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Gear S2: o bonito smartwatch com aro giratório

Custando a partir de R$ 1.899, smartwatch da Samsung roda Tizen em vez do Android Wear

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4 anos atrás

A Samsung não tem bom histórico no lançamento de smartwatches. Se você pensar na linha Gear, vai olhar o Gear S2 com um pé atrás. Quem lembra do esquisitíssimo Gear de primeira geração, que tinha uma câmera na pulseira? E do Gear 2, que vinha até com um botão home?

Mas o Gear S2 promete mudar tudo isso: em vez de um design quadrado horrível e desconfortável, a Samsung optou por fazer um smartwatch redondo com aro giratório para controlar a maior parte do software. No lugar de uma câmera (?) na pulseira, o Gear S2 tem apenas o essencial para compor um smartwatch decente.

No entanto, na contramão de todos os outros relógios modernos, o Gear S2 roda o sistema operacional aberto Tizen, em vez do Android Wear, já consolidado como plataforma para dispositivos vestíveis como extensão do Android. O que isso muda, exatamente? O Gear S2 entrega um bom conjunto? Respondo a essas perguntas nos parágrafos abaixo.

Design

Apesar de ter acabamento de aço inoxidável, mesmo material usado no Apple Watch, sinto que o Gear S2 parece mais um simples Apple Watch Sport, que tem acabamento de alumínio anodizado. Isso não é necessariamente ruim: o smartwatch da Samsung é bonito e passa uma sensação boa no pulso, apesar de não ter muita coisa que o destaque por fora.

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Gear S2 classic, um modelo mais caro e mais robusto. Tem a cara de um relógio comum, basicamente.

Gear S2 classic, um modelo mais caro e mais robusto. Tem a cara de um relógio comum, basicamente.

Ele se parece com outros relógios comuns, o que também acaba sendo um ponto positivo. Caso você queira algo mais robusto, também pode optar pelo Gear S2 classic, com aro giratório dentado e pulseira de couro, que pode ser trocada por qualquer uma de 20 mm. No Gear S2 original, que foi o que eu testei, a pulseira não pode ser trocada — ela é de borracha e fica colada na caixa do dispositivo.

O Gear S2 fica bem confortável no pulso. Mesmo sendo um pouco espesso, com 11,4 mm (o Apple Watch tem 10 mm) e pesando 47 gramas, o relógio não incomoda após longos períodos de uso. Ele tem mais ou menos o tamanho de um Apple Watch de 42 mm e, mesmo no meu pulso, que é relativamente fino, ele se encaixou bem.

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Acredito que o fato do relógio ter bordas circulares, em vez de ser quadrado, ajuda nessa sensação. A pulseira que vem com o Gear S2 também deve servir na maioria das pessoas; para ficar justo no meu pulso, precisei deixar no terceiro vão. Em pulsos extremamente finos, até o primeiro vão ficou um pouco largo, mas nada fora do comum.

Um dos outros aspectos que mais diferencia o Gear S2 no design em relação aos outros smartwatches é o aro giratório ao redor da tela de 1,2 polegada. Ela se inspira em relógios “comuns”, que também têm essa peça, normalmente para servir como taquímetro. No Gear S2, ela ganhou alguns usos, permitindo navegar entre os menus do sistema.

O aro giratório é feito do mesmo material que o resto do relógio, ficando camuflado no design do dispositivo. Ele até que é confortável de usar: a rolagem é suave e pode até ser usada com só um dedo sem prejudicar a precisão. Não tive nenhum problema em girá-lo sem querer ou ele não reconhecer o movimento. Em todas as vezes, o aro giratório funcionou como deveria.

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À direita da caixa do relógio, há dois botões e o microfone, usado para ditar mensagens e comandos de voz. O botão de cima serve para voltar entre os aplicativos e menus, enquanto o de baixo é usado para voltar à tela inicial, para ver o horário. É sempre útil quando você está em algum aplicativo e resolve checar a hora, por exemplo.

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Na parte de trás, estão presente as informações sobre o relógio, como o modelo e tamanho da pulseira. Também na parte traseira está o sensor de batimentos cardíacos, revestido de vidro, que pode ficar um pouco pegajoso depois de atividades físicas, mas nada que um jato d’água não resolva. Um mergulho também serve, uma vez que o Gear S2 tem certificação IP68, sendo à prova de poeira e água, com submersão a 1,5 metro por 30 minutos.

Hardware

Não tem muito o que falar do hardware de um smartwatch. Ele apenas funciona como esperado. A tela de 1,2 polegada tem display Super AMOLED com resolução 360×360 pixels, suficientemente boa para formar um display bem nítido, com níveis de preto profundos e cores claras e vibrantes.

