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Como a tecnologia está fazendo um homem paralítico aprender a andar novamente

Mark Pollock é cego e ficou paraplégico quatro semanas antes de seu casamento.
Agora, trata sua deficiência com estímulos e um exoesqueleto.

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2 anos atrás
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Você já deve ter visto alguns exemplos de como a tecnologia influencia em diversos tratamentos e soluções da medicina. Desde o software que ajuda Stephen Hawking a se comunicar, um scanner cerebral para quem tem fobia social e até uma prótese para crianças com membros amputados, é muito legal ver como muitas pessoas debilitadas têm uma vida normal com a ajuda da tecnologia. A história de Mark Pollock é mais um ótimo exemplo.

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Pollock é cego de um olho desde os cinco anos de idade e, aos 22, perdeu a visão do outro olho. Ainda assim, ele se tornou o primeiro cego a completar uma maratona para o Polo Sul. Uma bela história de superação, até que um ano depois de voltar dessa expedição, quatro semanas antes de seu casamento, Pollock caiu de uma janela do segundo andar e ficou paralítico das duas pernas.

Mas nem a paralisia fez Pollock perder sua perseverança. Meses depois ele se inscreveu no Project Walk, um centro de reabilitação que trata pacientes com lesões na medula espinhal, visando reconstruir a conexão do membro paralisado com o sistema nervoso. Com a fundação Mark Pollock Trust, seus amigos e conhecidos se mobilizaram com a história e juntaram dinheiro para reformar sua casa, adaptando-a para as debilitações de Pollock.

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Durante sua jornada, Pollock e sua noiva perceberam que há outras pessoas como ele que também precisam de ajuda, então passaram a fazer parte da Fundação Cristopher & Diana Reeve para apoiar pesquisas sobre paralisia. Foi lá que conheceram o fisiologista Dr. Reggie Edgerton, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), pesquisador na área de lesões na medula espinhal.

O Dr. Edgerton vem estudando maneiras de restabelecer parte desse controle motor para pacientes paraplégicos como Pollock. Ainda que não haja uma cura para a paralisia, há formas (ainda pouco acessíveis) de reconstruir essa conexão do membro. Ano passado, quatro homens paraplégicos conseguiram mover parcialmente suas pernas depois de implantes elétricos realizados em suas medulas espinhais.

Já este ano, em julho, o fisiologista desenvolveu um método não invasivo de estimular a medula por meio da pele, fazendo com que cinco homens conseguissem mover suas pernas enquanto deitados. Mas Pollock, com seus contatos e ciente das dificuldades para sua medula voltar ao que era antes, continuou procurando meios de adaptar sua deficiência, como o uso de um exoesqueleto.

Então ele encontrou a empresa Ekso Bionics, em São Francisco, que desenvolve essa construção externa que dá suporte a pessoas com paralisia que tentam ficar de pé e se mexer. Pollock ainda combinou o exoesqueleto com o último tratamento desenvolvido pelo Dr. Edgerton. Assim, o fisiologista estimulou a medula de Pollock enquanto ele estava de pé e continuou o tratamento por cinco dias. Observe o resultado:

“Comparado a ficar sentado na cadeira de rodas, ficar de pé no exoesqueleto é incrivel por si só”, segundo Pollock. “Mas ficar de pé e andar com o estímulo [na medula espinhal] é que nem mudar de um carro comum para a versão esportiva. Eu senti que minhas pernas estavam ganhando vida”, diz.

Agora, o Dr. Edgerton pretende desenvolver esse estímulo comercialmente a partir da criação de uma empresa chamada NeuroRecovery Technologies, com o objetivo de ajudar pessoas com paralisia a recuperar parte de sua mobilidade.

Realidade ou fantasia?

A frase acima fica em destaque no site de sua fundação, que pretende arrecadar 5 milhões de euros até 2020. “Nós acreditamos que a cura para lesões na medula espinhal apenas precisa das pessoas certas com vontade de fazer acontecer. Nossa missão é encontrar e conectar essas pessoas ao redor do mundo para acelerar a cura para a paralisia”, diz o site. A fundação atualmente organiza palestras, eventos de corrida e faz parcerias com médicos para trazer a cura à realidade.

Com sua história de vida fascinante, ele continua dando palestras motivacionais e “ajuda homens de negócios a conseguir mais do que eles acreditavam que fosse possível”, segundo outro site dedicado a Pollock. “A história de Mark move as pessoas de criar desculpas a fazer acontecer”, completa. Elas já foram ministradas para empresas como Google, Red Bull, HSBC e Canon, e algumas podem ser assistidas aqui.

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Ao contar sua experiência com um exoesqueleto em seu blog, Pollock comentou que, apesar de incrível, a experiência não é um milagre e não é o fim da história. “A vida não é sobre o futuro. É sobre experimentar a vida enquanto ela acontece. Conforme os dias passam e minha mente fica animada com o que posso ser no futuro, caio no perigo de sentir falta da experiência de vida fora da lesão na medula espinhal”, declarou.

