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Moto G (2ª geração): de novo, o melhor smartphone barato do mercado

Custando a partir de 699 reais, novo Moto G entrega desempenho e tela acima da média da categoria.
A câmera ruim e a falta da entrada para microSD, pontos negativos do primeiro Moto G, sumiram.

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5 anos atrás
Nota Final 9.1

Há dez meses, em novembro de 2013, eu estava publicando o review da primeira geração do Moto G. Na época, escrevi que ele era o melhor smartphone barato do mercado. Custando menos de 700 reais, o Moto G oferecia uma experiência de uso superior a muitos aparelhos vendidos por preços acima dos mil reais, embora tivesse algumas limitações, como a câmera não muito boa e a impossibilidade de expandir o armazenamento.

O tempo passou e a Motorola começou a vender neste mês a segunda geração do Moto G numa tentativa de eliminar os pontos negativos do aparelho antigo e oferecer o que o público em geral está querendo: uma tela maior, agora de 5 polegadas; suporte a dois chips em todos os modelos; e sintonização de TV digital, antes um recurso restrito ao smartphone mais básico da empresa, o Moto E.

As mudanças são suficientes para manter o Moto G como a melhor opção entre os smartphones intermediários? Aparentemente, sim.

Design e tela

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De longe é possível identificar o novo Moto G como sendo um smartphone da Motorola. Ele segue a mesma linha de design que a empresa de Chicago vem adotando há um ano e pega emprestado alguns elementos de outros aparelhos da marca, como a curvatura na traseira, a reentrância com o logotipo da Motorola perto da câmera e as bordas finas em torno da tela. Em outras palavras, a pegada continua muito boa.

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Tem slot para cartão? Tem sim senhor.

Com o aumento da tela de 4,5 para 5 polegadas, o novo Moto G está um pouquinho maior: são 70,7 mm de largura, contra 65,9 mm da primeira geração. O manuseio com apenas uma mão ficou mais complicado, mas não chega a ser desconfortável — o desenho ergonômico do aparelho ajuda a alcançar os cantos da tela sem fazer muito exercício de alongamento com o polegar.

A tampa traseira possui um acabamento de aspecto “emborrachado” e não é mais tão complicada de ser retirada, embora continue bem encaixada. Ao removê-la, você verá as entradas para os dois chips Micro-SIM da operadora e o muito bem-vindo slot para cartão de memória. A bateria não é removível.

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Um dos pontos fortes da geração passada continua presente: a tela IPS LCD de 5 polegadas do Moto G é sensacional. As cores têm saturação na medida certa, os pretos são bastante profundos, o ângulo de visão é amplo e a resolução de 1280×720 pixels é mais que suficiente para não enxergarmos pixels individuais em distâncias normais de uso. A proteção Gorilla Glass 3 contra arranhões só colabora para melhorar o conjunto.

Há críticas? Sim, o brilho não é muito alto, o que pode dificultar a visualização em ambientes externos — embora o vidro faça um bom trabalho em eliminar os reflexos. Mas ainda estamos falando, provavelmente, da melhor tela disponível em um smartphone dessa faixa de preço. Acho improvável que, num teste cego, uma pessoa diga que essa tela equipa um smartphone de 699 reais.

Software e multimídia

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Como mais de 90% dos smartphones vendidos no Brasil rodam Android, as fabricantes tentam se diferenciar na personalização, colocando recursos de utilidade duvidosa, animações pesadas que engasgam em processadores mais simples e uma série de aplicativos que ocupam espaço na memória. Depois de causar raiva com o Motoblur, a Motorola é uma das poucas que está percebendo o óbvio: desde o Android 4.0, a experiência pura do Android é fantástica e, em muitos aspectos, melhor que a desenvolvida por terceiros.

O Moto G vem de fábrica com o Android 4.4.4 KitKat, a última versão disponível até o momento, e praticamente não traz alterações no software. As poucas adições se resumem a aplicativos como o Assist, que executa tarefas automaticamente de acordo com a sua localização, horário ou calendário; e o Migração Motorola, que importa contatos, agendas e outros dados do seu smartphone antigo.

Os principais diferenciais de software bacanas do Moto X não estão disponíveis no Moto G. A falta do Active Display, que exibe notificações na tela com o aparelho em standby, é compreensível, porque não seria possível fazê-lo funcionar em um smartphone com painel IPS LCD mantendo uma boa duração de bateria. Na tela AMOLED do Moto X há como acender pixels individualmente, o que economiza energia — e permite que os displays exibam o belo preto “real”.

