A Xiaomi chegou ao Brasil chacoalhando a concorrência. O Redmi 2, smartphone de estreia da fabricante, tem hardware de aparelho intermediário, mas preço de dispositivo de entrada. Para entregar tela HD, processador quad-core de 64 bits e conectividade 4G, a chinesa cobra R$ 499 — e faz os concorrentes parecerem caros. O que o Redmi 2 tem de bom? Eu fui dar uma olhada.

Para quem não conhece a MIUI, ligar o Redmi 2 pela primeira vez deve causar espanto. Praticamente nada ali lembra o Android original, tanto que a Xiaomi divulga o Redmi 2 como tendo “sistema MIUI 6“, não “Android 4.4“, como vemos nas outras fabricantes. Na verdade, com cores vibrantes, ícones quadrados, design flat e a falta do menu de aplicativos, a MIUI lembra mais o iOS do que qualquer outra coisa.

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Embora possa afastar os amantes de Android puro, a MIUI não é ruim: as interfaces são agradáveis e bem trabalhadas, e a Xiaomi adiciona ferramentas e recursos úteis, mas sem parecer bagunça ou gerar a sensação de que há muito bloatware, como ocorre no ZenUI da Asus, por exemplo. Além disso, o Snapdragon 410 quad-core de 1,2 GHz e a GPU Adreno 306 parecem lidar até bem com as inúmeras animações — a empresa destacou a questão de “aproveitar o hardware da melhor forma possível“, inclusive.

No software do Redmi 2 tem limpador de cache, importante num smartphone com 4,4 GB de armazenamento disponível para o usuário; modo de economia de energia; ajuste de temperatura e saturação da tela; e até um controverso antivírus sob demanda, que você provavelmente não usará caso baixe apenas aplicativos do Google Play (nada de Mi Market por aqui). Várias informações, como fotos e contatos, podem ser salvas na Mi Cloud, que oferece 5 GB de espaço.

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Um ponto decepcionante é o fato do Redmi 2 ter como base o Android 4.4, lançado em 2013. Quando questionado pela imprensa, Hugo Barra afirmou que ainda não há previsão de atualização para o Lollipop no mercado brasileiro. Mas, num aparelho com software tão modificado e integrado, isso acaba sendo pouco importante — até porque a MIUI é atualizada semanalmente com correções e novidades.

Contam a favor do Redmi 2 a conexão 4G nos dois chips, a gravação de vídeo em 1080p (o Moto G só filma em 720p), o suporte ao carregamento rápido da Qualcomm e a tela de alta definição, que a Xiaomi faz questão de comparar com a do iPhone 6. É uma pena que apenas a versão com 8 GB de armazenamento e 1 GB de RAM tenha chegado ao Brasil; lá fora, o Redmi 2 também possui uma variante com o dobro de espaço e 2 GB de RAM, que permitiria à Xiaomi competir diretamente com o Zenfone 5.

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O Redmi 2 é um aparelho que se mostra bem competente no primeiro contato. Vai dar certo? Não sei. A estratégia de vendas da Xiaomi é um pouco diferente do usual, e pode afastar o brasileiro médio que tem receio de fazer compras online, não possui cartão de crédito (a loja da Xiaomi não aceita o brasileiríssimo boleto bancário) e não está disposto a comprar um smartphone sem ter tido nenhum contato — o Redmi 2 não estará disponível em lojas físicas.

Fato é que, por R$ 499, hardware convincente e um software que não decepciona, eu vejo o Redmi 2 como um ataque direto à Motorola — e o pessoal de Chicago terá que caprichar muito num possível Moto G de 3ª geração para continuar surpreendendo o mercado, como havia feito em 2013, quando mudou totalmente o segmento de smartphones intermediários no Brasil.

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Notas relevantes

  • A única forma oficial de comprar o Redmi 2 é pelo site da Mi. Mas até a dinâmica é diferente: você precisa se inscrever num evento de vendas e comprar o aparelho na data e horário determinados, antes que o estoque acabe (no caso do Redmi 2, ao meio-dia de 7 de julho). É assim que a Xiaomi consegue vender uma quantidade gigante de aparelhos em questão de segundos.
  • A Xiaomi certamente enfrentará resistência por ser uma marca chinesa e pouco conhecida, mas tem uma enorme legião de fãs (os “Mi Fãs”) que lotaram o Theatro NET, em São Paulo, no evento de lançamento da marca no Brasil. A relação da Xiaomi com os fãs é bem forte, e a empresa chega a fazer eventos só para eles. Apesar da chinesa não investir muito em publicidade, o boca-a-boca favorece muito a companhia.
  • Embora eu acredite que o Redmi 2 tenha altíssimo potencial de sucesso no Brasil, não sei se a empresa dará conta de atender a demanda. Smartphones produzidos nacionalmente têm incentivos fiscais, que possibilitam os preços agressivos. Mas as primeiras unidades do Redmi 2 serão importadas enquanto a linha de produção brasileira se adapta. Será que tem aparelho para todo mundo?
  • Espera aí, mas e o Redmi Note, o primeiro aparelho da Xiaomi homologado na Anatel? Na conversa com a imprensa, Hugo Barra deu a entender que a empresa certificou o aparelho propositalmente no Brasil para gerar buzz, sabendo que o processo de homologação na Anatel é aberto ao público.
  • Hugo Barra deixou claro que a margem de lucro da Xiaomi é baixa. Isso também significa que, caso haja variação na cotação do dólar, a Xiaomi “não pode bancar mudança violenta no câmbio“ e poderá aumentar os preços. Por isso, embora o Redmi 2 esteja sendo lançado por R$ 499, não dá para saber se o valor continuará o mesmo nos próximos meses.

