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Snapdragon Flight: a Qualcomm também quer explorar o mercado de drones

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2 anos atrás
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Snapdragon Flight

A Qualcomm anunciou mais um produto nesta quinta-feira (10). A força do hábito nos faz pensar que se trata de um novo processador para smartphones ou tablets. Não é, não desta vez: a Snapdragon Flight, como é chamada, é uma plataforma com a qual a companhia pretende ingressar no universo dos drones.

Na primeira olhada, essa é uma decisão bem estranha, mas pensando um pouco mais conseguimos encontrar sentido: há drones de vários tipos e tamanhos por aí, mas a maioria carrega uma ou mais câmeras, muitas vezes de alta resolução. É aí que a Snapdragon Flight pode fazer diferença.

O dispositivo consiste em uma plaquinha de 58 x 40 mm e 13 gramas equipada com um processador quad-core Snapdragon 801 de 2,26 GHz, GPU Adreno 330, controle de voo via coprocessador Hexagon DSP e tecnologias de conectividade: Bluetooth 4.0, Wi-Fi 802.11n (dual band), LTE e GNSS.

Com essa configuração, o drone equipado com a Snapdragon Flight pode contar com câmeras capazes de gravar vídeos com resolução 4K e 60 frames por segundo, por exemplo. A plaquinha se encarrega do processamento das imagens. É possível até mesmo realizar streaming em tempo real — nesse caso, em 720p — a partir da conexão LTE.

Snapdragon Flight

Além de gravação em 4K, a plataforma suporta outros tipos de câmeras e sensores. A Qualcomm também acrescentou compatibilidade à tecnologia Quick Charge para que o drone possa ser recarregado mais rapidamente.

Talvez você já tenha sacado qual o plano aqui. Ao oferecer uma placa que dá conta das principais funções de um drone, os desenvolvedores podem se focar em características que tornam as suas aeronaves únicas.

Essa é uma estratégia semelhante àquela que a Qualcomm já adota no mercado de dispositivos móveis: a empresa fornece a base, que é a parte mais complexa, enquanto os fabricantes cuidam dos demais aspectos — tela, sensores, câmeras, bateria, design e por aí vai.

É difícil prever o sucesso da ideia, mas há alguns indícios de que essa pode ser uma empreitada feliz para a Qualcomm. Para começar, a Snapdragon Flight é tão compacta que pode equipar drones bem pequenos, o tipo que é mais atraente e seguro para o público em geral.

Snapdragon Flight

Dá para levar em consideração também que a concentração de vários recursos em uma única placa deve simplificar a produção, reduzindo custos. Nesse ponto, é necessário colocar na conta o valor que a Qualcomm cobrará pela Snapdragon Flight. O preço não foi divulgado, mas como a placa terá produção em larga escala, provavelmente não será algo capaz de ofender o bolso.

Teremos que esperar até 2016 para saber se a proposta decola. É quando, espera a Qualcomm, os primeiros drones com Snapdragon Flight estarão disponíveis comercialmente. A Yuneec foi anunciada como a primeira fabricante de drones a apostar na ideia.

A Qualcomm quer atrair tanto fabricantes de drones já conceituados quanto empresas que estão entrando agora nesse segmento. Creio eu que é aí que a plataforma pode ter mais aceitação: uma placa como essa é meio caminho andado para drones projetados por pequenas empresas, como aquelas que vez que outra aparecem buscando financiamento no Kickstarter ou no Indiegogo.

Dá até para desenvolver um projeto do tipo “faça você mesmo”: não seria legal criar um drone em impressora 3D e usar a placa como base?