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Alternativas: vale a pena contratar um programa de fidelidade para trocar de smartphone?

O Brasil ainda não ganhou o iPhone Upgrade Program, mas as operadoras têm propostas similares

Jean Prado Por
4 anos atrás

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Durante um evento na quarta-feira (9), a Apple apresentou junto com os novos iPhones (e mais um bocado de novidades) o iPhone Upgrade Program. O programa permite ao consumidor pagar uma mensalidade a partir de US$ 32 e trocar o iPhone todo ano. No Brasil, já existem algumas alternativas para não pagar o valor cheio do próximo celular, mas elas valem a pena?

Olhando de longe, a ideia parece boa, ainda mais com o preço dos aparelhos subindo cada vez mais. Um iPhone 6 custa a partir de R$ 3.199, então pode ser atraente para muitos pagá-lo parcelado em muitas vezes e ainda ter seguro contra roubo, eventuais danos e poder trocá-lo em 12 meses quando um modelo mais novo for lançado.

No Brasil, o programa mais parecido com o iPhone Upgrade Program é o Claro up: a partir dele, é possível comprar um smartphone novo com seguro, juntar com seu plano de operadora e ainda ter a possibilidade de trocar a cada ano por um lançamento sem quebrar o contrato.

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Lendo o regulamento, até que não tem nada fora do esperado. Quando a troca de celular é feita, seu aparelho antigo é entregue para a Claro; naturalmente, ele precisa estar em um bom estado de conservação (com tudo funcionando, sem maiores riscos). No entanto, caso o usuário queira cancelar o programa, ele pagará o restante das parcelas do aparelho à vista e uma multa proporcional em relação ao tempo restante no contrato.

O maior problema começa a surgir no preço. O Claro up, segundo o site, custa a partir de R$ 99, mas não pense que você vai contratá-lo por esse preço e sair com um iPhone 6 novinho. O valor da parcela do celular muda de acordo com o plano pós-pago contratado, então, se você quiser economizar em dados, vai ter que pagar mais caro no celular.

Porém, essas informações não estão disponíveis no site (antes havia uma tabela com alguns preços, mas ela foi removida e agora é necessário preencher um formulário de contato). Em resposta ao Tecnoblog, a assessoria da Claro enviou os preços da mensalidade do Galaxy S6 ou iPhone 6 mais um plano Claro online max com configurações básicas, intermediárias e avançadas:

Galaxy S6 (32 GB):

  • 3 GB + 60 min: R$ 109 (parcela do celular) + R$ 160 (plano) = R$ 269
  • 3 GB + 200 min: R$ 104 (parcela do celular) + R$ 234 (plano) = R$ 338
  • 7 GB + 1200 min: R$ 76 (parcela do celular) + R$ 588 (plano) = R$ 664

iPhone 6 (16 GB):

  • 3 GB + 60 min: R$ 152 (parcela do celular) + R$ 160 (plano) = R$ 312
  • 3 GB + 200 min: R$ 139 (parcela do celular) + R$ 234 (plano) = R$ 373
  • 7 GB + 1200 min: R$ 99 (parcela do celular) + R$ 588 (plano) = R$ 687

Algumas observações: apesar da Claro oferecer pacotes de dados com 500 MB e 1 GB de franquia, esses planos não são elegíveis para a contratação do Claro up. O seguro já está incluso na parcela do aparelho. Em todos os planos, há benefícios como torpedos ilimitados para qualquer operadora e ligações LDN ilimitadas para Claro, Claro Fixo e Net Fone utilizando o código 21.

Vale a pena?

O valor mais baixo da mensalidade tanto para o Galaxy S6 quanto para o iPhone 6 é, de fato, caro, quando somado ao plano da operadora. A parcela do celular não chega a nenhum absurdo, considerando que em 24 meses, desconsiderando o plano, o Galaxy S6 com maior valor custaria R$ 2.616 (valor próximo ao encontrado à vista no varejo) e o iPhone 6, R$ 3.648 (maior que os R$ 3.199 cobrados pela Apple).

O benefício, portanto, acaba sendo o seguro contra danos acidentais, furto qualificado e roubo, além de poder trocar de celular a cada 12 meses ― assim, você acaba pagando metade do valor do celular e já pode pegar o da próxima geração. Para quem sente a necessidade de ter esses dois benefícios e está disposto a contratar algum plano da Claro, o programa pode valer a pena.

É importante lembrar que ainda há a incerteza de ficar preso à operadora e ter que ficar pagando uma parcela consideravelmente alta todo mês. Para a maioria das pessoas, ainda é mais seguro comprar o aparelho por fora, principalmente considerando opções mais baratas como o Moto X Play, Zenfone 2 e outros. O maior atrativo desses programas de fidelidade acaba sendo os smartphones mais caros, que têm novas gerações apresentadas todos os anos.

