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Gravadoras querem que serviços gratuitos de streaming sejam mais limitados

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5 anos atrás

Serviços de streaming surgiram como uma possível salvação para o declínio da venda de CDs e outros produtos ligados à indústria fonográfica. Mas a verdade é que há um clima generalizado de insatisfação por parte de gravadoras, distribuidoras e até artistas em relação ao segmento, especialmente no que diz respeito às modalidades gratuitas.

De acordo com o The Wall Street Journal, o setor, especialmente o bloco que representa grandes gravadoras – como Universal Music, Warner Music e Sony Music – está pressionando empresas como Spotify, Beats Music e Pandora para que estas limitem a oferta de conteúdo gratuito.

Spotify - perfil

Há vários argumentos utilizados para justificar o cerco ao streaming não remunerado diretamente. Uma delas é o fato de o número de usuários que migra para assinaturas pagas após a passagem por planos gratuitos estar abaixo do esperado.

Também há reclamações em relação aos serviços gratuitos sustentados por anúncios: de acordo com um executivo de uma destas gravadoras, cada usuário desta modalidade gera, em média, US$ 4 de receita por ano, enquanto um consumidor pagante pode dar retorno cerca de 20 vezes maior no mesmo período.

Para reduzir esta diferença, a indústria defende, entre outras medidas, o aumento da quantidade de anúncios, a diminuição da oferta de conteúdo para não pagantes e ações mais enérgicas na captação de assinaturas “premium”.

No outro lado, empresas de streaming entendem que limitações mais agressivas em recursos gratuitos podem acabar denegrindo a imagem dos serviços e, consequentemente, afastando potenciais usuários pagantes.

O reflexo desta queda de braço pode ser sentido no recente caso de Taylor Swift. A cantora proibiu a disponibilização do álbum 1989 no Spotify e, em seguida, retirou todo o seu acervo de músicas do serviço.

1989 no iTunes

1989 no iTunes

Para a artista, o Spotify não paga valores justos pelo licenciamento de suas músicas, daí a decisão. Mas a história parecer ter outras motivações: sua gravadora teria tentado fazer o álbum 1989 ser disponibilizado apenas aos assinantes pagantes, mas, temendo uma desestabilização em seu modelo de negócios, o Spotify não concordou.

Apesar da pressão da indústria fonográfica, não devemos esperar mudanças imediatas nos serviços de streaming. Na verdade, estas divergências apenas expõem com mais clareza um problema detectado há tempos: o modelo de assinaturas ainda não conseguiu provar que pode atender a todos os lados – usuários, artistas, gravadoras e plataformas de distribuição.

Podemos sim esperar longas, mas potencialmente produtivas conversas entre todas estas companhias ao longo dos próximos meses, afinal, o streaming de áudio, ainda que longe de resolver os problemas do segmento, permanece sendo a principal arma no combate à pirataria.

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