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LG G4: o grande acerto da LG

Com câmeras de altíssima qualidade e tela impecável, flagship da LG é um bom candidato a ocupar o seu bolso

Paulo Higa Por
Nota Final 9

O segmento de smartphones topo de linha nunca esteve tão bem servido. A Samsung abandonou o criticado acabamento de plástico e mostrou um belo design na linha Galaxy S6. A Apple se curvou ao mercado e passou a oferecer telas maiores nos iPhones. A Motorola finalmente está prometendo câmeras boas em seus aparelhos. É nesse momento que a LG tentará conquistar o público com o G4, sucessor do elogiado G3.

A nova geração do flagship da LG traz alguns upgrades no poder de processamento, mas foca especialmente na qualidade das câmeras, com sensor de 8 megapixels na frontal e uma ainda incomum lente de abertura f/1,8 na traseira. A sul-coreana também atualizou a tela levemente curvada de 5,5 polegadas e está usando o novo processador hexa-core Snapdragon 808.

Como o G4 se sai no uso diário? Eu te conto nos próximos parágrafos.

Design e tela

Tive acesso a duas unidades do G4. A primeira, em meados de junho, com design de plástico. A segunda, na última semana, com acabamento de couro. Na prática, a diferença entre as versões é pequena, porque apenas a tampa traseira é alterada. Não há nenhuma sofisticação adicional no resto da carcaça do smartphone de couro, o que não impediu a LG de cobrar 100 reais a mais por esse pequeno diferencial.

Embora a tela de 5,5 polegadas esteja acima do que julgo confortável para manuseá-lo com uma mão, a LG fez um bom trabalho em reduzir ao máximo a moldura em torno do display, o que deixa a pegada menos desconfortável — mas não quer dizer que seja boa; é um retrocesso em relação ao G3 e G2, que eram mais estreitos e agradáveis de segurar.

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O G4 segue o conceito que estamos vendo desde o G2: não há nenhum botão liga/desliga ou controle de volume na lateral, apenas na traseira. É uma abordagem que gosto bastante, já que meus dedos ficam naturalmente nesse local; isso também ajuda no momento de ajustar o volume enquanto o smartphone estiver no bolso da calça. Claro que o software também colabora: se o aparelho estiver sobre uma mesa, com os botões inacessíveis, basta dar dois toques rápidos e a tela será ligada.

Mas, embora o acabamento do G4 não seja particularmente ruim, na geração atual a LG ficou atrás de Samsung e Apple, que adotaram materiais mais sofisticados em seus flagships. A versão de plástico do G4, certamente a mais vendida pelo preço inferior e maior disponibilidade, é apenas medíocre (no sentido original da palavra) e uma baixa em relação ao G3, que trazia um elegante acabamento lembrando aço escovado. O design da LG na época do Optimus G me agradava mais.

Ao retirar a tampa traseira, vemos a bateria removível de 2.900 mAh, um slot para o Micro-SIM da operadora e uma importantíssima entrada para microSD. É legal ver que a LG ainda se preocupa com essa questão, já que até a rival Samsung deixou de lado a expansão de memória no Galaxy S6. Para quem faz questão de carregar muitas músicas e vídeos no smartphone, o G4 ainda é uma das poucas opções que restam no mercado.

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A tela, um componente que sempre elogiei nos aparelhos mais caros da LG, continua excepcional. O G4 possui a melhor tela LCD de smartphone que já passou pelas minhas mãos, com ângulo de visão impecável, nível de preto excelente dentro das limitações da tecnologia e brilho e cores mais vivas que no G3, mas sem exagerar na saturação. A definição, em um display de 5,5 polegadas com resolução de 2560×1440 pixels, dispensa comentários adicionais.

No G4, a LG adotou uma nova tecnologia chamada IPS Quantum Display, que promete cores mais fiéis de acordo com os padrões do Digital Cinema Initiatives (DCI), um grupo formado por estúdios de cinema; e melhorias físicas no painel, que passou a combinar sensor de toque e LCD em camada única pela primeira vez numa tela Quad HD. Deu certo? Aparentemente, sim.