Mas bem que a Motorola podia trazer o recurso de escutar comandos de voz do usuário a todo momento, inclusive com a tela desligada. Recentemente, tive a oportunidade de assistir a uma demonstração da Qualcomm com o Voice Activation funcionando em um Snapdragon 400, o mesmo chip do Moto G. Seria legal se essa função se popularizasse (inclusive em aparelhos de outras fabricantes). Tecnicamente, é possível.

Moto G DTV Colors: capinha colorida e TV digital

Moto G DTV Colors: capinha colorida e TV digital

O alto-falante está localizado na frente, o que é melhor para assistir a vídeos, já que o som é emitido diretamente na sua direção. Mas o mais legal é que a Motorola decidiu colocar dois alto-falantes para oferecer som estéreo. O resultado é um som alto, claro e de ótima qualidade — dentro das limitações físicas de um smartphone, claro.

Câmera

A câmera do novo Moto G é uma grata surpresa.

Ok, chegamos a uma parte crítica do review. Em smartphones mais acessíveis, é normal que as fabricantes economizem dinheiro em determinados componentes. Geralmente, uma das peças mais afetadas é a câmera. No Moto G de primeira geração, tínhamos um sensor de 5 megapixels que fazia um trabalho razoável com bastante luz natural, mas exagerava no ruído em ambientes internos.

Na segunda geração, a Motorola optou por renovar a câmera com um sensor de 8 megapixels e uma lente bastante clara, com abertura de f/2,0. Isso é suficiente? Sim. A câmera do novo Moto G é uma grata surpresa. Ela consegue manter um nível de detalhes bastante alto em ambientes bem iluminados, sem exagerar no pós-processamento.

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Em alguns momentos, senti falta de uma saturação maior nas cores, mas isso é uma questão de gosto e perfeitamente ajustável via software.

Nos ambientes fechados, mas bem iluminados, a câmera do Moto G ainda consegue fazer um bom trabalho. Na primeira geração, o nível de ruído era muito grande, o que não acontece no novo aparelho. O único problema é que, para manter o ruído sob controle, o ISO é mais conservador e, consequentemente, os tempos de exposição aumentam bastante — portanto, talvez você tenha que tirar a mesma foto mais de uma vez se não tiver mãos bem firmes.

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Quando a luz não colabora, claro, a câmera do Moto G mostra suas limitações: o nível de ruído aumenta significativamente e a captura de fotos de objetos em movimento é uma tarefa bastante ingrata. Há smartphones que se dão bem melhor nesse ponto, mas não na mesma faixa de preço. Veja abaixo um exemplo de foto noturna com o Moto G (e, apenas por curiosidade, a mesma foto tirada com um iPhone 5s, que também possui um sensor de 8 megapixels).

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Desempenho e bateria

Não está ruim, mas poderia ser melhor.

O poder do Moto G de segunda geração é exatamente o mesmo do Moto G de primeira geração. Continuamos com o chip Snapdragon 400 com CPU quad-core de 1,2 GHz e GPU Adreno 305, além de 1 GB de RAM e bateria de 2.070 mAh. Isso significa que o desempenho continua excelente para um smartphone intermediário, mas é fato que foi um pouco decepcionante não ver uma atualização, por menor que fosse.

Foi chato não ver dentro do Moto G o novo Snapdragon 410, que possui núcleos Cortex-A53 de 64 bits — eles possuem algo em torno de 15% a 20% mais desempenho que os atuais Cortex-A7 de 32 bits usados no Snapdragon 400. Mas a minha maior decepção foi ver que nenhuma das versões suporta 4G, uma tecnologia cada vez mais popular (a Claro, por exemplo, libera sua rede LTE para todos os clientes, inclusive os pré-pagos).

Pelo menos o hardware continua ótimo. As transições de tela são bastante suaves, a abertura dos aplicativos é rápida e os jogos rodam bem na Adreno 305. Dead Trigger 2, nosso joguinho favorito para testar os limites do processador gráfico, funciona bem com a qualidade média — se os gráficos estiverem no nível alto, a baixa taxa de frames e os pequenos engasgos começam a incomodar.

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O modelo que testei tem 16 GB de armazenamento, o que julgo ser suficiente para a maioria das pessoas. Mas as duas versões mais acessíveis, Moto G Dual SIM e Moto G Colors, que custam respectivamente 699 e 729 reais, possuem somente 8 GB de memória. O espaço de 16 GB está disponível apenas no Moto G DTV Colors, de 799 reais. É por isso que a entrada para cartão microSD do Moto G de segunda geração é importante.

A bateria continua suficiente, apesar de manter a capacidade de 2.070 mAh em uma tela maior.

