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Monitore as doações para campanhas políticas neste site

Fundação Getúlio Vargas apresenta o Transparência Política, portal que conecta doações a políticos

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3 anos e meio atrás

Como ter acesso às informações de receita dos candidatos e partidos políticos que participam das eleições? Basta ir ao site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e buscar os números por candidato ou doador. Mas… isso não é tão intuitivo assim. Como era de se esperar, o site parece nos levar de volta para 2008.

Como acessar essas informações de uma forma convidativa e simplificada, então? Acesse o recém-inaugurado portal de Transparência Política, lançado nesta segunda-feira (30) pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (DAPP/FGV). O site é dividido em duas seções: Mosaico Eleitoral e Câmara Transparente.

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No Mosaico Eleitoral, é possível navegar pela prestação de contas dos candidatos a presidente, senador, governador e deputado federal na eleição de 2014, com dados oferecidos pelo próprio TSE, mas muito mais apresentáveis, porque foram tratados e reordenados pelo DAPP. Você pode filtrar as informações por partido político ou por setor econômico das empresas que doaram recursos.

Não é por acaso que essa página se chama “mosaico”: as informações são organizadas por quadros, com a quantia doada ou recebida e a porcentagem correspondente. Você pode clicar nos partidos ou setores para explorar o direcionamento dos recursos e ir navegando pelas empresas que doaram.

Doações feitas à campanha da presidente Dilma Rousseff

Doações feitas à campanha da presidente Dilma Rousseff

Doações feitas ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ)

Doações feitas ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ)

Em apenas alguns segundos, é possível ter acesso a informações mais claras que o site do TSE. Quanto às doações, além de mostrá-las de forma direta (empresa ao candidato), o site também traça a doação ao partido político, que depois repassa o valor cheio ao candidato. Também são disponibilizadas informações sobre as pessoas físicas que fizeram as doações.

Para simplificar as mais de 700 entradas que o banco de dados do TSE oferece sobre as empresas que doaram aos partidos, o DAPP reorganizou a lista em 31 categorias referente à área de atuação dessas companhias, como agropecuária, financeiros/seguros/consórcios, construção/engenharia/infraestrutura urbana e outras.

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Já na seção da Câmara Transparente, as informações são organizadas para indicar quem financiou nossa representação política. R$ 712 milhões foram direcionados aos deputados federais (mais que os R$ 645 milhões da campanha à presidência), sendo que a indústria de alimentos JBS, responsável por marcas como Friboi e Seara, doou R$ 57 milhões (8,1% do total).

Em segundo aparece a construtora Andrade Gutierrez, que financiou 68 políticos com R$ 10,1 milhões (1,4%) das doações. A construtora está sendo investigada na Operação Lava Jato por corrupção e fraude de licitações, e seu presidente continua preso desde junho.

A aba de Radar Partidário mostra quanto foi direcionado para cada partido, agrupando as doações direcionadas aos deputados federais. O banco BTG Pactual, cujo presidente foi preso na semana passada por suspeita de planejar a obstrução das investações da Operação Lava Jato, é responsável por doar R$ 3,5 milhões a deputados do PMDB (33%), PP (17%), PSDB (14,2%), PT (12,9%), PSD (12,8%), PSB (8,5%) e PMN (1,4%). Cerca de 84% das doações foram feitas de maneira indireta (do banco ao partido e depois ao candidato). Os repasses também podem ser filtrados por localização na aba de Mapa das Doações.

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Como são formadas comissões na Câmara dos Deputados para legislar e fiscalizar sobre determinadas instâncias, o DAPP também traçou a participação dos deputados em cada comissão e ligou-os às doações feitas pelas empresas, disponível na aba Comissões. A Comissão de Minas e Energia é a que tem parlamentares que receberam mais doações: são R$ 68,9 milhões acumulados, seguida bem de perto pela Comissão de Finanças e Tributação (R$ 67,5 milhões) e pela Comissão de Constituição e Justiça (R$ 67,4 milhões).

Os dados na seção Câmara Transparente são referentes à campanha de 2014. Segundo o jornal O Globo, nas próximas eleições, o DAPP estuda cruzar dados do CPF de doadores com os CNPJs para ligar pessoas físicas a empresas, visto que o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu a doação de empresas a campanhas políticas.

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