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O que o Google pode fazer com um processador próprio?

Evidências apontam que o buscador está investindo na realidade aumentada, que requer recursos específicos

Jean Prado Por

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Você já deve saber que iPhones e Androids têm diferenças quanto aos processadores: ainda que a maioria dos smartphones do mercado use chips com arquitetura ARM, é a própria Apple quem desenvolve os chips dos iPhones, o que gera uma vantagem competitiva e permite a inclusão de otimizações específicas de hardware.

Dessa forma, além de produzir um chip otimizado para as necessidades do iPhone, a gigante de Cupertino consegue fazer um processador excelente. Isso normalmente viria aliado a um custo de produção alto do chip ― o que não é tão preocupante, porque a única coisa que ela precisa é vender o iPhone, não o processador.

A Qualcomm e outras concorrentes não têm esse luxo: se o processador fabricado for muito caro, elas não conseguiriam vendê-lo para as fabricantes. Isso não é necessariamente ruim: a Qualcomm consegue produzir ótimos processadores com um custo razoável que se encaixam bem na maioria dos Androids.

O problema é quando o processador precisa ser usado para programas mais específicos, como o Project Tango, do Google. Segundo o The Information, o buscador deu o primeiro passo para desenvolver seus próprios chips, enviando uma lista de solicitações para fabricantes de processadores.

Isso pode significar duas coisas, que não necessariamente se eliminam: o Google quer diminuir a fragmentação do Android unificando os processadores dos dispositivos ou investir em realidade virtual e aumentada. Assim, um possível sistema para VR e otimizações para o Project Tango poderiam surgir.

HoloLens, da Microsoft, é um projeto de realidade aumentada.

HoloLens, da Microsoft, é um projeto de realidade aumentada.

Em março, o Wall Street Journal revelou que a gigante de Mountain View estaria desenvolvendo um sistema de VR baseado no Android. Alguns executivos que eram líderes do Google Search, Now e Android Wear passaram a fazer parte do grupo de realidade virtual.

Esse processador personalizado seria mais uma evidência de que o Google está apostando em transformar a realidade (literalmente). O The Information diz que o buscador quer uma câmera que seja capaz de “escanear o ambiente e analisar as imagens nos sistemas do Google baseados na nuvem”, além de “retornar o contexto”. Ele também pede “sensores poderosos para que o celular colete mais dados ao seu redor”.

Quanto ao núcleo do processador, o Google exige “mais capacidade de memória dentro do processador principal do celular, para que o chip não precise de uma memória separada para realizar certas tarefas” ― ou seja, um cache maior. O buscador também quer que a fabricante seja capaz de fazer processadores para um “dispositivo de conectividade empresarial”.

Como aponta o Ars Technica, “a realidade aumentada exige muito de um processador. Sobrepor uma imagem 3D em um feed de vídeo ou em um display transparente significa medir constantemente o espaço em frente ao display em 3D e renderizar e posicionar os objetos naquele espaço em 3D várias vezes por segundo. Você está escalando CPU, GPU, câmeras e acelerômetros na potência máxima o tempo inteiro”. Faz sentido que o Google crie um processador customizado então.

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E quanto ao Android? Apesar de pedir um processador que se encaixa muito bem em um dispositivo de realidade virtual, nada impede o Google de querer deixar o ecossistema do Android mais unificado com um processador próprio. Com isso, os smartphones teriam uma performance consistente, suportariam os mesmos aplicativos, seriam mais otimizados para os serviços do Google e receberiam atualizações sem um atraso de meses.

Ainda há o bônus do Google desenvolver o sistema operacional que vai trabalhar junto com esse processador ― se tem alguém que sabe qual componente ajuda ou atrapalha o Android, é o próprio Google. Isso poderia evitar Androids com um processador atual mas uma performance ruim, como aconteceu com o Galaxy S5 no lançamento; até o Moto E era mais rápido em algumas tarefas (!).

Mesmo fabricando os processadores de seus tops de linha mais recentes, a Samsung ainda não descobriu como otimizar cada canto do Android, como acontece com o Galaxy S6 Edge+ e Note 5, que têm 4 GB de RAM e falham na multitarefa ― até o iPhone 6 com 1 GB de RAM se sai melhor.

