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Alcatel OneTouch Idol 3: o smartphone para quem gosta de música

O mercado de smartphones intermediários está bastante concorrido, mas a Alcatel pode entrar na disputa

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4 anos atrás
Nota Final 8

Nunca o mercado de smartphones intermediários foi tão agitado como agora. Com opções de Motorola, LG, Asus e até fabricantes novas, como Xiaomi e Quantum, chega a ser difícil escolher uma opção entre tantas boas alternativas. A Alcatel OneTouch é uma fabricante que ainda não tem muita visibilidade para o consumidor brasileiro, mas está lutando para deixar um smartphone dentro do seu bolso.

A Alcatel considera que o Idol 3 é um smartphone topo de linha, mas isso está longe de ser verdade. Fatores como o hardware utilizado e até mesmo seu preço fazem com que o lançamento seja apenas um bom smartphone intermediário. Mas com promessas de ser reversível e uma atenção especial para quem gosta de músicas, será que o Idol 3 deve ser digno de escolha no seu comparativo? Role a página e descubra conosco!

Design e pegada

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A versão do Idol 3 vendida no Brasil tem tela de 4,7 polegadas. É um aparelho com tamanho muito agradável, porque a mão abraça o smartphone por completo. Na contramão do mercado, que oferece telas cada vez maiores, o dispositivo deve agradar quem tem mãos pequenas e torce o nariz para dispositivos grandes.

A primeira sensação é de ser um smartphone bem frágil, principalmente por causa do peso de apenas 110 gramas. Embora seja um dispositivo com acabamento todo em plástico, a Alcatel não fez feio: os detalhes da borda cromada e o plástico texturizado na parte traseira transmitem a sensação de que é um produto acima da média. Existem dois alto-falantes idênticos, sendo um localizado no topo e outro na parte inferior do smartphone. Eles estão numa espessura diferente da tela, e isso faz parecer que o display está “flutuando”. Isso é muito legal.

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No geral, achei o Idol 3 muito bonito. A frente do dispositivo é bem limpa e não apresenta marcas da fabricante ou detalhe poluindo o visual. Diferente do antecessor Idol 2, os botões passaram a ser virtuais. E tudo isso foi pensado para fazer com que o smartphone seja “reversível”: um recurso de software permite que se use o smartphone de cabeça para baixo. Na lateral esquerda se encontram o botão liga/desliga e a bandeja para os chips Micro-SIM e na lateral direita fica o controle de volume. Dois microfones estão presentes, um no topo e outro na parte inferior.

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De tudo isso, o que não gostei foi o posicionamento do botão liga/desliga no lado esquerdo. Passei a vida inteira usando smartphones com o botão no topo (quando os aparelhos ainda eram pequenos) e na lateral direita. Essa alteração trouxe um certo desconforto, porque toda vez que fui ligar o aparelho acabava inconscientemente apertando o controle de volume no lado direito. Isso talvez agrade os canhotos (alô, Higa!*). A sorte é que é possível ligar e desligar a tela do telefone dando um duplo toque no display.

*Nota do editor: não.

Tela

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A Alcatel encontrou uma excelente combinação de tela para smartphone. São 4,7 polegadas e 1280×720 pixels. Você pode até achar pouco – existem vários smartphones com resolução bem maiores do que essa — mas garanto que não isso não é necessário. A densidade de 312 pixels por polegada torna impossível enxergar pixels a olho nu. Uma resolução maior também traz densidade maior, mas na prática há pouca diferença visual, além de um impacto bem maior no consumo de energia.

A tela possui tecnologia IPS, o que permite um ângulo de visão muito amplo. O brilho é forte o suficiente para permitir o uso do smartphone em ambiente com muita iluminação e a saturação de cores e contraste são bem agradáveis. A fabricante usou a expertise da Technicolor para fabricar essa tela, que usa a tecnologia Color Enhance. O nível de precisão de toque também agrada bastante.

Na caixa do aparelho temos uma película plástica para proteção da tela, mas recebi a unidade de testes já com um arranhão relativamente grande. Faltou algum tipo de proteção contra riscos no próprio vidro da tela, como o Gorilla Glass.

Software

Algumas fabricantes ainda não entenderam que o consumidor não quer uma interface muito diferente do padrão e aplicativos que ocupam espaço. A Alcatel acertou em partes: ao mesmo tempo que o sistema é pouco personalizado, o Idol 3 está cheio de aplicativos que talvez não agradem. A boa notícia é que é possível remover a maioria deles e, assim, liberar espaço no telefone.

Screenshot_2015-10-26-14-59-31De fábrica, estão instalados o Clean Master (aplicativo de limpeza e otimização de memória RAM), Dr. Safety (antivírus), SwiftKey (um dos teclados mais populares para Android) e WPS Office (suíte de produtividade), além dos jogos Carros: CDC, Puzzle Pets, Little Big City, Spider Man: Ultimate.

