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Moto E (2ª geração): uma boa atualização, mas…

Smartphone de entrada da Motorola recebeu grandes melhorias, mas pecou no custo-benefício.
Nova geração do Moto E com conexão 4G custa entre 649 e 729 reais.

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4 anos atrás
Nota Final 7.7

O primeiro smartphone. É com essa ideia que a Motorola quer vender o Moto E, smartphone de entrada que chegou à segunda geração com importantes mudanças por dentro e por fora. Custando entre 569 e 729 reais, no entanto, ele mudou de faixa de preço e ganhou novas responsabilidades: antes um aparelho de baixo custo, o Moto E passou a ocupar parte do terreno do intermediário Moto G.

O que você perde ao economizar alguns reais em relação ao Moto G? A economia vale a pena? O Moto E é um bom smartphone para quem deseja fazer o básico? Depois de alguns dias usando o Moto E como meu smartphone principal, conto minhas impressões nos próximos parágrafos.

Design e tela

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Não fosse uma curiosa solução de design da Motorola, o Moto E apenas seguiria o formato padrão dos smartphones da fabricante de Chicago: uma traseira curvada, confortável de segurar; o logotipo da Motorola em baixo relevo, justamente no local onde apoiamos o dedo; a grade prateada ou acinzentada para o alto-falante, que divide opiniões; e componentes como câmera e conector do fone de ouvido centralizados.

Onde colocar o slot para os chips de operadoras e microSD? Em vez de manter a bateria removível, a Motorola tornou apenas a borda removível. A band, como é chamada, é uma moldura de plástico que envolve as laterais do Moto E e está disponível em três cores (preto, verde e roxo). É embaixo da band que estão localizadas as entradas e os contatos dos botões de volume e liga/desliga.

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Um inconveniente do Moto E é que as bordas em volta da tela continuam maiores que o desejável e a espessura está acima da média (12,3 mm). Entretanto, isso não é um problema tão sério em um smartphone com tela de 4,5 polegadas: a pegada está boa, e é possível alcançar todos os cantos sem fazer nenhum esforço. O único defeito fica por conta do impacto visual negativo.

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A tela aumentou de 4,3 para 4,5 polegadas, mas a resolução foi mantida em 960×540 pixels, com uma definição de 245 pixels por polegada. O display poderia ser mais brilhante, o ângulo de visão é apenas satisfatório e as cores possuem saturação na medida, embora possam parecer “lavadas”, dependendo das suas experiências anteriores. É uma tela excelente? Não. Mas está dentro do que esperamos para um aparelho básico, e não há nada muito melhor nessa faixa de preço.

O painel IPS LCD do Moto E é revestido com Gorilla Glass 3, para proteção maior contra arranhões. A Motorola também trouxe seu revestimento repelente a água para o smartphone de entrada. Em outras palavras, você não precisará se preocupar em usar o Moto E durante uma chuva leve, mas não poderá tomar banho com o aparelho ou usá-lo na piscina. De qualquer maneira, é bem provável que o revestimento evite um desastre maior caso aconteça algum desastre.

Software e multimídia

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Finalmente estamos vendo um smartphone com Android 5.0 Lollipop de fábrica (e justamente um aparelho de entrada). Não há nenhuma grande interferência no Lollipop por parte da Motorola: o launcher é o padrão, a central de notificações está intacta e há poucos aplicativos pré-instalados além dos que o Google coloca no Android, um fator que particularmente me agrada bastante — especialmente em aparelhos básicos, onde cada pedaço de armazenamento e processamento conta.

As boas adições ficam por conta de alguns recursos portados do Moto X. Com o Moto Tela, é possível visualizar prévias de notificações mesmo com o aparelho em standby: basta movimentar o Moto E e os sensores se encarregarão de ligar a tela, que exibirá o horário e os ícones dos aplicativos que possuem notificações não lidas. O útil movimento de abrir o aplicativo da câmera ao girar o pulso também chegou ao Moto E.

O fato do painel ser IPS LCD, não AMOLED, me deixou receoso quanto ao impacto na duração da bateria. É possível ver claramente que, ao exibir as notificações do Moto Tela, a tela inteira é ativada — em um painel AMOLED, apenas os pixels necessários são ligados, o que ajuda a economizar energia. No entanto, como você verá nos próximos parágrafos, a autonomia parece não ter sido afetada.

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Nas versões mais caras, o Moto E inclui o aplicativo de TV digital, que exige o fone de ouvido (ou um rabicho) conectado ao aparelho para sintonizar os canais. O aplicativo faz o básico: além de exibir os canais, mostra a grade de programação e permite gravar os programas, inclusive com agendamento. Infelizmente, a resolução da imagem é de 320×240 pixels (1-Seg), fazendo com que a definição fique muito aquém da desejada.

