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Eis o próximo concorrente do Uber: os carros autônomos do Google

Projeto vai virar uma empresa independente da Alphabet em 2016, que oferecerá caronas para passageiros

Jean Prado Por

O alfabeto já está começando a se formar. Meses após o Google anunciar a Alphabet, sua holding, e de sinalizar mais autonomia da divisão de ciências do Google transformando-a em Verily, a empresa mostrou que ainda trabalha duro. Segundo a Bloomberg, o próximo passo para a Alphabet é criar uma nova companhia para o projeto de carros autônomos e investir no mercado de transporte de passageiros.

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Vamos por partes: o Google já vem trabalhando com carros autônomos há quase sete anos (!) e desde então a tecnologia melhorou muito. Eles até foram classificados como seguros demais, ainda que tenham se envolvido em 15 acidentes desde 2009 (todos foram causados por humanos). Já estava na hora de dar um passo adiante para aumentar a visibilidade do projeto. Atualmente, o projeto de carros autônomos fica restrito ao Google X, filiado à Alphabet. Com a mudança, ele seria uma empresa como o Google ou a Verily.

Depois dos mais de 1,6 milhão de quilômetros rodados, a Alphabet está caminhando para obter lucro com os carros autônomos. E isso vai acontecer mais ou menos como o Uber funciona, no modelo de rides for hire, em que o passageiro paga por uma corrida. Em vez de esperar a indústria do transporte individual se mobilizar para cada pessoa ter um carro autônomo, por que não fazer diferente? É mais imediato (de certa forma) e viável disponibilizar os veículos para quem quiser apenas ir de um ponto a outro, por exemplo.

É claro que não deve ser um caminho fácil: o próprio Uber, já considerado disruptivo, enfrenta questões regulatórias em vários estados dos EUA e batalha pela sua legalidade em inúmeros outros países, como o Brasil. O Google deve testar esse modelo com calma justamente para não meter os pés pelas mãos, então não espere pegar uma carona com um carro autônomo ano que vem em Nova York.

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A empresa pretende testar inicialmente os veículos em pequenas áreas, como campus, bases militares e regiões corporativas, que são localizadas e fáceis de gerenciar, principalmente pelo tamanho relativamente pequeno e por não precisar de um licenciamento muito burocrático, como acontece nas ruas. As cidades de Austin, no Texas, e São Francisco, na Califórnia, devem começar a ver os primeiros protótipos.

Essa decisão de bater de frente com o Uber pode parecer um pouco contraditória, uma vez que o próprio Google já investiu US$ 258 milhões na empresa em 2013. De qualquer forma, ao fazer com que o projeto de carros autônomos seja uma empresa da própria Alphabet, essa pode ser uma saída para o desenvolvimento não ser visto como um conflito de interesses.

Com aponta John Lippert, repórter do Bloomberg que conseguiu essas informações, o anúncio dessa decisão de operar os veículos autônomos por meio de uma empresa filiada à Alphabet sinaliza o comprometimento da companhia ao projeto, simbolizando sua ambição. Ainda que ele comece em pequenas áreas, é esperado que o acervo de veículos seja grande, ainda que os carros sejam bem pequenos.

Essa emancipação pode ainda ser positiva para a empresa conseguir reduzir significativamente o trânsito e o número de acidentes de carro, um dos objetivos do Google desde o começo do projeto. O anúncio de hoje também mostra como a Alphabet está comprometida a mostrar uma transparência financeira aos investidores, algo muito valioso no mercado.

Programados para matar

Ainda que o projeto de carros autônomos do Google já esteja bem avançado, eles enfrentam alguns problemas éticos. O que fazer na hora de uma colisão? Salvar o dono ou o maior número de pessoas possível? Isso foi objeto de estudo de um professor da Universidade de Stanford e, mais recentemente, assunto do Tecnocast 033, onde debatemos como os carros deveriam agir em situações desse tipo e imaginamos como seria um mundo com carros que dirigem sozinhos. O botão de play fica logo abaixo!

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Paulo Martinez

Em qualquer país civilizado as pessoas dão prioridade aos transportes coletivos para proteger o meio ambiente, mas as condições precárias nos levam a recorrer a outras alternativas de mobilidade. Até que ponto isso afeta nossa qualidade de vida? Não percam novo post no blog Café&Finanças
cafeefinancas.blogspot.com

JGui

Os taxista pira.

Guilherme Ferreira
Os taxista pira.
Deilan Nunes
Isso seria ótimo... Até o governo ir lá e proibir tbm