Se os planos da Airbus forem aprovados por agências reguladoras, em breve, aviões comerciais da companhia serão equipados com caixas-pretas ejetáveis e flutuantes. O objetivo é um tanto óbvio: facilitar a localização destes equipamentos em caso de acidentes aéreos.

Airbus A350

Airbus A350

Assim como na indústria automobilista (e em tantas outras), muitos dos mecanismos de segurança atuais da aviação comercial são “inspirados” em acidentes. Neste contexto, as caixas-pretas ajudam não só a elucidar uma tragédia como também a evitar que causas semelhantes derrubem outro avião.

Mesmo com uma dificuldade ou outra, as autoridades conseguem localizar as caixas-pretas da grande maioria dos aviões. Mas, em algumas situações, é extremamente difícil recuperá-las.

É o caso do voo 447 da Air France que, no final de maio de 2009, decolou do Rio de Janeiro para Paris. O avião, um Airbus 330, caiu no oceano, mas seus destroços só foram localizados quase dois anos depois.

Caixa-preta "laranja" - esta cor é usada para facilitar a localização visual

Caixa-preta “laranja” – esta cor é usada para facilitar a localização visual

O exemplo mais recente é o voo MH370. Em março de 2014, um Boeing 777-200 da Malaysia Airlines que partiu de Kuala Lumpur com destino a Pequim desapareceu com quase 240 pessoas a bordo. A aeronave não foi encontrada até hoje, muito menos suas caixas-pretas, obviamente.

É bastante provável que o avião esteja no fundo do mar. Se ao menos as caixas-pretas estivessem na superfície, as chances de localização da aeronave aumentariam consideravelmente.

As caixas-pretas que a Airbus pretende utilizar tornam este cenário possível. Estes equipamentos contam com mecanismos sensíveis a anormalidades que sugerem a ocorrência de um acidente e, nesta situação, se auto-ejetam. Muitas vezes, é a energia do próprio impacto que aciona a ejeção.

Na queda, uma espécie de “airbag” protege a caixa de impactos e, no mar, a impede de afundar. Na sequência, o equipamento emite um sinal com dados de sua localização que pode ser rastreado por satélite.

Não se trata de uma tecnologia nova. Caixas do tipo já estão presentes em vários aviões militares. O equipamento só não foi explorado antes na aviação civil porque, pelo menos até recentemente, vigorava o pensamento de que, como a maior parte dos acidentes acontece durante os procedimentos de decolagem ou aterrissagem, é mais fácil localizar as caixas-pretas.

Airbus A380

Airbus A380

A tecnologia funciona bem, mesmo assim, “alarmes falsos” podem acontecer. É por isso que há redundância: a aeronave é equipada com uma caixa ejetável e outra não. Se a primeira “pular” do avião, a segunda continua registrando as informações do voo.

Os primeiros aviões equipados com caixas ejetáveis devem ser os modelos A350 e A380. A Agência Europeia de Segurança Aérea já deu seu aval para o início dos testes. A Airbus não descarta a possibilidade de estender a ideia aos modelos A320 e A330.

Também há a possibilidade de o equipamento se tornar obrigatório, mas este é um processo de longo prazo. Uma das razões é a necessidade de alterações estruturais no avião para permitir a ejeção da caixa-preta.

Com informações: Financial Times

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Don Ramón

Bem, tomemos o caso do voo MH370 como referência. Este avião se perdeu porque, supostamente, voou para uma região onde não há cobertura de radar. Por melhores que sejam os radares, tanto em terra quanto das aeronaves, sua cobertura é sempre restrita, enquanto sistemas como GPS e Glonass oferecem cobertura global. O que se "sabe" sobre a localização deste voo, após ele fugir completamente à cobertura de radares civis e militares, são os "apertos de mão" (ou pings) transmitidos por receptores gps existentes nos motores do avião. Mas como tais pulsos ocorrem em intervalos de tempo consideráveis (a cada 15min), a rota da aeronave pode ter mudado depois do último "aperto de mão" e não ter sido captado por nenhum sistema antes do destino final do avião. O incrível é que sistemas de rastreamento por gps/glonass são relativamente baratos para serem implantados nas aeronaves civis e poderiam rastreá-las em qualquer lugar do globo, independente da cobertura de radar e da ação dos pilotos.

