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Como foi meu reencontro com Snake

"Embora seja pobre em termos de sonoplastia, a mágica do jogo se apresenta em forma tátil"

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"​​O conceito de tempo é extremamente relativo. O conceito de realidade é relativo. Já não me recordo quando foi a última vez em que me encontrei livre desta caixa, o que talvez nunca tenha acontecido. Eu sempre estive aqui, preso em meus próprios pensamentos - ou isso tudo começou há poucos segundos?

Luto para me manter vivo desde que acordei nesta sala (quarto? leito?), mas ainda não sei se me encontro desperto ou se vivo em um abstrato surreal. Rapidamente se torna mais difícil me proteger e manter o controle. A respiração aumenta de velocidade, tudo gira rápido, fica difícil me esconder. Me levanto, custo a conseguir me sustentar no chão. Aos poucos, os passos fluem, me arrasto rápido, sem responder por meu próprio corpo. Corro desembestado, desorientado tento não acertar as paredes. Sinto o frio dos tijolos e não consigo mais me levantar. O fim se anuncia."

Ei, você também, faz parte do meu rabãããão!

Lançado em 1987 e posteriormente adaptado para outras plataformas, Snake, que também responde por "jogo da cobrinha", leva os games a outro patamar. O aglutinado de pixels que aumenta de tamanho enquanto luta para não encostar nas paredes pode ter sido um verdadeiro divisor de águas da atual geração.

snake-celular

Em retrospecto: a serpente passa a não caber mais nas telas limitadas do clássico Baby, da Telesp Celular, fazendo com que a indústria da tecnologia móvel se desdobre para criar um novo gadget que comporte as necessidades do ofídio. Assim tem início a era do smartphone, que, mesmo com seus inúmeros modelos, jamais conseguiu fornecer a mesma experiência de jogo da consolidada coqueluche dos anos 2000. (podemos tirar se achar melhor)

Com sua engine desenvolvida para Blockade, o título une a bossa dos gráficos minimalistas à paleta chiaroscuro, sempre num tom retrô conceitual. A leveza da serpente se torna possível pela flexibilidade com que os pixels são programados, de modo que um não toque o outro sem que isso resulte em um game over prematuro - uma apreensão que certamente se responsabiliza pelo grande sucesso do jogo.

A jogabilidade é sofisticada e igualmente minimalista: a partir das setas direcionais do teclado de seu celular/laptop/controle remoto/geladeira, o jogador movimenta o bloco de pixels em busca de um ponto menor - um rato, visto que cobras se alimentam de ratos. Quando se alimenta, a cobra cresce, tornando-se uma linha reta cada vez mais longa e faminta. E esse é o grande plot do game: você vive para comer, mas morre se comer errado. Ao todo, cem ratos serão comidos até o fim da linha.

O que realmente chama atenção em Snake é a dificuldade do jogo. Não, não há fases de água, tampouco chefões. No título, seu maior inimigo é você mesmo, o que por vezes pode ser fonte de reflexões - é quase impossível vencer sua própria confusão mental./

Mate a cobra, mostre o pau

É bem verdade que Snake deixa, em termos de dificuldade, muito Ikaruga no chinelo. O desfecho da narrativa ficará em débito, já que não consegui terminá-lo. Entretanto, a despeito de minha incapacidade para lidar com as muitas curvas e reveses do réptil, um jogador russo conseguiu finalizar o jogo com uma brilhante estratégia, numa partida de tirar o fôlego que pode ser conferida a seguir (contém spoilers):

cobrinha_kotakubr01

Essa é a história da serpente que desceu do morro

Embora seja pobre em termos de sonoplastia, a mágica do jogo se apresenta em forma tátil: o único recurso recurso sensorial (além do visual, é claro) que Snake utiliza é a vibração do aparelho que o reproduz, na maioria das vezes advinda da própria bateria do celular. Comeu o rato? Vibra. Encostou na parede? Vibra. Comeu o próprio rabo? Vibra. E é nesse ritmo que seguimos enquanto acompanhamos o emocionante percurso da naja: vibrando de emoção.

Nota: 9 de 10

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Comentários com a maior pontuação

Fabio Lima
Sempre usei essa tática...
Fabio Vieira Lima
Sempre usei essa tática...
Thiago Amelotti Portela
hahaha... 20s de vídeo e já fiquei com a visão cansada.. hahaha
Lucas Carvalho
Me lembrei desse vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=NuyXx2n4AvQ
Leandro Nascimento
shit, 120 de score de primeira hahaha
Pedro Augusto
Saudades. Joguei muito isso enquanto esperava em filas na época do saudoso 3310.
Eduardo
Galera do Android, baixem o app Snake 97.
De nada.
"(podemos tirar se achar melhor)" foi ótimo. ehuehueheuhue