Também existem ferramentas criadas pela própria Alcatel: Gravador de Som, Lanterna (desnecessário, já tem um toggle acessível pela central de notificações), Marcas (leitor de tags NFC), Gerenciador de Arquivos, Mix (reprodutor de música), Navegador de internet (desnecessário, já existe o Google Chrome), Observações (bloco de notas), OneTouch Care (suporte), Recarga Alcatel (ferramenta para recarga de telefones pré-pagos), Smart Live (loja de aplicativos) e Smart Suite (para gerenciar o smartphone pelo computador). Ufa!

O launcher segue o padrão do Android com pequenas modificações: no lugar do Google Now está o OneTouch Stream, que é uma tela bem parecida com o serviço e exibe notícias, previsão do tempo, itens do calendário e uma seleção de papel de parede.

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A tela de bloqueio também é modificada. Além dos tradicionais atalhos para o discador e câmera, outros cinco ícones estão disponíveis para acesso rápido – calculadora, aplicativo de música, tirar selfie, adicionar contato e ler QR Codes. Uma pena que esse menu não é personalizável, uma vez que esse tipo de acesso economiza tempo e se mostrou verdadeiramente útil.

O que me irritou foi a modificação nos ícones nos aplicativos nativos. A Alcatel refez os ícones dos principais itens de sistema num formato quadrado com cantos arredondados. Isso não faz sentido: basta abrir o menu de aplicativos e observar que não adianta tentar forçar um padrão que outros aplicativos não irão seguir.

Cada smartphone tem um ponto chave. Para a Alcatel, o diferencial principal do Idol 3 é ser um smartphone reversível. Isso significa que você pode utilizar o dispositivo de cabeça para baixo já que a tela gira junto com o telefone. Sinceramente, esse é um recurso que não deveria chamar atenção. Não é nada que seu smartphone Android possa fazer com uma pequena instalação de aplicativo disponível na Play Store, como esse ou esse.

Multimídia

Um dos pontos fortes do Idol 3 é a multimídia. Isso se torna perceptível logo que você abre a caixa: os fones de ouvido que acompanham o produto são da marca JBL, famosa por produzir equipamentos de áudio de boa qualidade. Os fones são no padrão intra-auricular e acompanham borrachas de todos os tamanhos para que você encontre a ideal para sua orelha.

A qualidade de som é muito boa, apresentando uma ótimo balanço entre graves e agudos. Mesmo com volume no máximo não há distorções ou ruídos inesperados. Aliás, o volume máximo com fones de ouvido nesse smartphone é bem acima da média do que já encontrei em aparelhos concorrentes.

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Além do fone de ouvido, os speakers do aparelho também são assinados pela JBL. A reprodução via altofalante já decepciona um pouco: encontrei distorções e ruídos na principalmente na hora da reprodução de graves. Me assustei com a capacidade das caixinhas, que suportam um volume muito alto. Espero que as pessoas que escutam música sem fone de ouvido no transporte público não descubram esse smartphone.

Para uma experiência de áudio melhor, está presente no sistema o player Mix. Ele foi desenvolvido pela JBL e é exclusivo para o Idol 3. É um reprodutor de áudio como qualquer outro, mas traz funções avançadas de equalização e uma espécie de mixer: basta girar o telefone para a horizontal que seu telefone se transforma em uma mini pick-up de DJs. É possível adicionar duas músicas ao mesmo tempo, reproduzir diversos efeitos sonoros e até mesmo gravar o que você mixou. É um recurso legal para brincar de vez em quando, mas não vejo muita utilidade no dia a dia.

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Quanto à reprodução de vídeos, é possível tocar arquivos XviD e H.265 no player nativo do aparelho. Caso você queira assistir algo em outro formato, basta baixar o VLC ou MX Player gratuitamente na Play Store.

Câmera

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A câmera do Idol 3 tem 13 megapixels e lente com abertura f/2,0, o que se tornou algo comum em smartphones atuais. O aplicativo da câmera é bem simples de usar e traz modo manual (!), HDR, panorama, timelapse, scanner de código de barras e um modo embelezador.

Normalmente, o ponto fraco de smartphones intermediários é a câmera. Com o Idol 3 não foi muito diferente. O sensor consegue captar boas fotos em ambiente com luz natural, mas há uma grande deficiência para cenas capturadas em locais iluminados artificialmente ou com baixa condição de luz. Todas as fotos abaixo foram capturadas utilizando o modo automático.

