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O que há de novo (até agora) no Android 6.0 Marshmallow

Um novo sistema de permissões, Now on Tap, melhor gerenciamento de energia e muito mais

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2 anos e meio atrás

O Google finalmente anunciou o nome que marcará a próxima versão do Android, até então chamada apenas de M. Como você pode perceber pelo imenso doce que o robô está segurando acima, o doce que acompanhará a próxima versão do sistema é o Marshmallow. E tem mais: o número da versão, diferente do que muitos pensavam, será 6.0 (e não 5.2!).

Com o lançamento iminente, o que exatamente mudou? Ou melhor: já tem tanta coisa nova para o Google mudar o número da versão? Bom, pelos três previews do sistema para os desenvolvedores, é possível ter uma ideia do que devemos esperar em nossos dispositivos durante o próximo ano (e até que são muitas coisas novas). As novidades completas você acompanha nos próximos parágrafos.

Novo sistema de permissões

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Se você acompanhou o Google I/O em maio, já sabe do que isso se trata. Para melhorar o processo de instalação e atualização de aplicativos, o Google introduziu um novo modelo para garantir permissões aos aplicativos, semelhante ao que é usado no iOS atualmente.

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Basicamente, um app não precisará mais apresentar as permissões que ele precisa logo na instalação. Em vez disso, as permissões serão solicitadas conforme o aplicativo necessitar. Na imagem acima, é possível ver o aviso que o WhatsApp exibiria quando precisasse acessar o seu microfone para, por exemplo, gravar uma mensagem de voz.

Assim, tudo o que o app precisa usar será declarado na seção de Permissões do aplicativo, nas configurações. O usuário poderá desabilitar o que ele não quiser que o aplicativo use e, se for algo pequeno, o aplicativo deverá funcionar corretamente sem aquela permissão (o WhatsApp funciona sem precisar acessar o microfone, por exemplo).

Caso uma função seja essencial para o aplicativo, como um app de gravação de áudio que precise acessar o microfone, o usuário será devidamente avisado que a permissão deve ser ativada. Para as versões anteriores do sistema, o modelo de permissões antigos será aplicado sem problemas.

Novo gerenciamento de energia

Em quase toda nova versão do Android, o Google afirma que o sistema agora tem uma maior autonomia de bateria. Dessa vez, o alvo é o gerenciamento de energia quando o dispositivo está em standby: segundo o buscador, o modo de energia batizado de Doze impede que apps gastem muita bateria quando o smartphone não está sendo usado (finalmente!).

Esse modo, ao contrário do padrão para economizar energia, não precisa ser ativado por nenhum lugar. O sistema detectará se o dispositivo está sem fazer nada e ativará o Doze, que basicamente coloca o seu celular para dormir. Durante o Doze, o acesso à rede é desativado, assim como a sincronização de aplicativos e Wi-Fi.

O aplicativo pode burlar esse modo de gerenciamento de energia se emitir uma notificação de alta prioridade via Google Cloud Messaging. Caso isso não aconteça, periodicamente, a sincronização de aplicativos e outras funções que gastam bateria serão ativadas por curtos períodos de tempo para checar se há algo de novo.

Informações contextuais

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Como detalhado anteriormente por aqui, o Google quer deixar o Google Now mais inteligente e está fazendo isso com uma função chamada Now on Tap. Pelo nome, já dá para ter uma ideia: em uma tela qualquer, você pode solicitar o Google Now para exibir uma informação contextual que se relaciona com o que você estava vendo.

Na conferência para desenvolvedores, uma das demonstrações da função foi dentro do Spotify: a apresentadora estava ouvindo uma música do Skrillex, chamou o Google Now e perguntou “qual é o nome verdadeiro dele?”. Em qualquer outra tela, essa pergunta não faria o menor sentido; dentro de um aplicativo de músicas, no entanto, foi possível para o Google detectar o que a pessoa estava vendo e entregar a informação solicitada. (Se você ficou curioso, é Sonny John Moore.)

