levetiracetam

A indústria farmacêutica e os que dependem dela estão passando por um momento importante: pela primeira vez na história, a Food and Drug Administration (FDA), órgão norte-americano semelhante à nossa Anvisa, aprovou a comercialização de um medicamento produzido por uma impressora 3D. O Spritam, da Aprecia Pharmaceuticals, age para controlar convulsões causadas pela epilepsia em adultos e crianças.

As impressoras 3D trazem algumas vantagens na produção de medicamentos. Devido à forma como elas funcionam, depositando o material do remédio camada por camada até formar o comprimido, é possível encapsular a droga em dosagens bastante precisas em um comprimido menor que o normal, tornando o remédio mais fácil de ser ingerido.

Isso é importante, por exemplo, para pessoas que sofrem de epilepsia, uma doença que afeta 3 milhões de brasileiros e ainda não tem cura, mas que pode ser controlada com medicamentos, como o levetiracetam. O problema é que os remédios disponíveis hoje são desconfortáveis para serem ingeridos, por serem grandes demais. Hannah Rose Mendoza conta sua história no 3DPrint:

“Como uma pessoa que sofre de convulsões e precisa de tratamento contínuo com levetiracetam, posso dizer que acho bem-vindo esse tipo de medicação. As pílulas que eu tomo, de 500 mg cada, são grandes o suficiente para serem desconfortáveis para engolir. Algumas vezes eu tive que cuspir a pílula enquanto estava asfixiada e, cada vez que eu a tomo, há uma sensação de pânico”.

Com o tempo, por causa da dificuldade de ingerir a droga, os pacientes acabam “esquecendo” de tomá-la em algum momento (e isso acontece com 71% das pessoas), prejudicando o tratamento. Vale lembrar que Hannah é uma pessoa adulta e mesmo assim tem dificuldade de ingerir o medicamento. Some isso com o fato de que 50% dos casos de epilepsia têm início na infância e adolescência e note que a questão é bem complicada.

A tecnologia da Aprecia Pharmaceuticals, chamada ZipDose, pode produzir comprimidos de levetiracetam de até 1.000 mg tão pequenos quanto a sua aspirina, o que deverá facilitar o consumo. Também é possível fabricar comprimidos que se dissolvem rapidamente em água — bem mais rápido que uma droga convencional, como você pode perceber no vídeo abaixo:

Por isso, com a tecnologia usada nas impressoras 3D, é possível combinar o melhor de dois mundos: a facilidade de deglutição das drogas líquidas e a precisão de dosagem dos comprimidos. A Aprecia Pharmaceuticals já anunciou que pretende desenvolver mais medicamentos em impressoras 3D. Não deve demorar para que outras empresas façam o mesmo, espero.

Tecnocast: o futuro em 3D

Nós batemos um papo descontraído sobre as impressoras 3D e como elas podem revolucionar a forma como produzimos e consumimos produtos. Esses equipamentos geram tantas implicações que fica até difícil imaginar o que é possível fazer com a tecnologia. Dê o play logo abaixo!

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X-Tudãoᴳᴼᵀ

O pior é que muitos remédios não podem ser descartados pois é prejudicial ao meio ambiente, mas pelo menos pode ser doado, me lembro de uma campanha na minha universidade de doação de remédios estava pedindo também remédios vencidos ou avariados alertando que muitos remédios podem ser contaminantes se descartados no lixo comum.

Supersonic
O pior é que muitos remédios não podem ser descartados pois é prejudicial ao meio ambiente, mas pelo menos pode ser doado, me lembro de uma campanha na minha universidade de doação de remédios estava pedindo também remédios vencidos ou avariados alertando que muitos remédios podem ser contaminantes se descartados no lixo comum.
Jairo ☠️

Realmente....cada vez mais as impressoras 3D me impressionam....positivamente.

jairo
Realmente....cada vez mais as impressoras 3D me impressionam....positivamente.
Trovalds
Uma pena que isso só funcione nos países desenvolvidos. Aqui sequer podemos comprar medicamentos nas doses indicadas e quantidades que os médicos prescrevem... Explicando: aqui nossos medicamentos são vendidos em embalagens com N comprimidos, N mL, etc, em quantidades fixas e quando há a prescrição geralmente tu acaba com medicamento sem tomar porque sobra. Teve uma resolução da ANVISA que obriga as drogarias a vender somente a quantidade prescrita, mas isso esbarraria em violar e cortar embalagens. Nas gringas, medicamentos prescritos são vendidos às drogarias em embalagens grandes, tipo 1000 cápsulas, daí conforme a prescrição o farmacêutico (ou profissional responsável por isso lá) coloca apenas a quantidade prescrita pelo médico na embalagem.