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O que você precisa saber sobre SIM card e o futuro dos chips de operadoras

O futuro dos chips de operadoras é um mundo sem chips de operadoras

Lucas Braga Por

Se você mora no Brasil e possui um celular, já viu um pedaço de plástico com contatos metálicos dentro do seu aparelho. Trata-se do SIM card, o popular chip, vendido por operadoras como uma espécie de porta de entrada para os serviços da companhia.

Juntamente com a tecnologia GSM, os chips foram desenvolvidos pelo Instituto Europeu de Padrões de Telecomunicações (ETSI) e são atualmente utilizados por quase todas as operadoras de telefonia no mundo. Apesar de tão prático, os SIM cards devem sumir do mercado nos próximos anos. Isso é bom? Entenda mais sobre como funcionam os chips e por quê a chegada do e-SIM deve revolucionar o mercado de telefonia.

Um pouco de história

Se você não se lembra, a telefonia começou de forma analógica. Em meio a diferentes padrões criados por diferentes países que queriam privilegiar a indústria nacional, a tecnologia que mais se destacou e ganhou proporção mundial foi o AMPS. Celular era restrito apenas a serviço de voz: era impossível receber ou enviar mensagens, muito menos acessar a internet.

Motorola MicroTAC Elite, um sonho de consumo do início dos anos 90 (Foto: Reprodução/Vintage Cellular Mobile Phones)

Motorola MicroTAC Elite, um sonho de consumo do início dos anos 90 (Foto: Reprodução/Vintage Cellular Mobile Phones)

O caminho futuro foi o TDMA, tecnologia digital que trazia uma qualidade de chamada superior, suporte a SMS e até mesmo internet WAP, mas similar a uma conexão discada com velocidade máxima de 9,6 kb/s. Tanto AMPS como TDMA tinham problemas seríssimos de interferência e não eram seguros. Naquela época, existia a recomendação de não utilizar o celular em locais com alta quantidade de pessoas, como aeroportos, a fim de evitar clonagem de linha.

O mundo gira, e a tecnologia precisava evoluir. Existiam dois caminhos: o CDMA ou o GSM. O primeiro foi usado aqui no Brasil pela Vivo, e continua sendo adotado nos EUA por duas grandes operadoras. Os países europeus foram praticamente forçados a usar GSM, e o resto do mundo acabou seguindo o bonde por se tratar de um sistema economicamente mais vantajoso (a Qualcomm cobrava altos royalties para o uso de CDMA), totalmente digital e, principalmente, mais seguro, já que impedia clonagens.

O tal do chip

Foto: Petr Kratochvil

Foto: Petr Kratochvil

O SIM card nada mais é do que a identidade da sua linha telefônica. Com capacidade de até 128 kilobytes, eles têm capacidade para carregar até 250 contatos, um menu personalizado pela operadora para acesso a serviços, diversos mecanismos de segurança e, o mais importante, o IMSI (International Mobile Subscriber Identity). O IMSI é um número de até 15 dígitos que marca a identidade internacional da sua linha, contendo o país, operadora de origem e o número individual de uma linha para determinado SIM card.

A autenticação do IMSI com a torre da operadora consegue estabelecer que o usuário tenha acesso a sua própria linha, assim como como permite utilização roaming mantendo seu mesmo número. O fato do IMSI estar no SIM card e não no próprio dispositivo permite que você troque de aparelho rapidamente, bastando trocar o chip.

Atualmente, existem 3 tipos de SIM card em uso no mercado: Mini-SIM (2FF), Micro-SIM (3FF) e Nano-SIM (4FF). Antigamente também era utilizado o padrão 1FF, do tamanho de um cartão de crédito convencional que era inteiramente colocado dentro do celular. A expressão “celular de cartão” nunca fez tanto sentido.

O próximo passo: e-SIM

A GSM Association já discute sobre o e-SIM junto com Apple, Samsung e algumas operadoras mundiais. O modelo deve se basear em um SIM card embutido no aparelho, não permitindo que o usuário pudesse colocar seu chip físico convencional. Ao comprar um novo smartphone, o cliente poderia adicionar sua linha existente ou mesmo contratar o serviço de outra operadora diretamente na tela do aparelho.

Ainda existem várias dúvidas sobre como funcionaria o novo padrão, que deve ser formalizado até o próximo ano. Tudo aponta para que a novidade seja bastante animadora: com um SIM card virtual, seria possível mudar de operadora pelo próprio smartphone. Um turista poderia chegar a um país estrangeiro e contratar um plano pré-pago sem a necessidade de se dirigir a uma loja. Para quem possui mais de uma linha, a troca poderia ser feita com pouquíssimo esforço, apenas alterando uma opção nas configurações do celular.

Enquanto o padrão não existe, a Apple adotou uma solução bem prática: um SIM card da própria fabricante permite que o usuário escolha a operadora que deseja. Já em funcionamento no iPad Air 2 nos Estados Unidos e Reino Unido, o cliente pode trocar de companhia quando preferir.