Software

Eu nunca fui um grande fã do software da LG, e a nova UX 4.0 faz pouca coisa para mudar essa opinião. A interface está muito parecida com a anterior, mas melhor adaptada ao Material Design do Android 5.1 Lollipop. Mesmo assim, ainda há os ícones quadrados de cantos retos que contrastam com os de outros aplicativos e os recursos que não funcionam a contento.

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Ao deslizar o dedo para a direita na tela inicial do launcher da LG, não é mostrado o Google Now, mas o Smart Bulletin. Essa tela mostra alguns recursos da LG, como LG Health (aplicativo de saúde) e Smart Tips (dicas de como usar algumas funções), além do player de música e calendário. Ele só faria algum sentido se adicionasse algo em relação ao Google Now, ou fosse melhor em alguma coisa. Mas é apenas um bloatware que parece ter sido feito para não deixar os desenvolvedores da empresa ociosos.

Há um recurso chamado Janela Dupla, que permite o uso de dois aplicativos ao mesmo tempo, dividindo a tela grande de 5,5 polegadas. Assim como nos smartphones anteriores da LG, esse recurso continua ruim: há suporte a poucos aplicativos (os nativos, desenvolvidos por Google e LG), que são exibidos em uma grade pré-definida.

As intenções da LG em desenvolver alguns diferenciais no Android parecem ser boas, mas a execução é ruim. Há inconsistências de design por todo lado, diferenciais que seriam bons no papel e na prática não funcionam como deveriam, recursos que parecem inacabados. Esses problemas permanecem na LG há anos, desde que os Androids da marca se chamavam Optimus e, enquanto Samsung e Motorola aprimoraram significativamente seus softwares, não houve grandes avanços na LG.

Câmera

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Depois de criticar o software da LG, vale uma pausa para elogiar… o software. Mais especificamente o aplicativo da câmera, que consegue agradar a todo mundo. No modo simples, parecido com o que vemos na Motorola, basta tocar na tela para tirar a foto e usar gestos para alternar entre câmeras. O modo básico adiciona alguns atalhos para configurar o HDR, flash e temporizador. E o modo manual, o mais bacana de todos, permite configurar tudo, incluindo ISO e velocidade do obturador.

O modo manual não será usado por muitas pessoas, mas é ótimo para quem gosta de ter controle maior sobre a imagem e possui algum conhecimento técnico em fotografia. É possível ajustar, de maneira fina, balanço de branco (em Kelvin), distância de foco, ISO (de 50 a 2700) e tempo de exposição (de 1/6000 a 30 segundos). Na parte superior, há um histograma e até um fotômetro. Lembra bastante o aplicativo de câmera dos Lumias — só que mais rápido e muito melhor. Em um smartphone com lente f/1,8, ter tanto controle sobre a foto é sensacional. Ponto para a LG.

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Mas, para quem deseja apenas tirar fotos e não quer lidar com o modo manual, o G4 não decepcionará — muito pelo contrário. A câmera consegue reproduzir cores que agradam e mantém um nível de definição das imagens bem impressionante para um smartphone. As fotos noturnas e em ambientes internos também ficam acima da média, provavelmente ajudadas pela lente de grande abertura.

Abaixo você confere algumas fotos de teste:

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A câmera frontal, com sensor de 8 megapixels, também fica acima da média. Na minha selfie (em modo paisagem e com um monte de objetos atrás para avaliar melhor a definição do sensor) dá para ver claramente as teclas do teclado do notebook e outros pequenos itens, o que era impensável para uma câmera frontal até algum tempo atrás:

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Se você procura um smartphone e faz questão de câmera boa, certamente ficará bastante satisfeito com o G4.

Hardware e bateria

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A LG gerou uma pequena sensação negativa no lançamento do G4 pelo uso do Snapdragon 808, um processador hexa-core da Qualcomm, com dois núcleos Cortex-A57 de 1,82 GHz e quatro Cortex-A53 de 1,44 GHz. É um dos melhores chips do mercado, mas essa característica foi estranha porque o G Flex 2 já vinha com Snapdragon 810, que está um patamar acima.

