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Sob nova liderança, BlackBerry dá sinais de recuperação

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5 anos atrás

A nuvem carregada que pairou sobre a BlackBerry parece estar se dissipando. Outrora referência no segmento de smartphones, a companhia viu seu espaço ser tomado pelas plataformas Android e iOS. Mas sinais de recuperação começam a aparecer. Um deles vem do BlackBerry Passport: lançado na quarta-feira (24), o modelo já acumula 200 mil unidades vendidas.

Se levarmos em conta que a linha iPhone 6 vendeu 4 milhões de unidades nas primeiras 24 horas, é pouco. Mas as circunstâncias aqui são diferentes: a BlackBerry nunca esteve tão focada no segmento corporativo e é para este público que se destina o Passport.

BlackBerry Passport: tela quadrada e teclado físico

BlackBerry Passport: tela quadrada e teclado físico

Com a sua tela quadrada de 4,5 polegadas e teclado “qwerty”, o dispositivo causa enorme estranheza. Mas segundo a BlackBerry, o formato peculiar do modelo o torna ideal para atividades profissionais – o display facilita a visualização de gráficos e planilhas, enquanto que o teclado agiliza a elaboração de emails, a edição de relatórios e assim por diante.

Mas não é apenas com aparelhos que a BlackBerry pretende (re)conquistar o mercado. A companhia também está apostando mais no fornecimento de software e serviços. Um exemplo recente desta estratégia é o Blend, ferramenta lançada junto ao Passport que dá ao usuário a possibilidade de acessar email, SMS, lista de contatos, agenda, arquivos e outros a partir de dispositivos variados.

Para cumprir com o que promete, o Blend é compatível com Windows, OS X, Android, iOS e, claro, BB OS. Se funciona? Os numerosos elogios de analistas à ferramenta sugerem que sim.

Blend para Android

Blend para Android

Para se diferenciar em software e serviços, a BlackBerry vem jogando não só com a tradição de seu nome, mas também com um aspecto que ganhou grande atenção depois das denúncias de espionagem pelo governo dos Estados Unidos: segurança móvel. Este segmento apresenta cada vez mais demanda e registra margens de lucro elevadas.

A confiança nesta categoria é tão grande que a BlackBerry chegou a adquirir uma empresa especializada em proteção contra escutas indevidas em dispositivos móveis.

Todas estas mudanças tomaram forma depois que John Chen assumiu a liderança da BlackBerry. No cargo de CEO desde novembro de 2013, o executivo promoveu uma grande reestruturação interna que, além de culminar no desenvolvimento de novos produtos, amenizou os números negativos da companhia.

Em um relatório financeiro divulgado nesta sexta-feira (26), a empresa relata perda líquida de US$ 207 milhões no trimestre fiscal encerrado em agosto. É uma quantia expressiva, certamente, mas bem menor que os US$ 965 milhões de prejuízo registrados no mesmo período do ano passado.

John Chen

John Chen

A meta de Chen é chegar ao final do atual trimestre com o fluxo de caixa ainda mais equilibrado. Experiência não falta: antes de assumir a BlackBerry, o executivo foi bem-sucedido na missão de tirar a Sybase do buraco.

Se os números não forem suficientemente convincentes, o otimismo de John Chen deve compensar: no mês passado, o executivo chegou a enviar um memorando aos seus funcionários afirmando que a fase das demissões acabou.

Mesmo assim, é pouco provável que a BlackBerry volte a ter a glória de antes. Mas se a gestão de Chen continuar apresentando resultados tão favoráveis, o clima de “pé na cova” também ficará no passado. Para uma empresa que vivenciou um declínio tão grande, será um feito e tanto.

Com informações: GigaOM, WSJ.com