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A opção não funciona apenas para comandos de voz: na imagem que você vê acima, foi possível ler a sinopse e ver mais informações do filme Tomorrowland, que estava sendo mencionado no e-mail. A melhor parte do recurso é que é praticamente automático para os desenvolvedores: se o seu aplicativo estiver indexado pelo Google, ele já será usado para exibir informações contextuais. Sucesso!

Suporte nativo para as suas digitais

Para acompanhar a adoção do sensor de impressões digitais em alguns smartphones, o Google decidiu implementar no próprio sistema uma autenticação que usa seus dados biométricos para realizar operações. O usuário poderá, por exemplo, confirmar uma compra ou aprovar alguma transação apenas colocando o dedo no sensor.

Esse recurso já havia sido visto em alguns smartphones topo de linha da Samsung, como o Galaxy S5 e o mais recente Galaxy S6. No entanto, até agora, a implementação só havia sido feita em alguns aplicativos nativos e na tela de bloqueio. É esperado que, com uma maior facilidade para os desenvolvedores, mais aplicativos passem a suportar a funcionalidade e mais dispositivos sejam lançados com esse sensor (por favor!).

Gaveta de aplicativos na vertical

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Captura de tela via Android Police

Como assim?! Pois é. O método que estamos acostumados a navegar por entre os aplicativos parece que vai mudar. Desde o primeiro preview para desenvolvedores, o chamado app drawer já estava diferente: havia grupos de aplicativos em ordem alfabética, com uma rolagem vertical, como você pode observar na imagem ao lado.

No segundo preview, o Google decidiu deixar a interface mais limpa e tirou os agrupamentos visíveis de aplicativos. Agora, o app drawer é organizado por quatro apps mais usados no topo seguido da grade dos outros aplicativos em ordem alfabética. A rolagem continua sendo de cima para baixo, mas nada impede o Google de mudar até a versão final. Por enquanto: tchau, paginação!

Modificações no sistema

Provavelmente se baseando em ROMs customizadas, o Google decidiu dar mais opções para os usuários fazerem modificações no sistema. Batizado de System UI Tuner, esse recurso permite ao usuário alterar o que aparece nas barras de status e configurações rápidas.

Sabe quando aparece aquela opção indesejada no meio de configurações que você realmente usa? Então, será possível removê-la e trocar por uma série de outras mais úteis, incluindo a mudança dos perfis de áudio, opções de localização e várias outras.

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Quanto à barra de status, será possível esconder quase todos os ícones que você quiser, ainda que as opções estejam ativas. Se você precisa do Bluetooth mas não quer vê-lo por lá, é só desativar. Os únicos ícones que não podem ser escondidos são o da bateria, horário e vibração (se a opção estiver ativa). Ainda há uma opção para exibir a porcentagem da bateria dentro do ícone.

Como o Droid-Life mostrou, o processo de ativação do System UI Tuner é pouco intuitivo: o usuário deve pressionar o ícone de configurações da barra de notificações por 5 segundos. Não é algo muito escondido, mas usuários comuns não vão conseguir encontrar essa opção logo nas configurações.

Backup automático de apps para o Google Drive

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Sim, você não leu errado. Finalmente o Google vai fazer com que os dados dos seus aplicativos não sejam perdidos se você trocar de celular, perder ou for roubado. Todos os dados do app serão criptografados e salvos no Google Drive, então é esperado que seu login e configurações sejam mantidos no novo aparelho; a restauração será automática.

O backup automático funciona para todos os aplicativos instalados, sem precisar esperar que o desenvolvedor lance algum suporte adicional. A cópia é feita em um ciclo de 24 horas e o dispositivo não pode estar sendo usado e precisa estar carregando e conectado a uma rede Wi-Fi. Por enquanto, há um limite de 25 MB por aplicativo.

Melhor integração entre aplicativos

Batizada de App Links, essa função é capaz de associar URLs a funções internas dos apps. Em vez de perguntar se você quer abrir uma URL do YouTube no Chrome ou no aplicativo próprio para esse tipo de conteúdo, o Android já vai saber que o YouTube é a melhor opção.

