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USP e Scania apresentam caminhão com controle autônomo desenvolvido no Brasil

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4 anos atrás

Vez ou outra falamos de carros autônomos por aqui. Normalmente, esses projetos são conduzidos por organizações estrangeiras, mas aqui no Brasil também há trabalhos interessantes nessa área. A USP é um exemplo: em parceria com a Scania, pesquisadores da instituição desenvolveram um controle autônomo para caminhões.

Caminhão autônomo - USP e Scania

O projeto vem sendo desenvolvido há cerca de dois anos e tem custo estimado em R$ 1,2 milhão. Os esforços valeram a pena: o protótipo — um caminhão Scania G360 6×4 — já circula pelo campus 2 da USP, em São Carlos (SP).

Vários dispositivos foram incorporados ao veículo para possibilitar a direção autônoma, entre eles, pequenos motores que atuam no volante, um circuito que controla o acelerador e um computador que analisa dados de sensores e do sistema do caminhão para definir a próxima ação (acelerar, frear, fazer uma curva e assim por diante).

 Caminhão autônomo - USP e Scania

“Substituímos os pés e as mãos do motorista por sistemas de atuação mecânica e eletrônica”

“Substituímos os pés e as mãos do motorista por sistemas de atuação mecânica e eletrônica. Depois, colocamos sensores para que atuassem como os olhos e os demais sentidos dos seres humanos”, comenta Denis Wolf, professor do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP e um dos líderes do projeto.

Wolf destaca que um dos desafios da equipe foi desenvolver um sistema seguro, mas que, ao mesmo tempo, se baseasse em recursos de baixo custo. Por conta disso, os pesquisadores deixaram de usar sensores a laser (mais caros) e optaram por radares combinados com câmeras instaladas na frente do caminhão, por exemplo. Esses equipamentos atuam como olhos humanos: identificam formas, calculam profundidade e por aí vai. GPS e sensores que detectam movimentos bruscos do volante complementam o pacote.

 Caminhão autônomo - USP e Scania

A instalação de todos os artefatos dá trabalho, mas o que desafia mesmo os pesquisadores é o desenvolvimento do software capaz de interpretar — em tempo real — as informações oriundas dos sensores. “As câmeras registram apenas cores, precisamos criar programas extremamente complexos para interpretar se o que está naquela imagem é um carro, uma pessoa, uma árvore ou a rua”, completa Wolf.

Desde 2014, o trabalho dos pesquisadores está focado no aperfeiçoamento desse sistema. São esforços que podem levar bastante tempo, afinal, além do controle autônomo, é necessário considerar o peso do veículo quando há carga, como fazer curvas de maneira suave e segura, entre outras variáveis.

 Caminhão autônomo - USP e Scania

Segundo a USP, os testes são feitos com base em um rigoroso protocolo de segurança. Há, por exemplo, um pedal de freio em frente ao assento do passageiro para que alguém da equipe possa parar o veículo em situações de emergência. Além disso, um simulador é usado antes da realização de determinados testes no caminhão.

Esse é o início do fim da função de motorista? A princípio, não. Segundo os pesquisadores, o sistema autônomo deve atuar em rotas predefinidas para aumentar a produtividade e a segurança de operações de transporte. O motorista vai dentro da cabine e assume a direção, por exemplo, quando o caminhão entra em uma área com trânsito mais carregado.