvez seja uma dessas, mas Noah Dyer, um ativista anti-privacidade, acredita que o caminho para um mundo melhor está no fim total da privacidade.

Dyer está tentando arrecadar dinheiro no Kickstarter para provar que sua teoria está correta. Ele quer juntar 300 mil dólares em doações para ter sua privacidade sacrificada por um ano. Para isso, ele pretende contratar uma equipe de filmagem, comprar câmeras e servidores que aguentem essa quantidade de dados para que sua vida seja exposta ao mundo 24 horas por dia, durante 365 dias.

Segundo a crença de Dyer, ao expor tudo para o mundo, você passa a não ter mais nada para esconder de verdade e essa é uma grande contribuição para a sociedade. Será possível, por exemplo, prever crimes e fazer com que os políticos parem de brigar por poder e influência e foquem em resolver os problemas, além de terem seus próprios segredos revelados – então podem esquecer de desvio de verbas, entre várias outras coisas.

Se o projeto de Dyer for financiado, ele terá câmeras expondo sua vida de maneira desconfortável até para quem assiste, como quando ele for ao banheiro ou tiver que educar seus filhos. Ou seja, além de expor sua vida, vai também fazer isso com a de seus filhos, familiares, amigos, enfim, de pessoas próximas que não necessariamente estejam de acordo com sua visão.

Acho difícil de concordar que o fim da privacidade seja a solução dos problemas com privacidade que enfrentamos hoje em dia, com governos e empresas armazenando dados sobre nós, traçando nossos perfis, vendendo nossas informações e acompanhando nossos passos. Pouco interessa a maneira que você cria seus filhos ou quanto tempo fica no banheiro. Parece que Dyer mirou no Edward Snowden, mas acertou no Pedro Bial nesse ponto.

Ele mesmo concorda que a ideia é radical, mas está disposto a testá-la, abrindo mão de um direito que está na Declaração dos Direitos Humanos (pode olhar lá, artigo 12) e expondo sua vida à sociedade e seus julgamentos, de modo que ela possa cobrá-lo de absolutamente tudo.

Além de radical, é contraditória. Como ele diz no vídeo da campanha, “as pessoas com essas informações [as suas] são humanas, às vezes tomam decisões com consequências negativas não-intencionais que afetam milhões de pessoas”. Imagine, agora, milhões de pessoas tendo acesso à informação de milhões de pessoas. Todo mundo seria vigia um do outro? Who watches the watchmen?

Enfim, a solução para a questão da privacidade não chegará meses depois da revelação de que há esquemas gigantes de espionagem internacional por parte dos governos, contando com a ajuda de empresas nas quais sempre confiamos. Mas, se você concorda com a ideia de Dyer ou quiser saber mais sobre o que ele considera válido para ter um mundo melhor, dê uma olhada no site da campanha.

Com informações: Engadget

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