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O que o Google pode fazer com um processador próprio?

Evidências apontam que o buscador está investindo na realidade aumentada, que requer recursos específicos

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3 anos atrás
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Você já deve saber que iPhones e Androids têm diferenças quanto aos processadores: ainda que a maioria dos smartphones do mercado use chips com arquitetura ARM, é a própria Apple quem desenvolve os chips dos iPhones, o que gera uma vantagem competitiva e permite a inclusão de otimizações específicas de hardware.

Dessa forma, além de produzir um chip otimizado para as necessidades do iPhone, a gigante de Cupertino consegue fazer um processador excelente. Isso normalmente viria aliado a um custo de produção alto do chip ― o que não é tão preocupante, porque a única coisa que ela precisa é vender o iPhone, não o processador.

A Qualcomm e outras concorrentes não têm esse luxo: se o processador fabricado for muito caro, elas não conseguiriam vendê-lo para as fabricantes. Isso não é necessariamente ruim: a Qualcomm consegue produzir ótimos processadores com um custo razoável que se encaixam bem na maioria dos Androids.

O problema é quando o processador precisa ser usado para programas mais específicos, como o Project Tango, do Google. Segundo o The Information, o buscador deu o primeiro passo para desenvolver seus próprios chips, enviando uma lista de solicitações para fabricantes de processadores.

Isso pode significar duas coisas, que não necessariamente se eliminam: o Google quer diminuir a fragmentação do Android unificando os processadores dos dispositivos ou investir em realidade virtual e aumentada. Assim, um possível sistema para VR e otimizações para o Project Tango poderiam surgir.

HoloLens, da Microsoft, é um projeto de realidade aumentada.

HoloLens, da Microsoft, é um projeto de realidade aumentada.

Em março, o Wall Street Journal revelou que a gigante de Mountain View estaria desenvolvendo um sistema de VR baseado no Android. Alguns executivos que eram líderes do Google Search, Now e Android Wear passaram a fazer parte do grupo de realidade virtual.

Esse processador personalizado seria mais uma evidência de que o Google está apostando em transformar a realidade (literalmente). O The Information diz que o buscador quer uma câmera que seja capaz de “escanear o ambiente e analisar as imagens nos sistemas do Google baseados na nuvem”, além de “retornar o contexto”. Ele também pede “sensores poderosos para que o celular colete mais dados ao seu redor”.

Quanto ao núcleo do processador, o Google exige “mais capacidade de memória dentro do processador principal do celular, para que o chip não precise de uma memória separada para realizar certas tarefas” ― ou seja, um cache maior. O buscador também quer que a fabricante seja capaz de fazer processadores para um “dispositivo de conectividade empresarial”.

Como aponta o Ars Technica, “a realidade aumentada exige muito de um processador. Sobrepor uma imagem 3D em um feed de vídeo ou em um display transparente significa medir constantemente o espaço em frente ao display em 3D e renderizar e posicionar os objetos naquele espaço em 3D várias vezes por segundo. Você está escalando CPU, GPU, câmeras e acelerômetros na potência máxima o tempo inteiro”. Faz sentido que o Google crie um processador customizado então.

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E quanto ao Android? Apesar de pedir um processador que se encaixa muito bem em um dispositivo de realidade virtual, nada impede o Google de querer deixar o ecossistema do Android mais unificado com um processador próprio. Com isso, os smartphones teriam uma performance consistente, suportariam os mesmos aplicativos, seriam mais otimizados para os serviços do Google e receberiam atualizações sem um atraso de meses.

Ainda há o bônus do Google desenvolver o sistema operacional que vai trabalhar junto com esse processador ― se tem alguém que sabe qual componente ajuda ou atrapalha o Android, é o próprio Google. Isso poderia evitar Androids com um processador atual mas uma performance ruim, como aconteceu com o Galaxy S5 no lançamento; até o Moto E era mais rápido em algumas tarefas (!).

Mesmo fabricando os processadores de seus tops de linha mais recentes, a Samsung ainda não descobriu como otimizar cada canto do Android, como acontece com o Galaxy S6 Edge+ e Note 5, que têm 4 GB de RAM e falham na multitarefa ― até o iPhone 6 com 1 GB de RAM se sai melhor.

O Engadget lembra que as dificuldades financeiras e o baixo lucro com smartphones das principais fabricantes (Samsung, HTC, LG e Sony) faz com que elas não necessariamente deem seu melhor ― então faz sentido para o Google movimentar esse tipo de tecnologia.

Otimizações que o Snapdragon 810 oferece.

Otimizações que o Snapdragon 810 oferece.

No entanto, ainda não dá pra saber se o Google vai conseguir encontrar uma fabricante. Como a MediaTek e a Qualcomm lucram vendendo os processadores, ora desenvolvendo arquiteturas com otimizações próprias (como o Krait), ora licenciando as da ARM, pode não ser vantajoso produzir um processador que é quase igual ao que elas fabricam. Dessa forma, o Google teria de recorrer a fabricantes chinesas, mas, como mostra o Information, elas não costumam oferecer os melhores modems, o que pode prejudicar a qualidade do chip.

Ainda há quem acredite que mais uma fabricante de chips (no caso, o próprio Google) pode até agravar a fragmentação da plataforma. Isso ainda depende da postura que o buscador terá sobre a distribuição de seu processador próprio, se é que ele pretende estendê-lo para todos os dispoitivos Android.

Com as informações de agora, seria apenas um grande chute falar sobre como ficaria o Android com um processador próprio do Google. Com o que temos, as evidências apontam para um grande investimento em realidade virtual. Se o Google vai conseguir uma fabricante e conciliar as duas possibilidades, só o tempo dirá.

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