Tarântula azul

As telas evoluíram bastante nos últimos anos, mesmo em relação a TVs ou smartphones mais em conta. Hoje, esse tipo de componente exibe cores mais vivas, apresenta bom equilíbrio de brilho e contraste, repele reflexos mais facilmente e assim por diante. Mas a indústria sabe que é possível avançar mais. Acredite, a resposta para a “tela perfeita” pode estar em um ser que fascina pela beleza, mas assusta pela imponência: as tarântulas.

Um grupo de pesquisadores ligados à Universidade de Akron, nos Estados Unidos, está estudando a estrutura microscópica dos pelos desses aracnídeos tão exóticos com o intuito de descobrir como cores tão vivas podem ser formadas naturalmente e, ao mesmo tempo, resistir a mudanças ambientais que, em outros seres, poderiam causar alteração de tonalidade.

Os cientistas estão especialmente interessados pelas tarântulas azuis — essa cor pode ser encontrada em outros bichos, como mariposas e pássaros, mas é frequentemente mais intensa e chamativa nessas aranhas grandalhonas.

A parte mais fascinante dos pelos azuis das tarântulas é que, nelas, a cor não é iridescente. Isso significa que não há mudança de cor quando o pelo é observado a partir de ângulos diferentes. A tonalidade permanece a mesma independente do ponto de vista do observador.

Tarântula azul - noite

Você já deve ter sacado quão importante essa característica é para as telas, não? A indústria vem se desdobrando para criar painéis que não sofrem perda de cores quando o usuário as vê de lado, por exemplo, mas o problema continua perceptível mesmo nos aparelhos mais avançados, ainda que minimamente.

Em termos práticos, telas não iridescentes deverão apresentar um padrão de fidelidade de cores nunca antes alcançado. Mas, para chegar a esse ponto, os pesquisadores precisam compreender detalhadamente como esse efeito se manifesta nos pelos das tarântulas.

Algumas descobertas importantes já foram feitas. Muitas das tintas que empregamos em objetos e alimentos do nosso dia a dia são baseadas em pigmentos extraídos de insetos, plantas, minerais e substâncias químicas. A ciência já sabe, porém, que os tons azulados das tarântulas não são formados por pigmentos (como acontece com nossos cabelos, por exemplo), mas por nanoestruturas fotônicas que refletem luz azul.

Sony Xperia Z3+

O problema dos pigmentos é que, com o passar do tempo, eles perdem intensidade, como se ficassem gastos. Além disso, os pigmentos estão mais suscetíveis a variações de temperatura, por exemplo. Nas nanoestruturas fotônicas esses problemas praticamente não existem.

Quando a “tecnologia” das tarântulas poderá ser utilizada? Boa pergunta. Os pesquisadores já descobriram como os tons de azul aparecem nas tarântulas e não mudam quando observados de ângulos variados, mas ainda não sabem como reproduzir esse efeito artificialmente. É o que eles tentam fazer atualmente. Mas, como a formação das nanoestruturas fotônicas ainda não está clara, não há previsão para essa tarefa ser finalizada.

Com informações: MIT Technology Review, The Verge

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Johnny Walker

Não vão utilizar a tarântula em si, mas apenas estudar seus pelos, o que não machucará o inseto.
Tem muitos insetos, inclusive besouros que tem características interessantes, mas que somente agora estão sendo estudados. A natureza arranja soluções muito mais facilmente do que os seres humanos.

JGui

Lá se vai para o saco outra espécie .

Guilherme Ferreira
Lá se vai para o saco outra espécie .
Trovalds
Será que a mudança de paradigma vai ser algo próximo à descoberta do OLED? E olha que essa ainda é tecnologia pouco difundida no mercado e só agora começa a ter algum espaço.