Nosso review completo do Redmi 2 será publicado em breve. O que vocês querem saber sobre ele?

Comentários

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Sergio Robaina

Hauahauahauahauahauahauahahauah ó rindo mesmo, amigo.

Willy Jaguaracy
o serviço de impressao do redmi2 nao funciona, toda vez que tento imprimir um documento vem a mensagem pra selecionar o serviço e nao consigo concluir
111 Pensieri

São também.

Giancarlo Centoundici
São também.
111 Pensieri

não, não permite.

Giancarlo Centoundici
não, não permite.
111 Pensieri

hum... e o post com review da xiaomi, o que tem a ver com isso???

Giancarlo Centoundici
hum... e o post com review da xiaomi, o que tem a ver com isso???
111 Pensieri

Povo aqui fala demais, como se fosse CEO da empresa, vão de embalo nas reviews sem conhecer coisa nenhuma de equipamento nem ter pego na mão, falam de marcas como se fossem determinar qual seria a melhor estratégia... tem gente que quase me convence que sabe do que está falando. Esquecem que neste país se trabalha pra ganhar dinheiro pra comprar um smartphone, ninguém troca semanalmente de aparelho por gosto.
Um carinha aqui passou 3 comentários discutindo comigo os defeitos da interface do Xiaomi, me convencendo do quanto é ruim, fraca e sem recursos de personalização. Observação: ele nunca viu um de perto nem na mão dele, enquanto eu respondia pelo meu mesmo. Muito embalo, pra pouca informação.
Sejam menos, colegas experts.

Giancarlo Centoundici
Povo aqui fala demais, como se fosse CEO da empresa, vão de embalo nas reviews sem conhecer coisa nenhuma de equipamento nem ter pego na mão, falam de marcas como se fossem determinar qual seria a melhor estratégia... tem gente que quase me convence que sabe do que está falando. Esquecem que neste país se trabalha pra ganhar dinheiro pra comprar um smartphone, ninguém troca semanalmente de aparelho por gosto. Um carinha aqui passou 3 comentários discutindo comigo os defeitos da interface do Xiaomi, me convencendo do quanto é ruim, fraca e sem recursos de personalização. Observação: ele nunca viu um de perto nem na mão dele, enquanto eu respondia pelo meu mesmo. Muito embalo, pra pouca informação. Sejam menos, colegas experts.
111 Pensieri

Concordo 100%, pensei em escrever algo, mas deu preguiça kkkkkk
Pq os mimimi vem justamente dos que sequer usam a câmera, mas são obcecados por especificações técnicas que impressionam. Alias, o mimimi vem daqueles que comentam e criticam todos os review que aparecem, mas pergunta se já compraram um ou puseram a mão pra saber se presta rsrsrs É fácil por defeito no que nunca se viu, indo só de embalo na opinião alheia. Estou digitando em um Redmi 2 :-)

Giancarlo Centoundici
Concordo 100%, pensei em escrever algo, mas deu preguiça kkkkkk Pq os mimimi vem justamente dos que sequer usam a câmera, mas são obcecados por especificações técnicas que impressionam. Alias, o mimimi vem daqueles que comentam e criticam todos os review que aparecem, mas pergunta se já compraram um ou puseram a mão pra saber se presta rsrsrs É fácil por defeito no que nunca se viu, indo só de embalo na opinião alheia. Estou digitando em um Redmi 2 :-)
111 Pensieri

MP realmente não é tudo. HDR faz diferença nesse caso. A não ser se for um fotógrafo que precise no seu trabalho pra isso... dai nem deveria ver isto num intermediário. Achei a câmera satisfatória. Gostei das cores.

Giancarlo Centoundici
MP realmente não é tudo. HDR faz diferença nesse caso. A não ser se for um fotógrafo que precise no seu trabalho pra isso... dai nem deveria ver isto num intermediário. Achei a câmera satisfatória. Gostei das cores.
111 Pensieri

Tudo é personalizável. Me adaptei rapidamente. Tô achando muito massa as telas girando na interface rsrsrs Miui flui bem.

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