O que isso muda na prática? Pouca coisa. Nos benchmarks sintéticos, há alguma perda nos números, especialmente nos gráficos, que são providos por uma Adreno 418, levemente inferior à Adreno 430. Na prática, no entanto, eu não tive nenhum problema com travadinhas, os aplicativos sempre abriram rapidamente (a RAM de 3 GB ajuda bastante) e todos os jogos famosos por aqui (Dead Trigger 2, Modern Combat 5 e Real Racing 3) rodaram muito bem, com ótima qualidade gráfica.

O que eu não tive foram as engasgadas incômodas e inexplicáveis do G Flex 2 e o temido superaquecimento que afetou as primeiras unidades do Snapdragon 810. Então, acho que está tudo bem.

As principais fabricantes têm conseguido colocar bons alto-falantes em seus smartphones. Não é diferente com o G4: a qualidade sonora é ótima e o nível de volume está suficientemente alto para incomodar muitas pessoas no transporte público. Mas a LG traz um adicional na caixa: os novos fones QuadBeat 3. Eles emitem bom som, com ênfase nos graves como o nome sugere, e possuem um fio com acabamento reforçado — que, pelo menos no meu caso, também ajudou muito a evitar embolamentos.

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A bateria do G4, com capacidade de 2.900 mAh, dá conta do recado. Para fins de comparação, eu repeti quase as mesmas atividades do teste do G Flex 2: tirei o G4 da tomada às 10h40, ouvi áudio por streaming (Spotify e Pocket Casts) no 4G por 2h30min e naveguei na web (emails, sites e redes sociais) por cerca de 2h. A tela ficou ligada por exatamente 2h17min. Às 19h20, ainda restavam 28% — mais que os 13% do G Flex 2, que tem bateria de 3.000 mAh.

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É curioso que haja uma diferença boa de autonomia com um hardware bem parecido, apenas trocando o Snapdragon 810 pelo Snapdragon 808. Também é bom saber que, mesmo com uma tela de resolução exagerada, a LG continua mantendo uma autonomia bem decente nos topos de linha, embora não surpreenda tanto quanto na época do G2.

Conclusão

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O G4 é o Android mais bacana com que tive contato nos últimos meses. Alguns pontos precisam ser refinados, como o software e o design, mas a LG conseguiu produzir um smartphone bastante equilibrado, com os melhores componentes do mercado. A tela, um componente que a LG sempre conseguiu fabricar muito bem, é excelente. A câmera, que costumava ser muito abaixo da concorrência nos aparelhos antigos, está ótima.

No Brasil, o G4 foi lançado por R$ 3.099 (plástico) e R$ 3.199 (couro). São preços muito altos, mas na prática nós sabemos que qualquer smartphone da LG se desvaloriza de uma forma assustadora: menos de três meses após o lançamento, é fácil encontrar o G4 por R$ 2,1 mil à vista em grandes redes de varejo. O mesmo havia acontecido com o G3 (e com qualquer outro topo de linha da LG), lançado em 2014 por R$ 2.299 e que já pode ser encontrado por R$ 1 mil em promoções de lojas online.

Considerando que o G4 continuará a cair de preço, provavelmente estamos diante de uma das (futuras) melhores relações custo-benefício do mercado. Para quem comprou um Android topo de linha no último ano, provavelmente a compra não vale a pena, a não ser que você esteja insatisfeito com sua câmera. Já para quem precisa de um upgrade, será difícil se arrepender com o G4. A LG praticamente não errou na nova geração.

LG G4

Prós

  • Boa duração de bateria
  • Entrada para microSD, yay!
  • Tela impecável, com alto brilho e contraste
  • Uma das melhores câmeras do mercado, com o melhor software

Contras

  • Em tempos de Galaxy S6 e iPhone 6, a LG fica para trás em acabamento
  • Ergonomia ruim em relação às gerações anteriores
  • Software com design inconsistente e recursos que não funcionam bem
Nota Final 9
Design
8
Tela
10
Câmera
10
Desempenho
9
Software
7
Bateria
9
Conectividade
10

