Nextbit Robin

Depois da bateria, o item que mais causa irritação no usuário é, provavelmente, o espaço para armazenamento de dados. A gente tira uma foto atrás da outra, baixa músicas, instala jogos pesados e, quando vê, está dependente de um microSD. A Nextbit é uma startup formada por ex-engenheiros do Google e da HTC que promete uma solução: um smartphone que coloca seus dados nas nuvens de modo inteligente para nunca faltar espaço.

Batizado como Robin, o dispositivo roda Android Lollipop (com promessa de atualização para o Marshmallow) e um software que atua em segundo plano para monitorar como você faz uso de dados. A ideia é reservar para as nuvens tudo aquilo que não é primordial no smartphone.

Isso vale para fotos e músicas, por exemplo. Se você não acessa esses arquivos com regularidade, o Robin entende que esse conteúdo não é prioritário e, portanto, pode ser mantido apenas nas nuvens.

A parte mais interessante é que o Robin pode fazer o mesmo com aplicativos. Se você usa o app de email todo dia, ele fica lá. Mas uma ferramenta que você só acessa quando viaja pode ser movida para as nuvens. Para “ressuscitá-la”, basta tentar acessá-la (o ícone fica cinza quando o app é transferido): o aparelho baixará o aplicativo e o deixará no mesmo estado de quando você o utilizou pela última vez. O vídeo abaixo tem uma demonstração:

Mike Chan, um dos fundadores da Nextbit, explica que, quanto mais usado, mais o Robin se adapta ao perfil do usuário. Por padrão, a transferência para as nuvens é feita apenas quando o aparelho está conectado a uma rede Wi-Fi, mas dá para configurá-lo para redes 3G ou 4G.

Um conjunto de LEDs na parte traseira acende quando uma transferência está em andamento. Também é possível acompanhar a quantas anda o armazenamento no aparelho e nas nuvens por meio de um aplicativo próprio para esse fim.

Eu achei a ideia muito interessante, mas concordo com o que você deve estar pensando: há uma série de desvantagens aí. Se eu estiver na rua vou ter que gastar a minha franquia de dados. Se a minha conexão estiver lenta demorará uma eternidade para o aplicativo ser baixado. Se eu estiver sem conexão, ferrou. É seguro deixar meus dados nos servidores da empresa?

Nextbit Robin

Essas observações deixam claro que o Robin não é para todo mundo. Por outro lado, a proposta do aparelho desafia o modelo de serviço que temos hoje: pelo menos em relação aos dispositivos móveis, o armazenamento nas nuvens serve, na maioria dos casos, como backup, não como uma extensão da capacidade do aparelho.

Analisando bem, o Robin não faz nada muito diferente do que Apple, Google e Microsoft já oferecem — abrir a versão móvel do Word e acessar um documento armazenado no OneDrive é uma maravilha. O que a Nextbit está tentando fazer é oferecer uma integração com as nuvens mais profunda, que beira o nível da plataforma (e não apenas da aplicação).

O Robin obteve uma rodada de investimento no valor de US$ 18 milhões. Mas, para fins promocionais, a Nextbit decidiu colocá-lo em campanha no Kickstarter. Por lá, o projeto já é um sucesso. A meta estabelecida é de US$ 500 mil, mas, enquanto eu escrevia este post, a arrecadação estava em pouco mais de US$ 755 mil. Isso sugere que a questão da falta de espaço para dados realmente incomoda muita gente.

Pode ser também que os compradores estejam apenas interessados em ter um smartphone diferente. O Robin tem design bem “quadradão” e, por incrível que pareça, isso o torna peculiar. As cores também fogem do padrão: há uma versão clara e outra escura, mas nada que se baseie em tons chamativos ou no preto que a gente encontra em quase todos os modelos.