Assim, os desenvolvedores já podem associar um domínio próprio com seus aplicativos para agilizar o processo de seleção. Um ponto negativo, como aponta o Android Police, é que apps de terceiros não podem abrir URLs de outros aplicativos. Exemplo: clientes de Twitter como o Falcon Pro ou Talon não podem ser configurados para abrir diretamente links do Twitter, uma vez que este já tem o controle do domínio. De qualquer forma, qualquer melhora na integração dos apps é sempre bem-vinda.

Melhorias no compartilhamento

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Falando em integração de aplicativos, essa novidade também poupa o usuário de fazer toques desnecessários para chegar onde ele precisa. Neste caso, o compartilhamento de conteúdo poderá ser feito diretamente para “alvos específicos” dentro de outros apps, como contatos.

Para compartilhar um link para um amigo no WhatsApp, posso tocar no nome dele direto na tela de compartilhamento, sem precisar ir para o aplicativo. Na imagem ao lado, podemos ver que a novidade se estende para o Messenger (do Google) e o app de e-mails Inbox. Naturalmente, fica por conta dos desenvolvedores fazerem bom uso da novidade em seus aplicativos.

Novidades menores

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Entre as novidades pequenas, mas que também fazem diferença, estão algumas mudanças nas configurações e no sistema em geral. Agora, há uma seção no app para ver como está sendo feito o gerenciamento de memória; outra seção, a “Armazenamento”, agora chama “Armazenamento e USB” e tem um visual mais limpo.

O gerenciamento de aplicativos também recebeu novidades: como você pode ver ao lado, as principais informações sobre o app estão reunidas em um lugar só (como deveria ser desde o começo). Informações sobre armazenamento, consumo de dados, permissões, tipos de notificação, abertura por padrão e muito mais são exibidos agora.

Mais adentro do sistema, é possível ver que o menu de seleção, que mostra as opções de copiar, colar e cortar, agora fica flutuando em cima do texto selecionado. Há um novo sistema de mensagens de voz, que gerencia suas mensagens no próprio aplicativo do discador e os controles de volume se comportam melhor.

Novos papéis de parede e uma animação de boot diferente também acompanham a nova versão.

Ainda tem mais

Sim, mais. Além das mudanças principais e novidades menores, muita coisa mudou por trás, afinal, é um novo level de API (agora, o 23). Caso você seja desenvolvedor e queira se aventurar nas mudanças internas, o Google reúne as principais novidades na API aqui.

Inclusive, com o novo sistema de beta testing do Google Play, já é possível para os desenvolvedores enviarem seus aplicativos prontos para o Android 6.0 para a loja de apps. Quando o sistema ficar disponível para todo mundo, o Google ainda avisa que vai atualizar a Play Store para suportar o novo sistema de permissões.

E quando sai?

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Não dá para ter certeza. Atualmente, as versões para desenvolvedores estão no terceiro e último beta, mas não há uma data exata para a versão ser liberada para o público. De qualquer forma, no Google I/O, a empresa afirmou que chega na nossa primavera ― isso significa que até o final do ano os principais smartphones da linha Nexus, incluindo o 5, 6, 9 e Player vão estar atualizados.

Para os outros, é uma incógnita. A Sony, pelo menos, já sinalizou que os desenvolvedores podem implementar o Android M Developer Preview nos principais dispositivos da fabricante (até nos Xperias Z1, M2 e T3, por exemplo). Mas, por algum motivo, o nível da API ainda é o do Lollipop. De qualquer forma, é um indício que a fabricante quer atualizar a sua linha rapidamente.

No entanto, até o momento, é preciso ter um smartphone da linha Nexus se você quiser oficialmente colocar as mãos no que será a nova versão do Android. O Google detalha aqui as instruções de instalação para os dispositivos citados acima, mas vale lembrar que o uso no dia a dia ainda não é recomendado.