Apple SIM (Foto: Zatz Not Funny)

Apple SIM (Foto: Zatz Not Funny)

Ainda assim, fica o medo de como isso poderia ser prejudicial ao consumidor. Dependendo da regulamentação do padrão e das agências reguladoras locais, as fabricantes poderiam se aproveitar e determinar quais as operadoras poderiam ser utilizadas nos seus dispositivos. A Apple mesmo tem dessas: a única forma de utilizar operadoras que não passaram pelo crivo da companhia (ou seja, várias operadoras virtuais) é comprando um smartphone desbloqueado e inserindo o SIM card. Se o sistema de cadastro do e-SIM não for padronizado para todas as fabricantes, consumidores seriam prejudicados por serem privados de escolher a operadora que preferir.

Em tempos de miniaturização, cada milímetro liberado é um avanço. Por menores que sejam os SIM cards atuais, um mecanismo que possibilite ejeção pode ocupar bastante espaço dentro do dispositivo. A adoção de componentes integrados na placa liberaria esse tipo de espaço para permitir que o equipamento seja mais fino ou mesmo ceder lugar para baterias.

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Danillo Nunes
Na verdade seu ponto já é uma linha que sempre vai até a central telefônica. Você teria apenas um ponto somente caso comprasse um aparelho telefônico e não contratasse os serviços de uma operadora. Quando você a contrata, você passa a ter uma linha (Breno-Central). Quando você quer falar com sua mãe, o operador da central telefônica vai ligar as linhas Breno-Central e Mãe-Central, por isso esse processo é chamado de ligação.
Lissandro
Pode ser uma solução mesmo ? veremos como vai rolar
Ismael Pini Gonzales
Desculpa por responder a um tópico tão antigo. Eu só estava pesquisando sobre e-SIM e acabei chegando nessa notícia... Em um primeiro momento me questionei bastante sobre como implementar uma tecnologia como essa de forma segura e creio que cheguei a uma conclusão satisfatória! Na minha opinião a melhor, e mais fácil, forma de fazer isso funcionar seria com um sistema de login/senha e manter um site de controle pela internet. Funcionaria como uma conta Google, você primeiramente se cadastra pela internet e quando comprar um aparelho compatível utiliza a conta para escolher a operadora. Qualquer alteração pediria login e senha (adicionar um número ou remover). Caso você perca o aparelho basta entrar no site e excluir a permissão daquele aparelho!
VG Vint
O whatsapp esta ai! Vamos ajudar acabar com estas operadoras que exploram com valores acima do limite! VAMOS AJUDAR WHATSAPP????
Lissandro
Mas se a pessoa rouba o celular da outra ela não vai precisar usar usuário e senha da outra pra ligar pra sabe-se-lá quem e gastar todo o meu crédito/franquia ou me dar uma bela conta no final do mês. Diferente da conta no banco que pra qualquer transação você precisa de usuário e -até- 3 senhas, dependendo do tipo de transação e/ou banco, mesmo fazendo pelo seu próprio PC/celular. E aí, quando o cara me roubou, nesse momento eu perco meu número? Eles teriam como bloquear o meu número SÓ naquele celular roubado, pra eu poder comprar um novo cel e manter o meu número (pelo IMEI, talvez, não sei muito bem dessas coisas)? (se tiver boas respostas para as perguntas, por favor) Se isso acontece hoje eu vou na "lojinha" da Tim/Claro/Vivo/Oi/Tchau e falo que roubaram meu celular, eles bloqueam o chip e me dão um novo com o mesmo número na hora (geralmente). Inclusive, se eu reaver meu ccelular, eu simplesmente colocaria o novo chip nele e pronto. Eu até entendo a praticidade de eu poder pegar o celular e adquirir um novo plano direto pelo aparelho, sem precisar ir na lojinha da operadora e ficar 30min só pra comprar um chip tal no plano X, mas não vejo como o e-sim pode ser realmente vantajoso para o usuário no caso de roubo/perda.
Roberto Caetano
Isso é fácil, qnd vc esta em uma região q tem lojas uma do lado da outra. Se vc esta em alguma região mais remota. Como passando o fds no campo, ou se esta no exterior ? Eu acho isso super valido. Ainda mais para quem viaja bastante. E tem que ficar pagando horrores de roaming. E pelo menos, vai acabar essa historia do povo que anda com 30 chips no carteira, e para cada pessoa q vai ligar, coloca um. Você usa bankline ? Ja roubaram o seu usuario e senha do bankline ? Então, só cuidar do usuario e senha da mesma forma. Q ninguém rouba. =)
Tales Cembraneli Dantas
Meu chip estragou uma vez, fui na loja e em 2 min já estava com um chip novo habilitado, Eu quero saber como vão garantir a segurança disso? como vai ser a identificação já que eu não preciso mais do chip? usuário e senha? como vou saber se ninguém roubou meus dados e agora esta usando meu número por ai, gastando minha franquia?