O padrão 1-Seg foi desenvolvido justamente para dispositivos móveis, então é compreensível que os fabricantes adotem essa tecnologia de baixa resolução. No entanto, como alguns concorrentes, como a Samsung, oferecem TV digital de alta definição mesmo em aparelhos mais simples, como o Galaxy Win 2, a Motorola poderia ter caprichado mais.

Como é de costume nos smartphones mais simples, o Moto E acompanha rádio FM. O aplicativo, que também exige um fone de ouvido conectado, deixa você salvar estações de rádio como favoritas e suporta RDS, para exibir o nome da música e outras informações na tela do aparelho. Tanto para ouvir música quanto para assistir a vídeos, o alto-falante fornece uma boa experiência, com volume alto e sem distorções.

Câmera

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Ok, chegamos a um ponto crítico. A primeira geração do Moto E tinha uma das piores câmeras que já havia visto em um smartphone, em parte por causa do foco fixo, que impossibilitava o usuário de fazer qualquer foto minimamente decente de objetos mais próximos da lente da câmera. E a segunda geração? Tenho sensações mistas.

O Moto E de 2ª geração subiu de nível no poder de processamento, mas continua sendo um smartphone básico em câmera. O sensor de 5 MP consegue capturar fotos com nível de definição e ruído razoáveis em ambientes com luz artificial. Quando a iluminação está mais prejudicada, o ruído aumenta significativamente e a velocidade do obturador fica muito baixa; é difícil não fazer uma foto tremida nessas condições.

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Mais uma vez, vale menção a ausência do flash LED na traseira do Moto E. Não é como se uma luzinha resolvesse o problema de uma câmera ruim, mas trata-se de uma economia muito estranha: quase todos os smartphones da mesma faixa de preço trazem o flash LED. É um componente que pode não melhorar as fotos, mas pelo menos serve como lanterna.

É o que tem para hoje

É o que tem para hoje

Nessa época da febre das selfies, a adição da câmera frontal foi muito bem-vinda. No entanto, o sensor é péssimo e captura apenas imagens com resolução VGA (640×480 pixels). O nível de detalhes da foto é muito baixo em razão do pesado pós-processamento por software para compensar os ruídos gerados pelo sensor. Dá para arriscar uma chamada em vídeo e até tirar uma selfie em baixa resolução para compartilhar com amigos no WhatsApp, mas nada mais que isso.

Hardware e bateria

Vamos com calma aqui: nem todo Moto E é igual. Duas versões estão disponíveis no mercado: o Moto E com 3G possui chip Snapdragon 200, enquanto o Moto E com 4G traz o novo Snapdragon 410. Eu não tive contato com o modelo mais simples, mas na teoria a diferença é relevante. O Snapdragon 200 é formado por quatro núcleos Cortex-A7 de 1,2 GHz e GPU Adreno 302, enquanto o Snapdragon 410 traz os modernos Cortex-A53 de 1,2 GHz (64 bits) e a nova Adreno 306.

Quão grande é a diferença do Cortex-A7 para o Cortex-A53? Quando a ARM divulgou o novo núcleo, os números davam conta de um aumento de 50% de desempenho nas mesmas condições e no mesmo processo de fabricação (na época, de 28 nanômetros). Portanto, mesmo custando menos que as versões com 4G, eu não recomendaria o Moto E com 3G para a maioria das pessoas — especialmente para quem está saindo do Moto E de 1ª geração, já que o ganho seria muito pequeno.

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Na teoria, o modelo testado do Moto E não faz feio. O Snapdragon 410, claro, é um chip superior ao Snapdragon 400 usado na maioria dos smartphones intermediários, alguns inclusive mais caros que o Moto E. Tanto em CPU quanto em GPU, o smartphone básico da Motorola se saiu muito bem nos benchmarks sintéticos, acima do irmão mais caro. Foram 13.888 pontos no Quadrant e 23.175 pontos no AnTuTu. O Moto G de 2ª geração alcançava 8.823 e 18.249, respectivamente.

Na prática, eu presenciei um pouco da sensação que tive com o Moto E de 1ª geração. O hardware está significativamente mais potente, mas o Android 5.0 Lollipop parece consumir bem mais recursos, ou talvez tenha havido algum problema de otimização por parte da Motorola.

Em aplicativos como Chrome e Facebook, as várias engasgadas nas animações podem incomodar e o desempenho do sistema parece piorar bastante após algumas horas de uso: os aplicativos começam a demorar para abrir, o launcher reinicia constantemente, as belas animações do Lollipop são exibidas com travadinhas chatas e a tarefa de alternar entre aplicativos expõe as limitações do hardware do Moto E.