A tela também é boa para enxergar sob a luz do sol. Acabei deixando o brilho em 5 o tempo inteiro (o máximo é 10) e achei aceitável. Não há opção para o software alterar o brilho de acordo com as condições de iluminação por conta da falta do sensor que possibilita isso, mas, sinceramente, não senti falta.

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O processador dual-core de 1 GHz da Qualcomm também faz um bom trabalho: o smartphone executa tudo de forma quase instantânea, sem engasgos nas animações. Para as funções que precisam do smartphone, como mudar de música, bastam alguns milissegundos.

Quanto à bateria, os 250 mAh do Gear S2 não fazem o relógio chegar nos “dois a três” dias prometidos pela Samsung. Comigo, ele chegou a no máximo um dia e meio. Por volta das 8h30min, tirei o smartwatch da base de carregamento e o levei para uma corrida de cerca de 40 minutos, com o rastreamento pelo S Health ligado. Depois, antes de dormir, a bateria chegou a cerca de 40%.

Pude dormir com o smartwatch com o alarme ligado, para ele me acordar com uma série de vibrações no pulso, mas logo de manhã, depois da corrida, ele já estava com menos de 30% de bateria, com a carga acabando no meio do dia. Por segurança, resolvi carregar o Gear S2 toda noite a partir de então.

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Na prática, isso não me incomodou muito. Não acho confortável dormir com o relógio e, já que o carregamento é sem fio, tiro ele do pulso antes de deitar e o coloco na base de carregamento sem nenhum problema. Se, por ventura, eu não conseguir carregá-lo à noite, sei que ele vai durar pelo menos por um tempo.

Eu só acharia mais legal se, durante o carregamento, ele mostrasse o horário por padrão, em vez de apenas exibir a carga. Não custa nada mostrar o horário enquanto ele descansa no criado-mudo ao lado da cama. Afinal, é para isso que os relógios servem, né?

Software

Diferente da maioria dos smartwatches do mercado, o Gear S2 não roda Android Wear, mas o Tizen, um sistema operacional aberto usado principalmente pela Samsung. Assim como na versão do sistema operacional para celulares, isso traz algumas complicações. A principal é a falta de aplicativos: desenvolvedores para Android, além de adaptarem seus aplicativos para o Android Wear, precisariam fazer novas versões do aplicativo para rodar no relógio inteligente.

Por isso, a oferta de apps no Gear S2 é muito baixa. Não sei se isso é tão ruim quanto parece — não senti a necessidade de instalar nenhum outro aplicativo, e há algumas opções conhecidas disponíveis, como Yelp, Voxer, eBay, ESPN, CNN, Line, além das aparências de relógio. No entanto, não encontrei aplicativos sociais famosos, como Facebook ou Instagram.

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Mas, no geral, o sistema é bem acabado. Apesar do display ser touchscreen, a principal forma de navegar nos menus é usando o aro giratório. Ele serve tanto para rolar pelos widgets da tela inicial quanto para escolher listas, menus e opções.

Um dos principais widgets no Gear S2 é o de atalhos, que mostra quatro principais aplicativos ou menus configurados pelo usuário. Por padrão, a ordem é: aplicativos, Amigo, Configurações e S Voice. O menos útil dessa lista é o Amigo, que serve apenas para organizar seus contatos preferidos, dando a opção de fazer uma ligação ou enviar um SMS.

O menu que eu mais usei foi o de aplicativos, que reúne todos os apps instalados no Gear S2. Eles são dispostos de maneira bem intuitiva: como a maioria dos itens do sistema, eles se organizam em volta da tela, de forma circular, o que eu particularmente gostei bastante. Basta um toque no centro do display para entrar no aplicativo. Se você preferir, pode usar o dedo para tocar no app de sua escolha.

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Para fazer uso do microfone embutido na lateral do Gear S2, a Samsung também incluiu o seu assistente virtual, o S Voice. Ele não funciona tão bem assim: ao menos em português, suas funcionalidades se limitam aos aplicativos existentes. As únicas perguntas que ele responde são: “como está o tempo?”. Apenas “me fale as horas” ou “hora atual” funcionam para exibir o horário, enquanto outras ações como checar o calendário exigem ordens diretas como “checar agenda para sexta-feira”.

Esse problema se estende a outros recursos do Gear S2. Para utilizar as funcionalidades de saúde e esporte, por exemplo, você precisa baixar o S Health, em vez de continuar usando o Runkeeper, Runtastic, Google Fit e outros. Se você apenas corre (e não se interessa em passos ou outras informações de saúde), a única saída é ir com o Nike+ Running, que também tem integração com o relógio.

