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Como anda a adoção do Apple Music?

Segundo a Apple, 79% dos usuários do trial usam o serviço; no Brasil, é difícil que o Music tenha uma boa adoção

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4 anos atrás

Desde o lançamento do Apple Music, há quase dois meses, muitos estão curiosos para saber se o serviço de streaming de música da Apple “deu certo”. Com grande aposta na curadoria de músicas feita por especialistas da área, um feed que mostra atualizações dos artistas preferidos pelo usuário e uma rádio que funciona 24 horas e é controlada por DJs de todo o mundo, como está a adoção do serviço pelos usuários?

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Essa pergunta é um pouco difícil de responder. Sem muitas informações além do número de usuários ― que passou de 11 milhões no começo deste mês, segundo o que disseram executivos da Apple ao USA TODAY ―, não dá para ter uma ideia se os recursos que se destacam no Apple Music estão sendo um diferencial para os usuários ou eles se limitam à ouvir música da mesma forma que fariam no Spotify, por exemplo.

O que nos ajuda a sanar essas dúvidas é uma pesquisa divulgada recentemente pela MusicWatch, uma empresa especializada em pesquisas na indústria musical. O estudo foi conduzido ao entrevistar 5 mil americanos de 13 anos ou mais e revelou que 77% dos entrevistados que usam iOS sabem o que o Apple Music é, enquanto apenas 11% usam o serviço.

Seção "For you" tem recomendações de músicas feitas por curadores profissionais da Apple.

Seção “For you” tem recomendações de músicas feitas por curadores profissionais da Apple.

Das pessoas que se inscreveram no período de testes, 48% afirmaram não estar usando o serviço. A Apple, no entanto, emitiu uma nota ao The Verge contestando a porcentagem divulgada pela pesquisadora. Segundo a empresa, 79% dos usuários que estão no trial continuam usando o Music ― esse número provavelmente se aplicaria naqueles 11 milhões de membros no período de testes.

A pesquisa também quis saber se os diferenciais do serviço em relação à concorrência estão sendo usados pelos usuários. A rádio Beats 1, que tem estúdios em Nova York, Los Angeles e Londres, é escutada por 30% dos entrevistados, enquanto 27% disseram usar a função Connect, que mostra atualizações dos artistas preferidos do usuário.

Para os usuários do ecossistema da Apple, no entanto, a maior vantagem do Music é a sua integração com o iOS (e isso sou eu que estou supondo, não a pesquisa). No iPhone, há o benefício do aplicativo ser desenvolvido pela própria Apple, garantindo que o aspecto nativo do app melhore sua velocidade e incorporação no sistema.

Função Connect mostra atualizações dos seus artistas preferidos.

Função Connect mostra atualizações dos seus artistas preferidos.

É possível, por exemplo, usar a Siri para tocar algum artista ou configurar um alarme com qualquer música do Apple Music. Se você não usar muito tais recursos (ou se contentar com a integração do Google Now e Spotify no Android), também há a comodidade de sincronizar suas músicas do iTunes no Music. Novamente: para quem tem uma base de dispositivos da Apple, o serviço vale a pena.

Não é à toa que (e agora voltamos aos dados da pesquisa), quando perguntado se os usuários continuariam usando o Apple Music depois que o período de testes acabar, 64% disseram responderam que a chance de permanência é “extremamente” ou “muito alta”. 61%, no entanto, contaram ter desativado a opção de renovar automaticamente a inscrição.

Por fim, a pesquisa também questionava se os entrevistados migraram de outros serviços de streaming. 28% afirmaram que antes usavam o Spotify Premium e 11% usufruiam da versão gratuita do serviço.

A adoção do serviço no Brasil

As estatísticas acima deram uma ideia de como foi a adoção do Apple Music nos Estados Unidos, mas é esperado que algumas dessas porcentagens também se apliquem ao Brasil. Por aqui, observei que muitos usuários que migraram para o serviço possuíam uma base completa de dispositivos da Apple, ou ficavam confortáveis em usar o iTunes para ouvir música no Windows.

O serviço também tem como objetivo se popularizar dentre pessoas que não eram familiares com a maioria dos serviços de streaming. Não é à toa que após a atualização para o iOS 8.4, muita gente foi ouvir suas músicas no aplicativo e se deparou com uma tela oferecendo um serviço de streaming de graça por três meses.

No Brasil, a assinatura do Apple Music custa US$ 4,99.

No Brasil, a assinatura do Apple Music custa US$ 4,99.

É uma tática que ajuda a difundir o Music e também a aumentar o número de usuários. Quando o período de testes acabar, ficará mais fácil de descobrir se as estatísticas acima vão se concretizar e se o serviço continuará com um grande número de usuários ― o Spotify, para referência, tem mais de 20 milhões de assinantes e 75 milhões de usuários ativos ao redor do mundo.

Entretanto, com a alta do dólar, não tenho certeza se o Apple Music vai ser uma boa opção para quem migrou do Spotify afim de desfrutar da integração com o iOS ou OS X. Cotado a R$ 3,47 no momento em que escrevo esse post, os US$ 4,99 mensais do serviço se transformariam em R$ 17,31, sem considerar o IOF (6,38% a mais) e o ágio do seu cartão de crédito, que pode aumentar o valor do dólar de 10 a 20 centavos.

No máximo, se a moeda americana continuar por volta desse valor nos próximos meses, a assinatura do Apple Music não deve passar de R$ 20 ― ainda assim, mais de 30% maior do que os R$ 14,90 que são cobrados pelo Spotify, onde não há IOF ou variação de câmbio pois a cobrança é feita em moeda nacional. Cabe ao usuário decidir se a diferença vale a pena. Há quem diga que não faz tanta diferença assim, mas alguns pretendem voltar para o Spotify quando o período de testes acabar.

No final das contas, parece ser a proposta da Apple com o Music: oferecer uma alternativa mais cômoda para quem pertence ao ecossistema da empresa. É o que ela pretende com todos os outros serviços que apresenta, aliás. Fora da sua base de dispositivos (Macs, iPhones, iPads), nenhum serviço foi feito para abolir a concorrência porque, basicamente, ele não precisa ― a vantagem com a comodidade já é suficiente para manter a maior parte dos usuários.

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