Algumas alternativas

Outra opção para trocar de smartphone sem gastar o valor total do aparelho é o Vivo Renova, que não é um programa de fidelidade. Ele apenas permite que o consumidor leve seu celular (em ótimo estado) para a operadora e assim, dependendo do modelo do aparelho, tem desconto na compra de outro celular.

Enquanto isso, há outras opções para você manter seu smartphone seguro contra quedas acidentais e até roubos. Uma proteção adicional pela Pitzi para um iPhone 6 de 16 GB, por exemplo, sai por R$ 47,99 ao mês e cobre qualquer tipo de acidente (mas não roubo ou furto). Para outro celular, como o Galaxy S6, a Pitzi cobra R$ 41,31 pela mesma proteção. Para ambos, ainda há uma taxa de R$ 75 para os acidentes; no caso de falhas e defeitos, o conserto é gratuito.

O Vivo Renova é uma das opções para não gastar todo o seu dinheiro em um novo smartphone.

O Vivo Renova é uma das opções para não gastar todo o seu dinheiro em um novo smartphone.

O da Porto Seguro para o iPhone 6 pode ser pago tanto de uma vez só, por no mínimo R$ 915,73 (e dividido em até 4x de R$ 228,93) ou por mês, para um ano de proteção que sai por R$ 76,31 ao mês. O seguro mínimo cobre danos físicos e roubos. Para o Galaxy S6, o preço mínimo fica em R$ 950,82 ou R$ 79,23 por mês em uma proteção que dura um ano.

As proteções da Pitzi parecem sair mais em conta em inúmeros casos, mas elas não protegem seu smartphone se ele for roubado. Assim, vale colocar na balança se você precisa de um seguro para roubos ou pode depender de aplicativos de terceiros que tentam remediar esse problema, como o Cerberus.

Há também alguns casos um tanto quanto específicos: você quer pegar um smartphone novo, com um plano de operadora diferente, por exemplo. Considerando que em programas de fidelidade a parcela do aparelho já inclui o valor da proteção, muitas vezes pode valer a pena parcelá-lo com a operadora, uma vez que todos os gastos estão unificados.

O iPhone Upgrade Program nos Estados Unidos

Por lá, a Apple é a única que recebe o dinheiro do programa. Não há mediação com as operadoras ou aqueles contratos perigosos para adesão: um iPhone 6s de 16 GB sai por US$ 32,41 ao mês e é necessário ficar no programa por 24 meses, com o benefício de trocar de celular para o iPhone 7 (se este for o nome do próximo iPhone), por exemplo, no 12º mês.

O preço é um pouco mais alto que o cobrado pelas operadoras que fazem contrato de dois anos, como os US$ 27,08 exigidos pela Verizon para o iPhone 6, mas ainda há adicional se o consumidor quiser contratar proteção adicional e não tem como trocar de celular enquanto o contrato ainda está vigente.

Outro benefício do iPhone Upgrade Program, então, passa a ser o seguro contra danos e quedas acidentais pelo AppleCare+ (o preço do serviço já está incluso na mensalidade). Caso contratado separadamente, só a proteção para o iPhone 6s sairia por US$ 129. Junto com o benefício, há suporte para problemas de hardware e software, como bateria que não funciona tão bem quanto na época do lançamento e ajuda para configurar o iOS.

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Um novo iPhone todo ano, desbloqueado, com AppleCare+ a partir de US$ 32.

Teoricamente, todo mundo ganha: a Apple mantém a base de usuários, o cliente fica satisfeito com os benefícios, não gasta todo o dinheiro de uma vez e ainda pode ter o iPhone mais recente se estiver em dia com o pagamento. Não dá pra saber se tem alguma pegadinha mirabolante por parte da Apple porque o contrato ainda não está disponível, mas ele parece ser uma boa opção para os americanos.

A adesão é feita pela Apple Store, mas a empresa não sinalizou que o iPhone Upgrade Program será expandido para outros países. Em resposta ao Tecnoblog, a assessoria da Apple disse que ainda não tem nenhuma informação sobre a disponibilidade do programa no Brasil. Por ora, segundo a empresa, ele estará disponível apenas nos EUA.

Enquanto esperamos ansiosamente por um milagre, o seguro adicional da Apple para seus produtos, AppleCare+, deve chegar ao Brasil em breve. As informações são do 9to5Mac, que obteve acesso a um vídeo em que a diretora do AppleCare, Tara Brunch, sinaliza expansão do seguro para três novos países: Brasil, Espanha e Turquia. Um dos benefícios do iPhone Upgrade Program é justamente o AppleCare+, então é provável que o programa de upgrade da Apple só chegue depois do seguro adicional.

De qualquer forma, é interessante ver que pelo menos a Apple percebeu que smartphones estão se tornando um gasto alto demais para serem pagos de uma vez só, sem seguro ― é claro, o benefício é maior se você quiser trocar de iPhone todo ano. Espero que mais programas como este sejam trazidos para o Brasil (e sem pegadinhas!), principalmente considerando o aumento progressivo de preços de qualquer modelo por aqui.

Você assina ou assinaria um programa de fidelidade como esses?