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Não, o cabo submarino para a Europa não pretende separar o Brasil dos EUA

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4 anos atrás
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A internet ficou furiosa após uma notícia do Gizmodo informando que um novo cabo submarino entre Brasil e Europa significaria o início de um rompimento da relação do país com os Estados Unidos. Calma, não é bem assim: a fibra óptica pretende melhorar a conexão com a internet dos brasileiros e também reduzir custos.

É certo que existam vários cabos submarinos ligando Brasil e Estados Unidos. Esses cabos são praticamente essenciais para nós, já que boa parte do conteúdo utilizado pelo Brasil está hospedado no exterior, sobretudo Estados Unidos e Europa. Como os Estados Unidos possuem cabos espalhados para diversos cantos do planeta, servem como uma espécie de hub para troca de conteúdo com o resto do mundo.

Os atuais cabos submarinos da América do Sul (Fonte: Teleco)

Os atuais cabos submarinos presentes no Brasil (Fonte: Teleco)

A ideia de construir um cabo óptico até a Europa tem como objetivo evitar esse hub. Isso é bom por dois motivos: reduzir o custo de conexão (não é barato trafegar uma informação entre Brasil, Estados Unidos e Inglaterra, por exemplo) e, na pior das hipóteses, passar a ter um plano B de comunicação caso algo errado aconteça, tanto na relação diplomática entre Brasil e Estados Unidos como em algum possível ataque ou reclusão por parte dos americanos.

Antes de se deixar levar por todo esse burburinho levantado pela imprensa americana, é importate notar que o Brasil já possui um cabo submarino ligado diretamente com a Europa há mais tempo: trata-se do Atlantis 2, que está em operação desde 2000 e tem capacidade atual de 20 gigabits por segundo.

Hoje, 20 gigabits por segundo é insuficiente para manter o tráfego entre dois continentes. O novo cabo, que será construído pela Telebras foi planejado desde setembro de 2012 (muito antes de surgir o escândalo da NSA, em julho de 2013) e ainda não teve sua capacidade divulgada.

A utilização de tecnologia não-americana para a construção do cabo é algo bastante recorrente no setor de comunicações brasileiro, que prioriza a utilização de tecnologia nacional. Ainda não foi divulgada a capacidade do novo cabo submarino, mas não importa qual ela seja: o Brasil continuará dependendo fortemente dos Estados Unidos para se comunicar com o resto do mundo.

Portanto, não há o que temer. A tendência natural é que futuramente surjam mais cabos submarinos conectando o Brasil diretamente com outros países, otimizando nossa conexão. Além da ligação direta entre Brasil e Europa, a Telebras pretende construir mais outros três cabos ópticos, ligando o Brasil ao próprio continente americano (!) e africano, além de um dentro do país para integrar o território.

É bom lembrar que existe mais um cabo submarino planejado ligando o Brasil aos Estados Unidos: o Google, a operadora Algar, a uruguaia Antel e a Angola Cables anunciaram uma estrutura que ligará a cidade de Boca Ratón, na Flórida, até as cidades de Fortaleza e Santos.