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Não tente consertar um Surface Book em casa

Não será nada fácil desmontar e reparar um Surface Book. Resta saber se isso será mesmo necessário.

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4 anos atrás

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No início da computação pessoal, tudo era focado em customização. Os computadores eram projetados para que seus donos pudessem abrir, virar do avesso, trocar as placas internas e plugar todo tipo de periférico revolucionário que por ventura algum maluco do Vale do Silício viesse a inventar.

Esse foi inclusive o motivo de uma das primeiras discussões acaloradas entre os ainda jovens Steve Jobs e Steve Wozniak. Woz queria um produto para os geeks. Jobs queria criar um computador que a pessoa pudesse comprar e usar, sem ter que aprender todos os detalhes de configuração e montagem.

Esse trecho de suas vidas foi muito bem apresentado no filme Steve Jobs. Se você não assistiu ainda, fique aqui com um trailer comentado pelo próprio Woz:

No meio dessa indefinição de estratégias e custos, o PC foi ganhando mercado. Muito mercado. Talvez o mundo não estivesse pronto para o que Jobs estava tentando oferecer, mas o fato é que a gigantesca parcela do mercado era formada por computadores com uma plataforma PC inspirada/copiada da IBM, totalmente personalizável.

E assim o mercado se manteve por muito tempo. Computadores com Windows eram sinônimo de tela az… digo, customização. Quase ninguém entrava numa loja para comprar um computador fechado. Normalmente alguém da família ou um técnico de confiança ajudava na escolha de cada uma das peças, gabinete, placa-mãe, modem, processador, memória e kit multimídia. E montava, na raça. E fazia manutenções periódicas (mentira, só abria quando dava problema, ou quando “tinha vírus”).

Se pararmos para pensar, esses verdadeiros frankensteins funcionavam até que muito bem, dado o contexto. Claro que o Windows ficava maluco com a diversidade de componentes e drivers que existiam dentro destas máquinas, e eventualmente travava. E a Microsoft que levou essa culpa por anos. Acontece.

Ainda existem pessoas hoje em dia que gostam de montar seus próprios computadores, mas isso está cada vez mais raro e virou coisa de geek. De novo. Engraçado como o mundo da tecnologia dá voltas.

Entra em cena o Surface Book

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Finalmente, depois de décadas, a Microsoft possui um produto mais restritivo, difícil de ser aberto ou consertado, com um sistema operacional redondinho e casado com a configuração de hardware. Por um lado, talvez esse seja o fator que vá fazer das telas azuis algo raríssimo e coisa do passado de uma vez por todas. Por outro lado, nunca um produto com Windows se pareceu tanto com um equipamento da Apple.

O pessoal do iFixit, que sempre desmonta computadores e gadgets para definir o grau de dificuldade de manutenção, não perdeu tempo e foi fazer a análise do Surface Book. A conclusão? De 1 a 10, sendo 10 o mais fácil possível, o novo notebook de alta performance da Microsoft recebeu nota 1! O mais difícil possível.

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Entre outros fatores, a equipe descobriu que:

  • O SSD pode ser substituído, mas o trabalho para chegar até ele é enorme!
  • Existe uma bateria colada ao visor (para quando a gente precisar separá-lo do teclado). Ela pode ser removida, mas é preciso muito tato para não danificar o produto.
  • A mesma coisa vale para a bateria da base, que usa ainda mais cola.
  • O conjunto da tela consiste de um painel de vidro e o visor de LCD, que exigem toda uma complexidade para serem removidos e substituídos.
  • O processador e a memória são soldados à placa-mãe.
  • Um produto adesivo muito forte é usado para manter quase todos os componentes juntos.
  • A maior parte dos componentes está na parte de trás de suas respectivas placas-mãe, o que exige sua remoção para a troca de peças mais simples.

Curiosidade: o Surface Book usa a mesma memória do seu primo menos abastado, o Surface Pro 4. E o trackpad foi feito pela Synaptics, conhecida pela qualidade de suas superfícies capacitivas.

Confira como ficou o Surface Book depois de ser completamente desmontado:

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O geek de tecnologia que habita meu ser está bem incomodado e espera de verdade que a Microsoft faça uma melhoria nas próximas versões, que permita um procedimento de abertura menos complexo. Ou pelo menos o upgrade de SSD.

Mas no fundo eu me pergunto: vivemos numa época na qual as empresas simplesmente substituem computadores inteiros quando eles apresentam defeito, seja por novos modelos, seja por unidades remodeladas (os chamados refurbished). Será que o grau de dificuldade de conserto vai impactar na decisão dos prováveis consumidores?

Eu sou o Toad (Matheus Gonçalves). Talvez alguns me conheçam desse mundo maluco da tecnologia, e a partir de hoje tenho o prazer de escrever para vocês aqui no Tecnoblog. Forte abraço!