Tales Cembraneli Dantas
O que me preocupa nisso tudo é a segurança, tipo, se eu tenho um plano pós pago de uma operado, como vou habilitar este plano em um aparelho novo? e se for tão fácil assim, como vão garantir que alguém não habilite meu plano em um aparelho e faça ligações em meu nome ou use minha franquia de internet? Como vai ser a minha identificação no processo, será por usuário e senha? Não vejo tanto problema em ter um chip minusculo dentro do meu aparelho se eu souber que se ninguém roubar meu chip, posso ficar tranquilo quanto a segurança.
Daniel Teixeira
Eu não sabia que os pacotes de dados eram entregues usando transporte público, mas isso explica bastante sobre a velocidade de download do meu 3g
Emmanuel Carvalho
Levando em conta que os smartphones atuais não unem apenas dois pontos, mas diversos pontos simultaneamente e de maneiras diferentes (voz, vídeo e texto), o termo linha é esquisito mesmo...
Renato Oliveira
Com menos bateria,claro.
Breno
Mas o debate era "eu possuir uma linha telefônica". Isto n tá certo se fosse levar pra álgebra, pois algebricamente falando, eu possuo um ponto telefônico, minha mãe <3 possui outro ponto telefônico e faço uma linha no momento que ligo pra ela, formando a linha Breno-Mãe. :D
Breno
Sim, certíssimo! Sei bem do q tá falando! :D O que quis dizer no início é que usamos termos antigos, eles se tornam tão populares, a tecnologia muda e não nos damos conta de que o termo já n faz mais sentido.
Jedielson Almeida
Vc já deve ter ouvido a expressão que se 'muda a cor do capim, o burro morre de fome'? então, é isso. As pessoas trabalham com associação e costumes; pode tá escrito salvar, mas se antes tinha um botão com um ícone de disquete e depois não há, veja o caos se tornar.Exemplo disso são os ícones do Office. Lhe digo isso com propriedade 'empírica' haha trabalhei mais de ano com suporte, e mesmo quando mudava a paleta de cor ou apenas alguns pixels de tamanho de um botão, tinha gente que reclamava dizendo que não achava a opção.
Breno
Claro q os trabalhos continuam sendo feito. O que tô dizendo é que as atividades, tecnologias, objetos mudam, mas os nomes e representações deixam de fazer sentido, pois se referem a coisas q n fazemos mais. Voltando para o botão salvar, ainda hj é comum ver um disquete representando salvar, mas já n salvamos nada em disquetes há décadas. Outro exemplo é o Discar. Discar pra fulano se refere ao processo de girar o disco do telefone. E ainda assim muitos falam discar pra fulano.
Jedielson Almeida
o trabalho que antes era feito pela telefonista, hoje é feito pelos comutadores; então continua sendo linha, ao meu ver.
Nilberto Melo
Aí você tem o celular roubado, perde o chip, ou ele simplesmente estraga, e você tem q ir a uma loja da operadora enfrentar uma burocracia dos infernos pra conseguir recuperar o número
Alessandro Johnny
Porque? Porque ignorante? Porque essa tecnologia antiga tem que acabar? Pra mim é uma evolução que anda pra trás...
Matheus Siqueira Moreno
Quanta ignorância. Passou da hora de acabar com essa tecnologia antiga
shaolinmaru
Explique-me então as linhas de ônibus, metrô e trem, por gentileza.
David
Poxa, eu tive um micro tac elite que foi o meu primeiro celular lá pelos idos de 1998.
Daniel Teixeira
Pois estamos falando de telefonia, não de álgebra, amigo.
Breno
Realmente, pensando nessa abstração muda um pouco, pois tava me referindo ao processo de beeem antigamente. Ligava pra central e ela tinha q de fato ligar os pontos para realizar uma chamada. De qualquer forma, abstraindo uma chamada pra álgebra, penso q a "linha" seria uma chamada e que cada número é um ponto de telefone (e não uma linha). Onde cada usuário tem 1 ponto e na hora da chamada é feita a linha.
Wilson
O termo 'Linha telefônica' É e sempre será o correto amigo, em álgebra a única forma de se unir dois pontos é com um traço!
Alessandro Johnny
Espero que não dê certo. Dá pra fazer o que eles querem com os sim cards removíveis atuais, esse negócio de embutir é uma merda, vide bateria e microsd removido dos novos galaxys da Samsung, uma merda. E a Apple quer espaço pra deixar o telefone mais fino? Hahahaha.
abraaocaldas
"Já em funcionamento no iPad Air 2 nos Estados Unidos e Reino Unido, o cliente pode trocar de companhia quando preferir." Menos a AT&T, se você escolher ela não pode mais trocar.
Breno
Ótimo texto! Mas só agora me dei conta... assim o botão salvar ainda é um disquete, chamamos de 'linha' telefônica. Acredito que este termo já n faça mais sentido.