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f/2, 1/2395s, ISO 100

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Houve um excesso de pós-processamento, mas adorei essa foto. f/2, 1/157s, ISO 100

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f/2, 1/40s, ISO 343

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f/2, 1/1065, ISO 100

IMG_20150912_175006

f/2, 1/379s, ISO 100

Ambiente com iluminação artificial

Ambiente com iluminação artificial. f/2, 1/40s, ISO 809

Ambiente com iluminação artificial

Ambiente com iluminação artificial. f/2, 1/15s, ISO 2264

Show/teatro (foto realizada com autorização prévia do evento)

Show/teatro (foto realizada com autorização prévia do evento). f/2, 1/50s, ISO 117

(Tentativa de) foto noturna, fotografia de uma varanda de um prédio

(Tentativa de) foto noturna, fotografia de uma varanda de um prédio. f/2, 1/10, ISO 3328

Para as selfies, a câmera frontal tem resolução 5 megapixels e ângulo de abertura de 84º, permitindo que mais pessoas ou objetos caibam na foto. Na prática os resultados não são muito agradáveis: é muito difícil tirar um autorretrato que não saia tremido, mesmo com o modo automático capturando a cena com exposição de 1/40. Veja um exemplo:

IMG_20151013_172640

Mesmo mantendo a mão bem firme, a selfie continuou tremida. E essa foi a melhor que consegui. f/2.65, 1/30s, ISO 132

O Idol 3 é capaz de fazer vídeos em resolução Full HD. A qualidade da gravação não impressiona: o microfone capta bastante ruídos e abafa a voz, e a estabilização de imagem não é das melhores. Considere essa função como quebra-galho. Ah, os efeitos de realidade aumentada do Snapchat não funcionam nesse aparelho. Veja um vídeo de teste:

Desempenho e bateria

O Idol 3 tem processador Snapdragon 410 quad-core de 1,2 GHz. A GPU é uma Adreno 306 e o smartphone possui 1,5 GB de RAM. Ele acompanha o Android 5.0.2 e, no geral, apresenta um bom desempenho, mesmo com uso frequente de multitarefa. É claro que quem está acostumado com aparelhos com maior capacidade de processamento deve notar diferença na hora de executar tarefas e jogos pesados, mas no geral o sistema é bem fluido e sem travamentos.

Para quem gosta de benchmarks sintéticos, abaixo se encontram os testes do AnTuTu v5.7.1 e do Geekbench 3:

benchmarks-idol3

A bateria do Idol 3 tem apenas 2000 mAh, mas a Alcatel fez um trabalho de otimização de software bom o suficiente para permitir um consumo de energia satisfatório para a capacidade. Os proprietários provavelmente não precisarão recarregar o smartphone antes de anoitecer.

Com o smartphone carregado, coloquei para reproduzir um episódio de How To Get Away With Murder (43 minutos) na Netflix, com brilho no máximo, fones de ouvido e conexão via Wi-Fi e a bateria caiu de 99% para 86%. Logo em seguida, ouvi músicas em MP3 no aparelho por 50 minutos, saindo de 86% para 80%. Usei redes sociais (Twitter, Facebook e Telegram) por cerca de meia hora e a bateria caiu para 75%. Por fim, o smartphone reproduziu A Origem (2h28min) também via Netflix em rede Wi-Fi e brilho no máximo e a bateria saltou de 75% para 36%. A autonomia não é espetacular, mas está longe de ser ruim: foram 4 horas e meia de uso intenso que consumiram 63% de bateria.

Demais observações

  • As grades dos alto-falantes acumulam muita sujeira. Prepare-se para limpá-las com frequência;
  • O smartphone possui Wi-Fi compatível apenas com redes de 2,4 GHz. Já é padrão da indústria incluir suporte a redes de 5 GHz mesmo em dispositivos intermediários;
  • O aparelho tem capacidade nominal de 16 GB, mas 10,19 GB livres para o usuário, e não há entrada para microSD;
  • Apenas o SIM 1 é compatível com 4G. O chip que estiver no slot SIM 2 acessará apenas redes 2G;
  • O produto acompanha um carregador bivolt de 5V e 1A. A bateria demorou cerca de 2 horas para carregar de 0 a 100%.

Conclusão

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O mercado de smartphones intermediários está bastante concorrido. Entre as diversas boas opções, temos o Moto G de 3ª geração, o recém lançado Quantum Go, o Redmi 2 (agora numa versão com o dobro de memória) e também o Zenfone Go. O Idol 3 certamente pode entrar nessa lista.

Seu tamanho agrada bastante e, mesmo sendo construído em plástico, a qualidade de acabamento é muito boa. O desempenho é relativamente interessante para a categoria e a câmera faz boas fotos em ambientes com boa iluminação. O foco excessivo da Alcatel no “diferencial” de reversibilidade é algo que acaba prejudicando o marketing do produto: é uma função inútil. Seria melhor utilizar a bandeira de smartphone próprio para música, que é algo que o Idol 3 faz muito bem.

A impossibilidade de expandir espaço por cartão de memória e a ausência de proteção de tela Gorilla Glass são os maiores defeitos do produto. Recebi a unidade de testes já com um arranhão relativamente grande, e a fabricante já entrega a necessidade de uso de película de proteção ao incluí-la diretamente na caixa do produto.

O preço sugerido de lançamento, de R$ 1.099, distancia o produto do restante da categoria, mas hoje o smartphone é facilmente encontrado no varejo na faixa dos 800 reais. Por esse valor, é válido colocar o Idol 3 na sua lista de opções de dispositivos intermediários.

Nota Final 8
Design
9
Tela
8
Câmera
7
Desempenho
8
Software
9
Bateria
8
Conectividade
7

Especific

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