Edinho Kunzler
Bem, tomemos o caso do voo MH370 como referência. Este avião se perdeu porque, supostamente, voou para uma região onde não há cobertura de radar. Por melhores que sejam os radares, tanto em terra quanto das aeronaves, sua cobertura é sempre restrita, enquanto sistemas como GPS e Glonass oferecem cobertura global. O que se "sabe" sobre a localização deste voo, após ele fugir completamente à cobertura de radares civis e militares, são os "apertos de mão" (ou pings) transmitidos por receptores gps existentes nos motores do avião. Mas como tais pulsos ocorrem em intervalos de tempo consideráveis (a cada 15min), a rota da aeronave pode ter mudado depois do último "aperto de mão" e não ter sido captado por nenhum sistema antes do destino final do avião. O incrível é que sistemas de rastreamento por gps/glonass são relativamente baratos para serem implantados nas aeronaves civis e poderiam rastreá-las em qualquer lugar do globo, independente da cobertura de radar e da ação dos pilotos.
AIJ

Mas em tese o radar já deveria fazer isso. Se um avião, que não é um troço pequeno, se perde numa área, o que garantiria que a caixa preta não se perca? E é o sinal da caixa preta que deve ser enviado, logo, se o avião não se comunica mais, como garantir que a caixa preta se comunica? Há muitos aspectos técnicos que talvez nos fogem.

Américo Imianovski
Mas em tese o radar já deveria fazer isso. Se um avião, que não é um troço pequeno, se perde numa área, o que garantiria que a caixa preta não se perca? E é o sinal da caixa preta que deve ser enviado, logo, se o avião não se comunica mais, como garantir que a caixa preta se comunica? Há muitos aspectos técnicos que talvez nos fogem.
Don Ramón

Mas a ideia não é que funcione debaixo d'água, a quilômetros de profundidade. A ideia é que em caso de acidente, a última posição das caixas-pretas seja conhecida, com sua trajetória sendo rastreada durante todo o voo.

Edinho Kunzler
Mas a ideia não é que funcione debaixo d'água, a quilômetros de profundidade. A ideia é que em caso de acidente, a última posição das caixas-pretas seja conhecida, com sua trajetória sendo rastreada durante todo o voo.
AIJ

E adicionando, falha humana ou de máquina, ambas rendem indenização. O que só serve para a família como suporte, já que normalmente o passageiro está morto.

Américo Imianovski
E adicionando, falha humana ou de máquina, ambas rendem indenização. O que só serve para a família como suporte, já que normalmente o passageiro está morto.
AIJ

Acho (mas não tenho certeza) que sinais do satélite GPS não chegam a profundidades grandes. Talvez por isso a ideia não valha a pena.

Américo Imianovski
Acho (mas não tenho certeza) que sinais do satélite GPS não chegam a profundidades grandes. Talvez por isso a ideia não valha a pena.
AIJ

Mesmo com falha humana, o passageiro acidentado tem direito a indenização. Claro que toda empresa vai chiar... As de ônibus estão mais nessa situação do que de aviões, que se diga de passagem.

Américo Imianovski
Mesmo com falha humana, o passageiro acidentado tem direito a indenização. Claro que toda empresa vai chiar... As de ônibus estão mais nessa situação do que de aviões, que se diga de passagem.
DENYSON DE MARCO
pela quantidade que tem caido, dava pra colocar assentos ACES II para os passageiros tbm, ia ser muuuito bom
Dalmo Junior
os passageiros só tem valor na hora que pagam a passagem,o que acontece com elas depois não interessa e sim procurar falha humana pra não pagar indenização ,ou seja,a culpa é sempre do bucha do condutor/piloto que na maioria dos caos(you are died) não podem se defender.
Don Ramón

Não era mais fácil equipar as "caixas-pretas" atuais com transmissores de gps que não pudessem ser desativados? Tendo a última localização do avião conhecida, as "caixas-pretas "poderiam ser recuperadas muito mais rapidamente, mesmo que no fundo mar.

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