Em um dia particularmente agitado, tirei o Moto G da tomada às 14h, ouvi duas horas de música por streaming, fiz download de um podcast de 100 MB pela rede 3G, usei redes sociais e o navegador por mais de uma hora, habilitei o tethering por meia hora e tirei cerca de dez fotos de teste. O brilho ficou no máximo, o Wi-Fi permaneceu desativado e a tela esteve ligada por exatamente 1h29min. À 0h28, o nível de bateria marcava 15%.

Ou seja, a bateria do Moto G deverá satisfazer a maioria dos usuários. A não ser que você jogue muito no smartphone, é pouco provável que seja surpreendido com um aviso de bateria fraca antes do fim do dia.

Notas relevantes

  • Se apenas um chip estiver instalado, o novo Moto G não mostrará o status do segundo chip na barra superior. Portanto, não há motivos para sentir a ausência de uma versão single SIM.
  • O Moto G antigo tinha botões com um visual meio cromado, enquanto o novo possui botões na cor cinza. Particularmente, gostava mais do estilo antigo.
  • Nativamente, não é possível mover aplicativos da memória interna para o cartão.
  • A carcaça do novo Moto G é resistente a respingos, o que significa que você pode usá-lo na chuva (mas não pode tomar banho com ele).
  • A Motorola anunciou que o Moto G possui atualização garantida para a próxima versão do Android, citando explicitamente o “Android L”. Cobre depois.
  • O recurso de TV digital funciona como esperado e o aplicativo de TV é exatamente o mesmo do Moto E. É preciso conectar um pequeno cabo no conector de fone de ouvido para conseguir sintonizar os canais.
  • Abri e fechei o Moto G umas dez vezes e não machuquei meu dedo nenhuma vez. Também não tive nenhum problema com as minhas unhas. Grande avanço!

Conclusão

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O novo Moto G merecia um processador atualizado. Também merecia uma bateria de maior capacidade. E uma conexão 4G daria vida útil maior ao aparelho. Mas o fato é que, mesmo sem esses upgrades, que seriam muito bem-vindos, o novo Moto G mantém o que eu disse no review do Moto G de primeira geração: este é, novamente, o melhor smartphone barato do mercado.

O melhor smartphone barato do mercado, de novo.

A câmera, um dos pontos mais criticados do Moto G antigo, foi significativamente melhorada na nova geração. Com a entrada para cartão de memória, usuários que gostam de guardar muitas músicas, vídeos e fotos no celular também serão atendidos. Sem esses pontos negativos, o novo Moto G praticamente não possui defeitos.

Vale a pena o upgrade para quem já possui um Moto G de primeira geração? Provavelmente não: se você não se incomoda com a câmera e até agora não precisou de espaço adicional, o antigo Moto G ainda deverá durar um bom tempo. Pode ser legal ter uma tela maior ou alto-falantes melhores, mas não vejo esses pontos como atraentes o suficiente para compensar um novo gasto de 700 reais — talvez seja melhor esperar um possível Moto G de terceira geração.

Mas, se você procura um bom Android e não pretende gastar muito dinheiro, será difícil encontrar opções superiores ao Moto G na mesma faixa de preço. Ele é, atualmente, o smartphone com a melhor relação custo-benefício à venda no Brasil. De novo.

Moto G (2ª geração)

PRÓS

  • Bateria com boa autonomia.
  • Câmera significativamente superior a da geração anterior.
  • Confortável de segurar, apesar de possuir uma tela de 5 polegadas.
  • Tela de alta qualidade, acima da média da categoria.

CONTRAS

  • Faltou a conexão 4G.
  • Um ano depois, o Moto G merecia uma atualização no hardware.
Nota Final 9.1
Design
9
Tela
10
Câmera(s)
9
Desempenho
9
Sistema Operacional
9
Bateria
8
Qualidade da Chamada
10

Especificações técnicas

  • Bateria: 2.070 mAh.
  • Câmera: 8 megapixels (traseira) e 2 megapixels (frontal).
  • Conectividade: 3G, Wi-Fi 802.11n, GPS, Bluetooth 4.0, USB 2.0.
  • Dimensões: 141,5 x 70,7 x 11,0 mm.
  • GPU: Adreno 305.
  • Memória externa: suporte a cartão microSD de até 32 GB.
  • Memória interna: 8 GB (Moto G Dual e Moto G Colors) ou 16 GB (Moto G DTV Colors).
  • Memória RAM: 1 GB.
  • Peso: 149 gramas.
  • Plataforma: Android 4.4.4 (KitKat).
  • Processador: quad-core Snapdragon 400 de 1,2 GHz.
  • Sensores: acelerômetro, bússola, proximidade.
  • Tela: IPS LCD de 5,0 polegadas com resolução de 1280×720 pixels e proteção Gorilla Glass 3.