As especificações também são interessantes. O Robin conta com tela IPS de 5,2 polegadas e resolução 1080p, processador Snapdragon 808, 3 GB de RAM, câmera frontal de 5 megapixels, câmera traseira de 13 megapixels, bateria de 2.680 mAh, dois alto-falantes frontais, NFC, Wi-Fi 802.11ac, Bluetooth 4.0, USB tipo C e leitor de impressão digital. Para armazenamento de dados, o aparelho oferece 32 GB físicos mais 100 GB nas nuvens.

Nextbit Robin

Na página da campanha, a Nextbit destaca que o Robin pode ser usado com CyanogenMod ou outras ROMs. Não parece, mas essa é uma espécie de garantia: se a ideia te desagradar, você pode instalar outro sistema operacional para aproveitar o aparelho. Os riscos não são pequenos. Os Chromebooks estão aí para provar que, por ora, apenas uma minoria consegue depender totalmente das nuvens.

Por que é legal? O Robin propõe uma forma diferente de resolver a limitação de espaço para dados nos smartphones. Além disso, o projeto dá ideia de quão ampla será a integração com as nuvens em um futuro relativamente próximo.

Por que é inovador? A Nextbit utiliza um software que analisa as atividades do usuário para definir o que pode ser acessado apenas a partir das nuvens.

Por que é vanguarda? Com o Robin, o armazenamento nas nuvens não serve apenas como backup, mas também como extensão da capacidade do dispositivo.

Vale o investimento? No Kickstarter, o Robin custa US$ 349 (havia uma opção de US$ 299 que esgotou rapidamente) mais as despesas de envio. Não é um produto necessariamente barato. Vale a pena para quem está disposto a experimentar um smartphone com uma proposta ousada.

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Mario

Com certeza armazenamento em disco não é a segunda maior reclamação em um celular. Não vejo nenhuma razão para financiar este projeto.

Mario Porfírio Souza
Com certeza armazenamento em disco não é a segunda maior reclamação em um celular. Não vejo nenhuma razão para financiar este projeto.
Franklin Tinoco
Eu sou uma destas pessoas que vai precisar de mais espaço. Meu galaxy S5 tem 16 Gb e coloquei um de 64 gigas.
Vinicius Morais
Design bem interessante, embora esteja fora da realidade brasileira (pelo menos da minha...haha) esse negócio de ficar mandando e buscando coisas na nuvem.
Franklin Amaral

Acredito que logo logo a discussão não vai ser sobre o armazenamento, e sim nos dispositivos que recuperaram esses dados.

Considerando que estão online com um login eu poderia acessar de outros dispositivos.

Igor
O WP já faz isso e é uma bosta, ficar dependendo de rede (ainda mais no BR) é muito perigoso. Já quase perdi um voo por isso.
Adolfo Brás Sunderhus Filho
Olha que conheço gente que vai precisar, viu...
Vader
entrega no Brasil? :)
Josiel Hen
Bem, é esse o cenário atual dos serviços em nuvem, e funciona muito bem, estender isso de maneira nativa para os smarts ajudaria a deixar tudo unificado.
Keaton
"DLC" de memória interna?
Keaton
Para armazenamento de dados, o aparelho oferece 32 GB físicos mais 100 GB nas nuvens.Com 32GB, quem infernos vai precisar mandar os apps para nuvem?
Emerson Alecrim
Curioso é que a tecnologia surgiu primeiro como um aplicativo chamado Baton que tinha uma proposta parecida. Então, teoricamente, dá para levar a função para outros aparelhos. Não vou estranhar nada se a Nextbit acabar sendo comprada por causa disso :p
Emerson Alecrim
Eles prometem fazer capinhas também. Tomara que sejam tão legais quanto.
tiagoluz8
devia ser função nativa do OS, acordaê Google, compra logo essa Nextbit!!
Josiel Hen
vejo ai um possível futuro para os smartphones, onde no momento da compra eles possuam teoricamente 0GB de memoria interna e então nos compramos posteriormente mais memoria a partir de nossa necessidade.
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