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O que você precisa saber sobre SIM card e o futuro dos chips de operadoras

O futuro dos chips de operadoras é um mundo sem chips de operadoras

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4 anos atrás

Se você mora no Brasil e possui um celular, já viu um pedaço de plástico com contatos metálicos dentro do seu aparelho. Trata-se do SIM card, o popular chip, vendido por operadoras como uma espécie de porta de entrada para os serviços da companhia.

Juntamente com a tecnologia GSM, os chips foram desenvolvidos pelo Instituto Europeu de Padrões de Telecomunicações (ETSI) e são atualmente utilizados por quase todas as operadoras de telefonia no mundo. Apesar de tão prático, os SIM cards devem sumir do mercado nos próximos anos. Isso é bom? Entenda mais sobre como funcionam os chips e por quê a chegada do e-SIM deve revolucionar o mercado de telefonia.

Um pouco de história

Se você não se lembra, a telefonia começou de forma analógica. Em meio a diferentes padrões criados por diferentes países que queriam privilegiar a indústria nacional, a tecnologia que mais se destacou e ganhou proporção mundial foi o AMPS. Celular era restrito apenas a serviço de voz: era impossível receber ou enviar mensagens, muito menos acessar a internet.

Motorola MicroTAC Elite, um sonho de consumo do início dos anos 90 (Foto: Reprodução/Vintage Cellular Mobile Phones)

Motorola MicroTAC Elite, um sonho de consumo do início dos anos 90 (Foto: Reprodução/Vintage Cellular Mobile Phones)

O caminho futuro foi o TDMA, tecnologia digital que trazia uma qualidade de chamada superior, suporte a SMS e até mesmo internet WAP, mas similar a uma conexão discada com velocidade máxima de 9,6 kb/s. Tanto AMPS como TDMA tinham problemas seríssimos de interferência e não eram seguros. Naquela época, existia a recomendação de não utilizar o celular em locais com alta quantidade de pessoas, como aeroportos, a fim de evitar clonagem de linha.

O mundo gira, e a tecnologia precisava evoluir. Existiam dois caminhos: o CDMA ou o GSM. O primeiro foi usado aqui no Brasil pela Vivo, e continua sendo adotado nos EUA por duas grandes operadoras. Os países europeus foram praticamente forçados a usar GSM, e o resto do mundo acabou seguindo o bonde por se tratar de um sistema economicamente mais vantajoso (a Qualcomm cobrava altos royalties para o uso de CDMA), totalmente digital e, principalmente, mais seguro, já que impedia clonagens.

O tal do chip

Foto: Petr Kratochvil

Foto: Petr Kratochvil

O SIM card nada mais é do que a identidade da sua linha telefônica. Com capacidade de até 128 kilobytes, eles têm capacidade para carregar até 250 contatos, um menu personalizado pela operadora para acesso a serviços, diversos mecanismos de segurança e, o mais importante, o IMSI (International Mobile Subscriber Identity). O IMSI é um número de até 15 dígitos que marca a identidade internacional da sua linha, contendo o país, operadora de origem e o número individual de uma linha para determinado SIM card.

A autenticação do IMSI com a torre da operadora consegue estabelecer que o usuário tenha acesso a sua própria linha, assim como como permite utilização roaming mantendo seu mesmo número. O fato do IMSI estar no SIM card e não no próprio dispositivo permite que você troque de aparelho rapidamente, bastando trocar o chip.

Atualmente, existem 3 tipos de SIM card em uso no mercado: Mini-SIM (2FF), Micro-SIM (3FF) e Nano-SIM (4FF). Antigamente também era utilizado o padrão 1FF, do tamanho de um cartão de crédito convencional que era inteiramente colocado dentro do celular. A expressão “celular de cartão” nunca fez tanto sentido.

O próximo passo: e-SIM

A GSM Association já discute sobre o e-SIM junto com Apple, Samsung e algumas operadoras mundiais. O modelo deve se basear em um SIM card embutido no aparelho, não permitindo que o usuário pudesse colocar seu chip físico convencional. Ao comprar um novo smartphone, o cliente poderia adicionar sua linha existente ou mesmo contratar o serviço de outra operadora diretamente na tela do aparelho.

Ainda existem várias dúvidas sobre como funcionaria o novo padrão, que deve ser formalizado até o próximo ano. Tudo aponta para que a novidade seja bastante animadora: com um SIM card virtual, seria possível mudar de operadora pelo próprio smartphone. Um turista poderia chegar a um país estrangeiro e contratar um plano pré-pago sem a necessidade de se dirigir a uma loja. Para quem possui mais de uma linha, a troca poderia ser feita com pouquíssimo esforço, apenas alterando uma opção nas configurações do celular.

Enquanto o padrão não existe, a Apple adotou uma solução bem prática: um SIM card da própria fabricante permite que o usuário escolha a operadora que deseja. Já em funcionamento no iPad Air 2 nos Estados Unidos e Reino Unido, o cliente pode trocar de companhia quando preferir.

Apple SIM (Foto: Zatz Not Funny)

Apple SIM (Foto: Zatz Not Funny)

Ainda assim, fica o medo de como isso poderia ser prejudicial ao consumidor. Dependendo da regulamentação do padrão e das agências reguladoras locais, as fabricantes poderiam se aproveitar e determinar quais as operadoras poderiam ser utilizadas nos seus dispositivos. A Apple mesmo tem dessas: a única forma de utilizar operadoras que não passaram pelo crivo da companhia (ou seja, várias operadoras virtuais) é comprando um smartphone desbloqueado e inserindo o SIM card. Se o sistema de cadastro do e-SIM não for padronizado para todas as fabricantes, consumidores seriam prejudicados por serem privados de escolher a operadora que preferir.

Em tempos de miniaturização, cada milímetro liberado é um avanço. Por menores que sejam os SIM cards atuais, um mecanismo que possibilite ejeção pode ocupar bastante espaço dentro do dispositivo. A adoção de componentes integrados na placa liberaria esse tipo de espaço para permitir que o equipamento seja mais fino ou mesmo ceder lugar para baterias.

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