Atravessar a rua ou entrar numa estação do Metrô são tarefas triviais para a maioria das pessoas, mas podem ser verdadeiros desafios para quem não enxerga. Mas há uma tecnologia sendo desenvolvida pela Microsoft que pode tornar a rotina destas pessoas mais fácil: o projeto Independence Day, que combina redes sem fio, smartphones e fones especiais.

Para funcionar, a tecnologia exige que pontos que emitem sinais via Wi-Fi ou Bluetooth sejam espalhados em uma região. Estas estações trafegam informações a respeito do local que ajudam a orientar o usuário durante o seu trajeto.

Microsoft - Independence Day

Estes dados são captados e analisados pelo smartphone, que os combina com mapas do Bing Maps. Na sequência, o aplicativo correspondente envia sinais sonoros, via Bluetooth, para os fones.

Os headphones fogem do convencional: os sinais sonoros são transmitidos via tecnologia de condução óssea. Os fones ficam posicionados um pouco mais próximos das bochechas e não sobre as orelhas, consequentemente. Desta forma, o usuário tem os ouvidos “livres” para prestar atenção em outras informações sonoras que ajudam em sua locomoção, como o barulho de um carro próximo.

As orientações são dadas tanto por avisos verbais quanto por “bips”. Uma sequência mais rápida destes podem indicar ao usuário que ele está próximo de uma curva, por exemplo. A direção e a intensidade do áudio podem informar quão acentuada é a curva ou para que lado ela vira.

Com a adoção em larga escala da tecnologia, pontos dentro de uma estação poderão guiar o usuário até o banheiro mais próximo ou até a plataforma da linha de Metrô que ele pretende pegar. Em uma parada de ônibus, o sistema pode avisar quando o veículo estiver se aproximando ou mesmo informar quais linhas levam a determinado local.

Fruto de uma parceria com as ONGs Catapult e Guide Dogs, o projeto vem sendo testado em Londres. Ainda há muito trabalho a ser feito, mas os testes já realizados apresentaram resultados convincentes – de modo geral, os testadores conseguiram se locomover com níveis significativos de independência.

Por enquanto, cães-guia ainda são importantes para estas pessoas. Em uma etapa posterior, no entanto, sensores presentes nos fones poderão fazer uma “varredura” do ambiente e avisar o usuário da existência de postes, escadas e outros obstáculos ao redor.

Desde julho já se sabia que a Microsoft estava trabalhando em um projeto do tipo. Mas, na ocasião, poucos detalhes haviam sido revelados. Apesar de a tecnologia já se mostrar razoavelmente funcional, não se sabe quando e se sua implementação, de fato, ocorrerá: a instalação das estações de sinal exige a colaboração de governos e entidades regulatórias, só para começar.

Com informações: BBC, News Scientist

Comentários

Envie uma pergunta

Os mais notáveis

Comentários com a maior pontuação

Jonas S. Marques
Concordo totalmente. Só fico um pouco receoso quanto a tudo isso pelo número de projetos que já vi tentando chegar a esse ponto e falharam. Eu pessoalmente enxergo o suficiente pra locomoção, então não me afetaria diretamente. Mas lembro-me da alegria e da frustração de alguns amigos na época em que estudávamos em uma escola de cegos aqui em SP quando universitários nos procuravam apresentando suas geniais ideias e pediam a eles para testar as ferramentas, e posteriormente quando nos procuravam pra dizer que o projeto não foi aprovado, não passou ou sei lá mais o que. Enfim, esperemos que a Microsoft chegue a algo.
Vitor Mikaelson
Aqui em Londrina-PR a prefeitura obriga que novas calçadas seja feitas adaptadas já. =P
Emerson Alecrim
Jonas, a ideia do projeto é identificar inclusive obstáculos próximos. Os sensores podem não saber que há especificamente uma barraca na calçada, mas informam a existência de algo ali. Pelo o que eu andei lendo a respeito, a tecnologia pode mesmo ser cara, mas não tanto. As estações emissoras de sinais teriam preços de cerca de US$ 20 cada (sem contar manutenção), por exemplo. Se os fones tiverem mesmo sensores, estes sim podem pesar para o usuário. Eu já vi no Metrô de São Paulo pessoas usando estas faixas no chão. É impressionante como se ganha agilidade com elas. Seria ótimo se todas as cidades contassem com estas faixas nos mais diversos pontos. Acabei não citando no texto, mas mencionei os cães-guia porque boa parte dos voluntários têm estes animais. Aparentemente, a intenção dos pesquisadores foi comparar o desempenho deles com o sistema (o cão-guia continua sendo mais preciso). Entendo que a tecnologia pode não vingar, como sugiro no final do texto. Mesmo assim, pesquisas como essas são sempre importantes: se falharem, podem ser o gatilho para outras ideias ou servir para aperfeiçoar alguma iniciativa com mais potencial de sucesso.
Jonas S. Marques
Sou cego e devo dizer que é um projeto que aparenta ser bem interessante, mas tenho um monte de ressalvas. Em primeiro lugar é necessário dizer que isso já existe em aparelhos relativamente grandes que são vendidos individualmente. Os tais aparelhos identificam cores, obstáculos e outras coisas. Mas nem sempre você pode ou quer prestar a atenção nisso. E pior, em cidades urbanizadas como São Paulo e ou O Rio, por exemplo, o tal aparelho de pouco ou nada adiantaria. Não adianta muito eu querer seguir o som do fone que me diz pra ir pra direita se a minha direita existe uma banquinha de cachorro quente que está em cima da calçada. Além disso, existe o agravante preço, e aí é onde a coisa pega. Por outro lado, quem mora em São Paulo já deve ter visto que nas calçadas de regiões como a da Paulista, por exemplo, existem faixas no chão com diversas indicações. Através delas é possível a um deficiente identificar onde fica o metrô, importantes prédios públicos e mesmo travessas de ruas. E nas próprias travessas existe a opção do sinal sonoro. Mas aparentemente pessoas se incomodaram com o som dos sinais, então o projeto para implantar 5 mil delas em São Paulo morreu. Eu entendo a vontade de ajudar da Microsoft mas entendo também que esse é um projeto fadado ao fracasso. Seja pelo custo ou pela dificuldade de implementação. Ah sim Emerson, muito pequeno é o número de cegos que contam com um cão guia. A colossal maioria prefere o uso apenas da bengala.
Cortaninha

Esses indianos são feios que dói, mas são os mais inteligentes do mundo da TI.

Infinity
Esses indianos são feios que dói, mas são os mais inteligentes do mundo da TI.
Vinícius
Microsoft a cada dia me surpreende mais. Satya me parece que vai ser pra Microsoft o que jobs foi pra Apple