O Engadget lembra que as dificuldades financeiras e o baixo lucro com smartphones das principais fabricantes (Samsung, HTC, LG e Sony) faz com que elas não necessariamente deem seu melhor ― então faz sentido para o Google movimentar esse tipo de tecnologia.

Otimizações que o Snapdragon 810 oferece.

Otimizações que o Snapdragon 810 oferece.

No entanto, ainda não dá pra saber se o Google vai conseguir encontrar uma fabricante. Como a MediaTek e a Qualcomm lucram vendendo os processadores, ora desenvolvendo arquiteturas com otimizações próprias (como o Krait), ora licenciando as da ARM, pode não ser vantajoso produzir um processador que é quase igual ao que elas fabricam. Dessa forma, o Google teria de recorrer a fabricantes chinesas, mas, como mostra o Information, elas não costumam oferecer os melhores modems, o que pode prejudicar a qualidade do chip.

Ainda há quem acredite que mais uma fabricante de chips (no caso, o próprio Google) pode até agravar a fragmentação da plataforma. Isso ainda depende da postura que o buscador terá sobre a distribuição de seu processador próprio, se é que ele pretende estendê-lo para todos os dispoitivos Android.

Com as informações de agora, seria apenas um grande chute falar sobre como ficaria o Android com um processador próprio do Google. Com o que temos, as evidências apontam para um grande investimento em realidade virtual. Se o Google vai conseguir uma fabricante e conciliar as duas possibilidades, só o tempo dirá.

Realidade aumentada e o futuro dos wearables

Não está familiarizado com o conceito de realidade aumentada? Basicamente, o usuário veste um dispositivo parecido com um óculos de VR, mas o visor acaba projetando um certo conteúdo a sua frente. Isso pode até ser usado para aprender medicina.

No Tecnocast 019, conversamos sobre como essas novas tecnologias podem se adequar ao mercado, contamos a nossa experiência e damos um palpite sobre dois temas. A realidade aumentada, como o que a Microsoft faz com o HoloLens, pode vingar? Como os wearables vão se adaptar ao mercado? O botão de play fica logo abaixo!