Especificações técnicas

  • Bateria: 2.900 mAh;
  • Câmera: 16 megapixels (traseira) e 8 megapixels (frontal);
  • Conectividade: 3G, 4G, Wi-Fi 802.11ac, GPS, Bluetooth 4.1, USB 2.0, NFC, infravermelho;
  • Dimensões: 148,9 x 76,1 x 9,8 mm;
  • GPU: Adreno 418;
  • Memória externa: suporte a cartão microSD de até 128 GB;
  • Memória interna: 32 GB (24 GB disponíveis para o usuário);
  • Memória RAM: 3 GB;
  • Peso: 155 gramas;
  • Plataforma: Android 5.1 (Lollipop);
  • Processador: hexa-core Snapdragon 808 (dois Cortex-A57 a 1,8 GHz e quatro Cortex-A53 a 1,4 GHz);
  • Sensores: acelerômetro, proximidade, bússola, giroscópio, barômetro;
  • Tela: IPS LCD de 5,5 polegadas com resolução de 2560×1440 pixels e proteção Gorilla Glass 3.

 

Comentários

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Rafael B Franco
Mesma coisa aqui. Vou levar na assistência amanhã, mas pelo que andei lendo por aí, não tenho muitas esperanças. Parece um erro critico do aparelho e a LG não liga.
ALEX REIS
Melhor mudar esse titulo para... LG G4: O grande ERRO da LG
Wang Teh

Eu tenho um LG G3 que esquenta muito e começa a travar...

Wang Teh

Parabéns pelos reviews mais detalhados e pertinentes do que outros sites. Eu ia comprar um outro aparelho que parecia bom e barato, mas detalhes como velocidade da memória e outros detalhes me fizeram repensar a escolha. Eu ainda não achei, mas gosto muito de tabelas comparativas entre os diversos modelos numa faixa de valores, por acaso vocês tem?

Willian

Paulo é o único reviewlista desse site que entende de tecnologia ao mesmo nível que eu

Paulo
Qual possui um desenpenho melhor no dia a dia: S6 ou G4?
Gabriel Oliveira
Comprei o LG G4 818 com 2 chips. tem 1 mês, e de 2 semanas pra cá ele começa a esquentar muito e fica reniciando toda hora. Alguém tem tido esse problema ? Será bateria, ou algum outro problema
odair
Galera como fasso para comprar direto da coreia tem algun site pra me fornecer obrigado
Raffa EL Oliveira
Realmente ... na verdade sinceramente não vejo graça nos aparelhos da LG por dentro o software,hardware bons etc.. acho que é a marca mesmo nem gosto do nome lembro de AR-CONDICIONADO ,eletrodomesticos etc.. acho que a marca deveria refinar mais seus produtos para até cobrar caro como as concorrentes e não um material meia boca e cobrar um absurdo... ninguém compra. como foi dito na matéria desvaloriza muito rápido é incrível ...
Eddy

Roubaram até a bolsa da mãe do Ronaldo (fenômeno) com mais de mil euros e outras coisas que não deviam ser baratas dentro.
A coisa tá feia em Paris. Mas o trauma de ter uma arma na sua cabeça é muito pior.
Se marcar, são brasileiros lá roubando, kkkk.

Kafeh
Roubaram até a bolsa da mãe do Ronaldo (fenômeno) com mais de mil euros e outras coisas que não deviam ser baratas dentro. A coisa tá feia em Paris. Mas o trauma de ter uma arma na sua cabeça é muito pior. Se marcar, são brasileiros lá roubando, kkkk.
Jorge Bevilacqua

Tem alguma previsão do review do Moto X Play?
Só falta o dele pra eu decidir pela compra de um dos dois (G4 ou X Play).

Renato Dantas
Tem alguma previsão do review do Moto X Play? Só falta o dele pra eu decidir pela compra de um dos dois (G4 ou X Play).
Rodrigo
R$ 1.799,00 paguei no meu Moto MAXX e atualmente nenhum outro me satisfaria igual ele... Robusto, bateria show, android puro... bom conjunto... a câmera me agrada bastante... etc!!!
Bruno Pinho

Um colega voltou semana passada de um tour pela Europa... Roubaram o iPhone dele em Paris... Chique, né?

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