Isso pode ser um sinal de que o Moto E veio com hardware mais poderoso que seu irmão Moto G porque, talvez, um processador mais modesto não daria conta de oferecer uma experiência minimamente decente com o Lollipop. Eu diria que o Moto E é suficiente para fazer o básico: dá para navegar no Facebook, responder a uma mensagem no WhatsApp e arriscar alguns jogos (Real Racing 3 e Dead Trigger rodam bem no Moto E, embora com qualidade gráfica apenas razoável), desde que você não seja muito exigente.

Real Racing 3: sem engasgos, mas com qualidade gráfica reduzida

Real Racing 3: sem engasgos, mas com qualidade gráfica reduzida

A bateria de 2.390 mAh dá conta do recado. Em um dia relativamente intenso, tirei o Moto E da tomada às 7h50, ouvi 1h10min de música por streaming no 4G, naveguei na web por 1h40min (entre emails, sites e redes sociais) e tirei cerca de dez fotos. O aparelho permaneceu com brilho no automático e 4G conectado durante todo o tempo. A tela ficou ligada por exatamente 1h54min. Às 23h50, o nível de bateria chegou a 33%.

O resumo da obra é que a bateria do Moto E provavelmente conseguirá durar um dia inteiro para boa parte dos usuários. Dependendo do uso, não duvido que a autonomia possa chegar a dois dias. É curioso saber que o Moto E é atualmente o smartphone com a segunda maior capacidade de bateria da Motorola — perde apenas do Moto Maxx, com os impressionantes 3.900 mAh.

Conclusão

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É difícil entender o posicionamento do Moto E na linha atual da Motorola, porque os preços acabam se confundindo com os do Moto G, de tão próximos. Vamos colocar isso no papel?

O Moto E é vendido nos seguintes modelos (os preços são os sugeridos pela Motorola e podem ser menores com as promoções do varejo):

  • 3G, 8 GB: R$ 569
  • 4G, 8 GB: R$ 649
  • 4G, 16 GB: R$ 699
  • 4G, 16 GB, TV digital: R$ 729

Já o Moto G está disponível nas seguintes variações (uma vantagem: por estar há mais tempo no mercado, o Moto G pode ser encontrado com descontos mais agressivos no varejo):

  • 3G, 8 GB: R$ 749
  • 3G, 16 GB, TV digital: R$ 849
  • 4G, 16 GB: R$ 929 (houve um aumento de preço nos últimos dias)

Em plano ano de 2015, eu recomendaria um smartphone com 16 GB de armazenamento interno para a maioria das pessoas, já considerando que o sistema operacional irá “roubar” três ou quatro gigabytes. O espaço restante é suficiente para instalar todos os aplicativos necessários, alguns jogos e uma pequena coleção de músicas, sem depender da velocidade mais lenta de um cartão de memória.

Considerando os modelos equivalentes, a economia do Moto E para o Moto G seria de R$ 120 no preço de tabela. Vale a pena? Mesmo com processador mais antigo e sem 4G na versão escolhida, o Moto G ainda traz um conjunto mais interessante: uma câmera traseira melhor, de 8 MP, com flash LED (e uma câmera frontal realmente útil); uma tela de 5 polegadas significativamente superior, com resolução de 1280×720 pixels; e um design mais caprichado, inclusive com alto-falantes duplos.

O novo Moto E, portanto, só é uma compra interessante se o dinheiro realmente estiver apertado ou se, no momento em que você estiver lendo esta análise, a diferença de preço para o Moto G for muito grande. Caso contrário, o Moto G ainda é uma compra mais inteligente.

Moto E (2ª geração)

PRÓS

  • Câmera é um belo avanço em relação à primeira geração
  • Longa duração de bateria
  • Tela com boa resolução

CONTRAS

  • Cadê o flash LED?
  • Engasgadas nas interfaces podem incomodar os mais exigentes
  • TV digital de baixa resolução
Nota Final 7.7
Design
8
Tela
7
Câmera
6
Desempenho
7
Software
9
Bateria
9
Conectividade
8

Especificações técnicas

  • Bateria: 2.390 mAh.
  • Câmera: 5 megapixels (traseira) e VGA (frontal).
  • Conectividade: 3G, 4G (opcional), Wi-Fi 802.11n, GPS, Bluetooth 4.0, USB 2.0, TV digital (opcional).
  • Dimensões: 129,9 x 66,8 x 12,3 mm.
  • GPU: Adreno 302 (3G) e Adreno 306 (4G).
  • Memória externa: suporte a cartão microSD de até 32 GB.
  • Memória interna: 8 GB ou 16 GB.
  • Memória RAM: 1 GB.
  • Peso: 145 gramas.
  • Plataforma: Android 5.0.2 (Lollipop).
  • Processador: quad-core Snapdragon 200 de 1,2 GHz (3G) ou quad-core Snapdragon 410 de 1,2 GHz (4G).
  • Sensores: acelerômetro, bússola, proximidade.
  • Tela: IPS LCD de 4,5 polegadas com resolução de 960×540 pixels e proteção Gorilla Glass 3.