Realidade aumentada e o futuro dos wearables

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logan Carvalho
"Basicamente, o usuário veste um dispositivo parecido com um óculos de VR, mas o visor acaba projetando um certo conteúdo a sua frente." Não necessariamente. Não é necessário vestir.
Guaip
Pois é, esses atom Z tão por aí, mas ainda não em grande escala. Tem um motivo para Samsung, LG, Sony, etc não usarem eles. Seja preço, desempenho, consumo ou aquecimento. Talvez esses novos sejam bons mesmo, mas se Qualcomm, Mediatek e Samsung evoluirem seus ARM para ficar parelho, a um custo menor, vai continuar com espaço limitado. O que é uma pena, pois queria ver a intel com mais força por aí. A sorte é que se trata de um mercado que pode mudar muito rápido. Daqui 2 anos, quase ninguém mais está com o mesmo smartphone, então sempre haverá espaço para alguém conquistar uma parte do mercado.
Júnior Antunes
Cara a Intel já está no mercado mobile e com processadores com muito bom desempenho só que na Arquitetura x86. Em breve ela está para lançar seu processador com litografia de 14nm o que resolverá a questão do consumo mais elevado que os ARM atuais.
Bruno Pinho
Também tive um S3 e concordo com vc que a TW naquela época era uma bosta. Mas atualmente evoluiu muito, não tem nem o que comparar a de hoje com a antiga. Quase nenhum bloatware, está bem clean o visual. Uso o Arrow Launcher (da MS) que gosto muito e posso lhe dizer: meu S6 edge+ é top demais, nunca usei nada parecido.
Hao123
Já tive um S3 e conheço muito bem os problemas da Touchwiz, e nem tô falando de lentidão não. Uma vez acostumado com uma interface clean da linha Moto eu nunca mais quero um Samsung na minha vida, exceto se for um Note 4 (ou Note 5) de graça ou quase de graça.
Anakin
Laposa te conquistou? haha
Bruno Pinho
Saí de um Moto X2 para o Edge+. A diferença de desempenho é gritante, amigo. Não tem nem comparação...
Daltro Campanher de Souza
Gerenciamento de memória do iOS também ajuda nisso. Visto que tem algumas restrições e meio que um sistema de permissões dentro do gerenciamento de recursos. Vide WhatsApp Web que demorou mais pra chegar até a plataforma...
Bruno ?
Então é isso mesmo, o iPhone 6 tem um multitarefas melhor que os Galaxys citados.
Srº Rafael
Gostei da Matéria. Parebens!
Keaton
Offtopic: no publieditorial "25 dicas da GVT: seja um expert em games online" faltou a 26ª dica: não usar a porcaria da GVT.
evefavretto
O Android em si provavelmente se beneficiaria mais de uma camada de abstração do hardware(tipo um UEFI) que permita que pelo menos partes do software possam rodar entre devices sem recompilar para cada um deles do que unificar hardware. Dito isso, o próprio rumor dá a entender que o foco desses SoCs que o Google iria fabricar seria para RV. Com uma licença de arquitetura da ARM, o infinito e além é possível, pois poderiam criar um processador da forma como quisessem. Se quisessem terceirizar, a Nvidia seria uma parceira interessante: tem boas relações com o Google, tem licença de arquitetura, faz SoCs pra Android e já tem contratos pra fabricar chips.
Alberto Prado
Bom eu nunca tinha ouvido fala nessa restrição. Mas da uma olhada aqui. https://tecnoblog.net/133196/amd-seattle-arm-cortex-a57/
Murilo Calegari
A AMD eu acho que tem alguma restrição para produzir esses processadores. Eu não lembro se ela não pode fabricar nenhum processador mobile ou ela não pode fabricar um processador ARM.
Leonardo Ribeiro
Não, no review do edge+, o redator deixa bem claro que ele não sabia o motivo da economia de ram, mas já no review do note 5, a explicação está la.
abraaocaldas
É que o pessoa fazia mimimi com a quantidade de RAM livre, ai ela mudou e fica com o máximo de ram livre possível sempre, ai o pessoal faz mimimi.
abraaocaldas
Me desculpa, mas esses "speedtests" usando o dedinho para mim não valem nada e o pior, nem nas mesmas condições, parei na parte onde um dispositivo não tem nenhuma e o outro cheia de imagens, onde estavam essas imagens? memória interna? SD Card? ah vá...
Guaip
E não se importam em desenvolver (ou adaptar) seu hardware para produtos fechados específicos, como XOne/PS4. Mas sei lá, talvez não seja tão simples assim. Quando olho pra intel, não entendo como eles não fazem uma divisão ARM para competir com a Qualcomm. $$ pra investir eles tem. Mesmo que na visão deles isso não seja o futuro, deveriam pensar em aumentar sua presença nesse mercado.
Hao123
Pergunta: O que o Google pode fazer com um processador próprio? Resposta: Data mining. (Não duvide!).
Hao123
Há realmente uma larga vantagem no multitarefas do iPhone 6 sobre o S6 Edge +, mas isso se deve não por mérito da Apple, mas por irresponsabilidade da Samsung, que mesmo num telefone com 4Gb de memória não soube gerenciar corretamente esse recurso. No S6 Edge + os aplicativos simplesmente "somem" da memória com o tempo, sendo que o "pobrezinho" tem nada mais que 4Gb. Meu Moto X da segunda geração, que tem metade da Ram do Edge +, consegue lidar melhor com o multitarefas. Ponto negativo para a Samsung!
Adam Lewis Charger
Não sei, meu primo que tem um iPhone 6 se impressiona com o Multitarefa do Moto X 1ª gen toda vez que ele pega na mão.
Bruno ?
Mas não foi isso o constado nos reviews aqui do tecnoblog?
Alberto Prado
Olha, pelos requisitos ali eu vi uma oportunidade desenhada para a AMD. Ela tem knowhow de processamento 3D e tá bem avançada no reconhecimento de imagens e disse a algum tempo atrás que iria começa a fabricar processadores da arquitetura ARM. Os proc dela tem um alto I/O e costumam ter muito cache.
Leonardo Ribeiro
Exageraram um pouco falando que até o iPhone 6 tem multitarefa melhor que a do S6 edge+ e note 5.