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Seagate Wireless: um HD externo sem fios para seu smartphone e tablet

Paulo Higa Por

Você se lembra do Seagate Wireless Plus? Era um HD externo com uma característica muito peculiar: ele tinha bateria integrada e podia ser acessado a partir de smartphones e tablets, sem precisar de nenhum cabo. Recentemente, a Seagate trouxe um novo modelo ao país: o Seagate Wireless, mais simples e com um design menos sério, cheio de curvas.

O que ele tem de bom? Vale a pena comprar um? Eu te conto neste breve review.

O que é isso?

Ok, mas para que serve um HD externo sem fios? Basicamente, para levar grandes quantidades de dados com você, como músicas, vídeos e fotos, sem precisar se preocupar com a forma que você irá acessá-lo. Tem um computador, TV por perto? Tudo bem: o produto tem um cabo USB 2.0 e funcionará como um HD externo comum. Está só com o smartphone ou tablet, longe de casa, em uma viagem longa? É aí que o produto se torna realmente útil.

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O Seagate Wireless tem capacidade de 500 GB e possui uma bateria interna que dura até seis horas. Quando ligado, ele abre uma rede Wi-Fi, que pode ser protegida com senha, para você acessar o conteúdo. Os dados estarão disponíveis no aplicativo Seagate Media, disponível para iPhone, iPad, smartphones e tablets Android e computadores e tablets com Windows.

O funcionamento é o mais simples possível. Para transferir arquivos, conecte o Seagate Wireless a um computador com o cabo USB 2.0 incluso na caixa e arraste tudo para o drive. Para ler os dados sem usar fios, conecte-se à rede Wi-Fi criada pelo Seagate Wireless e use o aplicativo Seagate Media, que tratará de fazer a conexão rapidamente.

O que é legal?

O Seagate Media é o mesmo aplicativo usado para os outros produtos da marca, como o antigo Seagate Wireless Plus e os NASes Seagate Central e Personal Cloud. Ele tem melhorado a cada versão: a atual traz uma interface bem limpa, os recursos estão fáceis de serem encontrados e as informações são bem visíveis — basta um toque no menu para ver rapidamente quantos usuários estão conectados ao HD e o nível de bateria.

Um dos recursos do Seagate Media é o upload automático de fotos para o Seagate Wireless, que funciona de maneira bastante semelhante aos recursos de backup do Dropbox ou OneDrive, com o diferencial de não precisar de conexão à internet. Depois de copiar as fotos, dá para ordená-las por álbum ou foto, o que não é tão poderoso quanto a busca do Google Fotos, mas já facilita bastante na hora de procurar uma imagem específica.

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Como é necessário entrar na rede do Seagate Wireless no seu dispositivo móvel, você ficaria sem acesso à internet se a Seagate não tivesse implantado o recurso de repetidor — na primeira vez em que você se conectar ao Seagate Wireless pelo aplicativo, o Seagate Media já lista as redes sem fio disponíveis no local e permite que você se conecte a uma delas. Nesse caso, seus dados passarão pelo HD externo e então irão para o roteador antes de chegarem à internet.

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Uma boa novidade do Seagate Wireless em relação ao Wireless Plus é que agora você só precisa carregar um cabo: Micro USB. Ele pode ser usado tanto para transferir os dados quanto para recarregar a bateria; não é mais necessária uma fonte de alimentação e um cabo específico só para isso. Trata-se de um cabo extremamente comum, que provavelmente é usado também no seu smartphone ou tablet, então talvez você não precise carregar nenhum cabo adicional, mesmo.

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O que não é legal?

Fica claro, pelo design do produto, que o Seagate Wireless é um HD externo mais jovem, mais simples e tudo mais. No entanto, é difícil engolir os downgrades que a Seagate fez em relação ao Seagate Wireless Plus, que foi lançado em 2013, há mais de dois anos.

Ok, é legal poder usar um cabo único para copiar arquivos e recarregar a bateria, mas isso limita bastante as taxas de transferência. Conectado ao computador com o cabo USB, consegui apenas 25 MB/s de leitura e 23 MB/s de escrita, bem menos que qualquer HD externo com USB 3.0 que você encontra por aí — o Seagate Expansion Portable Drive, por exemplo, chega a 109 MB/s de leitura e 107 MB/s de escrita.

É claro que o HD que está dentro do Seagate Wireless suporta velocidades mais altas, portanto, fica a sensação de que o USB 2.0 está sendo um gargalo bem inconveniente — e cria uma experiência de uso ruim para quem estiver com pressa, precisando apenas copiar seus arquivos antes de uma viagem. Talvez o problema possa ser resolvido em uma geração futura, com USB 3.1, quem sabe? Mas não foi dessa vez.

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A experiência de streaming de conteúdo também foi um pouco decepcionante. Músicas e fotos, claro, funcionaram da maneira esperada, com reprodução e exibição quase imediata. No entanto, enquanto no Wireless Plus eu relatei que consegui assistir a um filme em 1080p de alto bitrate sem travar, no Wireless houve algumas engasgadas pontuais em arquivos 1080p menores. Vídeos em 720p rodaram bem, mas ainda assim há uma limitação importante de desempenho aqui.

Também é difícil entender a estratégia de mercado da Seagate. No Brasil, o Seagate Wireless é vendido por preços de R$ 840 a R$ 1.080. Por sua vez, o Seagate Wireless Plus, que é mais antigo, mas possui o dobro da capacidade (1 TB) e algumas vantagens que mencionei nos parágrafos anteriores, está disponível no varejo por valores a partir de R$ 629.

Vale?

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A proposta do Seagate Wireless é muito bacana. Com ele, se você tiver uma viagem de avião muito longa e não quiser depender do sistema de entretenimento a bordo da aeronave (ou de ônibus, onde raramente haverá outra alternativa), pode levar os arquivos que você quiser sem se preocupar muito com o espaço; 500 GB é bem mais do que o oferecido por qualquer smartphone ou tablet disponível no mercado.

Além disso, o HD pode servir como um repositório de arquivos que você não acessa com tanta frequência e que não fazem sentido ocupar espaço no seu dispositivo móvel, como fotos antigas para mostrar para a família, por exemplo. É um HD muito fácil de usar e que pode guardar bastante coisa, para ser acessado a qualquer momento, em qualquer lugar, em qualquer dispositivo.

No entanto, as pequenas deficiências somadas não ajudam a tornar o Seagate Wireless um produto realmente interessante, especialmente pelo valor que a Seagate está cobrando — em tempos de HDs externos de 1 TB custando menos de 300 reais, fica difícil vender algo com a metade da capacidade e o triplo do preço com um apelo que, no final das contas, é restrito a um público bem pequeno.

Se você realmente gosta da funcionalidade do Seagate Wireless, minha recomendação é adquirir o modelo antigo, o Seagate Wireless Plus (enquanto o estoque durar, pelo menos). Caso contrário, não há muitos motivos para comprar um. Talvez numa próxima geração, quem sabe?

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