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Financie isso: Robin é um smartphone que deixa quase tudo nas nuvens (até seus apps)

Emerson Alecrim Por
4 anos atrás

Nextbit Robin

Depois da bateria, o item que mais causa irritação no usuário é, provavelmente, o espaço para armazenamento de dados. A gente tira uma foto atrás da outra, baixa músicas, instala jogos pesados e, quando vê, está dependente de um microSD. A Nextbit é uma startup formada por ex-engenheiros do Google e da HTC que promete uma solução: um smartphone que coloca seus dados nas nuvens de modo inteligente para nunca faltar espaço.

Batizado como Robin, o dispositivo roda Android Lollipop (com promessa de atualização para o Marshmallow) e um software que atua em segundo plano para monitorar como você faz uso de dados. A ideia é reservar para as nuvens tudo aquilo que não é primordial no smartphone.

Isso vale para fotos e músicas, por exemplo. Se você não acessa esses arquivos com regularidade, o Robin entende que esse conteúdo não é prioritário e, portanto, pode ser mantido apenas nas nuvens.

A parte mais interessante é que o Robin pode fazer o mesmo com aplicativos. Se você usa o app de email todo dia, ele fica lá. Mas uma ferramenta que você só acessa quando viaja pode ser movida para as nuvens. Para "ressuscitá-la", basta tentar acessá-la (o ícone fica cinza quando o app é transferido): o aparelho baixará o aplicativo e o deixará no mesmo estado de quando você o utilizou pela última vez. O vídeo abaixo tem uma demonstração:

Mike Chan, um dos fundadores da Nextbit, explica que, quanto mais usado, mais o Robin se adapta ao perfil do usuário. Por padrão, a transferência para as nuvens é feita apenas quando o aparelho está conectado a uma rede Wi-Fi, mas dá para configurá-lo para redes 3G ou 4G.

Um conjunto de LEDs na parte traseira acende quando uma transferência está em andamento. Também é possível acompanhar a quantas anda o armazenamento no aparelho e nas nuvens por meio de um aplicativo próprio para esse fim.

Eu achei a ideia muito interessante, mas concordo com o que você deve estar pensando: há uma série de desvantagens aí. Se eu estiver na rua vou ter que gastar a minha franquia de dados. Se a minha conexão estiver lenta demorará uma eternidade para o aplicativo ser baixado. Se eu estiver sem conexão, ferrou. É seguro deixar meus dados nos servidores da empresa?

Nextbit Robin

Essas observações deixam claro que o Robin não é para todo mundo. Por outro lado, a proposta do aparelho desafia o modelo de serviço que temos hoje: pelo menos em relação aos dispositivos móveis, o armazenamento nas nuvens serve, na maioria dos casos, como backup, não como uma extensão da capacidade do aparelho.

Analisando bem, o Robin não faz nada muito diferente do que Apple, Google e Microsoft já oferecem — abrir a versão móvel do Word e acessar um documento armazenado no OneDrive é uma maravilha. O que a Nextbit está tentando fazer é oferecer uma integração com as nuvens mais profunda, que beira o nível da plataforma (e não apenas da aplicação).

O Robin obteve uma rodada de investimento no valor de US$ 18 milhões. Mas, para fins promocionais, a Nextbit decidiu colocá-lo em campanha no Kickstarter. Por lá, o projeto já é um sucesso. A meta estabelecida é de US$ 500 mil, mas, enquanto eu escrevia este post, a arrecadação estava em pouco mais de US$ 755 mil. Isso sugere que a questão da falta de espaço para dados realmente incomoda muita gente.

Pode ser também que os compradores estejam apenas interessados em ter um smartphone diferente. O Robin tem design bem "quadradão" e, por incrível que pareça, isso o torna peculiar. As cores também fogem do padrão: há uma versão clara e outra escura, mas nada que se baseie em tons chamativos ou no preto que a gente encontra em quase todos os modelos.

As especificações também são interessantes. O Robin conta com tela IPS de 5,2 polegadas e resolução 1080p, processador Snapdragon 808, 3 GB de RAM, câmera frontal de 5 megapixels, câmera traseira de 13 megapixels, bateria de 2.680 mAh, dois alto-falantes frontais, NFC, Wi-Fi 802.11ac, Bluetooth 4.0, USB tipo C e leitor de impressão digital. Para armazenamento de dados, o aparelho oferece 32 GB físicos mais 100 GB nas nuvens.

Nextbit Robin

Na página da campanha, a Nextbit destaca que o Robin pode ser usado com CyanogenMod ou outras ROMs. Não parece, mas essa é uma espécie de garantia: se a ideia te desagradar, você pode instalar outro sistema operacional para aproveitar o aparelho. Os riscos não são pequenos. Os Chromebooks estão aí para provar que, por ora, apenas uma minoria consegue depender totalmente das nuvens.

Por que é legal? O Robin propõe uma forma diferente de resolver a limitação de espaço para dados nos smartphones. Além disso, o projeto dá ideia de quão ampla será a integração com as nuvens em um futuro relativamente próximo.

Por que é inovador? A Nextbit utiliza um software que analisa as atividades do usuário para definir o que pode ser acessado apenas a partir das nuvens.

Por que é vanguarda? Com o Robin, o armazenamento nas nuvens não serve apenas como backup, mas também como extensão da capacidade do dispositivo.

Vale o investimento? No Kickstarter, o Robin custa US$ 349 (havia uma opção de US$ 299 que esgotou rapidamente) mais as despesas de envio. Não é um produto necessariamente barato. Vale a pena para quem está disposto a experimentar um smartphone com uma proposta ousada.