De qualquer forma, o tratamento é tão animador para Pollock que ele o comparou a estar de volta no Polo Sul, correndo. “Eu tenho o mesmo sentimento de quando me preparei para ir para o Polo Sul”, comentou. Agora o sentimento apenas se manifesta de uma forma diferente, segundo ele.

A parte mais difícil acaba sendo sair do exoesqueleto, porque, com o mecanismo, as esperanças de andar novamente voltaram. “Mas é claro, depois do estudo, você tem de sair andando com uma cadeira de rodas sem nenhum estímulo”, disse Pollock.

Com informações: Business Insider, Telegraph, Irish Independent.

  • Adriel Mattos

    Duas coisas: desde 1981, vários termos para pessoas com deficiência deixaram de ser usados, tanto por incorreção quanto por preconceito embutido. “Paralítico” é uma delas, e o correto seria “pessoa com deficiência”, assim mesmo, sem especificar o tipo.

    E essa frase “muitas pessoas debilitadas têm uma vida normal” também é incorreta, como se uma pessoa com deficiência não poderia ter uma vida como qualquer outra — aliás normal em relação à deficiência não dá certo porque é muito relativo.

    No mais, o texto tá bacana, como sempre.

    • Ah vai se enxergar. Paralítico não pode ser usado para descrever alguém que perdeu o movimento das pernas? E cego para alguém que não enxerga? Deficiente visual vai de 1% a 100%, vai saber qual o nível de deficiência. Se eu digo cego, o interlocutor já sabe, NÃO ENXERGA NADA. Enfia o politicamente correto no ânus, já que a outra palavra não pode né? Quem é você para dizer como os outros devem falar? Se você aplica julgamento de valor, “preconceito”, a uma palavra que é apenas a descrição de uma condição, problema seu. Como é que você consegue ler um post com uma história foda como a deste cara e ficar aí de mimimi querendo censurar a fala do autor? Lixão.

      • Adriel Mattos

        Palmas, mas muitas palmas pra você, amigo! Um exemplo de educação e respeito!
        Não fui eu que determinei nada, não tente diminuir a luta das pessoas contra o preconceito, porque com certeza você não sofre com ele. A família do Mark pode não ver a deficiência dele, como você vê da forma mais simplista possível.

        • Qual preconceito existe ao falar que o cara é paralítico? Tem que ser muito estúpido para ver juízo de valor em uma palavra que descreve uma condição, um fato. Gay não pode também? E loiro, negro? Pode? Por favor, me ilumine no que posso ou não posso dizer. Lixo de mentalidade burra e escrota.

          • Adriel Mattos

            Não distorça o que eu disse, muito menos confunda as coisas. Quando for se referir às pessoas, com deficiência ou não, tenha respeito — o que você não soube ter comigo. Você não irá falar que uma pessoa com síndrome de Down é doente, é uma condição genética, não veio do nada. Você não irá falar que alguém é leproso, e sim que tem hanseníase. Você não fala que alguém é deficiente mental, e sim que é uma pessoa com transtorno mental.
            Temos várias formas de se referir, e você quer saber, procure.
            E mais uma vez: não diminua a luta das pessoas, não reforce o preconceito. Se fosse com você, não pensaria assim.

          • Mais uma vez, QUEM É VOCÊ para dizer como eu falo ou deixo de falar? Se alguém é deficiente mental, vou dizer que ele tem um transtorno? Ele é bipolar, esquizofrênico? Você nem sabe do que está falando, isso é só mais uma amostra da imbecilidade do politicamente correto. Volta pra goiaba e vai abraçar uma árvore.

          • Adriel Mattos

            É você que não sabe o que fala. Volte você para seu mundinho podre, preconceituoso e desprezível. Fale como quiser, então. Mas não vai ser você que vai parar a luta pela igualdade.

          • Preconceituoso eu? Por falar o óbvio e não ficar trocando palavras para não “ofender” os “pobrezinhos” dos deficientes? Pensa no que você está falando e no que está pensando quando age como você age. Eu, ao contrário de você, não vejo nada que menospreze uma pessoa ao dizer que ela é paralítica. Aliás, nem consigo entender como um retardado como você vê nessa palavra um julgamento de valor. Ah, retardado não pode também né? Seu imbecil. Imbecil é pra ofender mesmo.

          • Adriel Mattos

            Você, pelo visto, nunca verá. Um dia, esse ciclo acaba.
            Mais palmas pelo seu desrespeito.
            Obrigado pela “saudável” discussão.

    • Desde 1981 kkkk. E eu que não fui informado que a comissão internacional de normatização linguística tinha proibido. Foi malz.

      • Adriel Mattos

        Comissão de linguística?! Foi mesmo, foi a ONU, com base na luta dessas pessoas e entidades contra o preconceito e para a inclusão.
        Ah, cego ainda é um termo comum.

    • Tales Cembraneli Dantas

      é só uma questão de semântica…

  • DouglasFurtadoA7X

    Acho fantástico o uso da tecnologia para bons fins. A tecnologia é ótima, desde que tenha um bom objetivo.

  • Dio

    Parabéns a este cidadão que mesmo com suas limitações físicas não fica preso a sua condição, ao contrário de muitos que vivem presos a preguiça e vivem com desculpa para tudo na vida.