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De qualquer forma, o S Health é um aplicativo bem importante no Gear S2 — talvez, o que eu mais usei. É nele que ficam as medições diárias de atividade, incluindo “saudável”, “leve” e “inativo” e seus batimentos cardíacos, além do tipo de exercício realizado, como corrida, ciclismo, esteira e outros. Apesar do relógio ser a prova d’água, ele não registra esportes aquáticos, como natação, por exemplo.

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Assim como o Apple Watch, se o Gear S2 perceber que você está inativo há muito tempo, ele pede que você se movimente um pouco. É possível desativar esse aviso nas configurações, mas tem gente que gosta do gamification do exercício físico. Se você fica ativo por muito tempo, ele até te congratula. Exceto aquela vez que ele achou que eu estava me movimentando há 29 horas. Haja disposição!

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Eu, que corro 40 minutos todos os dias, resolvi testar o S Health durante minha atividade física. Em vez do próprio relógio começar a contar a atividade, coloquei o widget “iniciar exercício” na tela inicial para informá-lo. Enquanto ativado, esse modo registra a duração, distância, calorias, ritmo, velocidade e a frequência cardíaca durante todo o exercício. Como se imagina, gasta-se bastante bateria por tudo isso.

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Ainda assim, é uma boa forma de monitorar uma atividade física. Nada que um smartphone não pudesse fazer sozinho — com exceção da medição dos batimentos cardíacos —, mas é legal ter essa informação disponível no relógio. Principalmente porque é possível controlar a música e ver as informações da corrida sem tirar o celular do bolso durante a atividade.

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Aproveito para confessar que achei o sensor de frequência cardíaca um pouco impreciso. Quando eu estava correndo, ele chegou a dizer que meu coração estava numa frequência de 175 batimentos por minuto, o que era pouco provável naquela situação.

Integração com o smartphone

A integração do Gear S2 com o smartphone também se estende às notificações, e acredito que esse seja um dos melhores recursos de um smartwatch. Apesar de simples, acaba sendo a funcionalidade mais usada, seja para evitar interrupções em alguma conversa importante ou pela praticidade de responder a uma mensagem sem tirar o celular do bolso.

Nesse quesito, o Gear S2 é decente. Por rodar Tizen, e não Android Wear, é de se esperar que as interações sejam um pouco limitadas (e de fato, isso acontece). No aplicativo para smartphone, é possível configurar algumas respostas prontas como “Sim”, “Legal!” para você comentar o que o seu amigo disse sem precisar tirar o celular do bolso. É um recurso legal, mas funciona apenas para SMS ou Telegram.

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Também dá para responder só com um emoji, num menu em que eles ficam dispostos de forma circular, o que eu achei bem criativo. Para selecionar algum, basta tocar no centro do display.

No WhatsApp, apesar do próprio Gear S2 carregar algumas respostas prontas, é possível ler conversas inteiras pela opção “leia mais”, o que não acontece no Telegram. Em aplicativos como o Gmail, o e-mail inteiro fica disponível, assim como opções de arquivar, excluir e outras. Nos demais apps, não há nada de especial: você apenas lê a mensagem da notificação e é avisado para checar seu smartphone caso queira ver mais.

Não acho essa falta de interações necessariamente uma coisa ruim. Se eu precisar usar mais que uma resposta pronta para enviar à alguém, é só ditar o conteúdo da mensagem ou pegar o celular de qualquer forma. O relógio também disponibiliza um teclado 3×4 preditivo para você escrever uma resposta, mas é claro que nesse caso é melhor tirar o celular do bolso que levar 1 minuto para digitar três palavras nessa telinha minúscula.

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No geral, o Gear S2 lida de forma satisfatória com as notificações. O maior problema foi com a aparência de algumas. Sério, para que esse ícone cinza do Telegram no fundo? Ficaria muito mais bonito com uma cor sólida translúcida, como acontece com o Gmail, ou um fundo preto mesmo. Mas enfim, de resto, até que o sistema é bem acabado em termos de design.

Fiquei satisfeito com as faces de relógio incluídas no aplicativo, que podem ser personalizadas com indicadores e temas diferentes. Preferi usar um tema com aparência mais básica e o relógio analógico, mas a digital também tem opções interessantes, como customizar a imagem de fundo com uma foto da galeria. Se nada agradar, a loja da Samsung oferece mais algumas faces, mas as opções são pouco escassas (e nem tão boas assim).

De resto, o aplicativo também permite que você envie conteúdo para o relógio. Isso dá ao Gear S2 mais autonomia em relação ao smartphone, graças aos 4 GB de memória interna incluídos no smartwatch. Você pode, por exemplo, guardar algumas fotos ou músicas, e até ativar a sincronização automática, para esse envio acontecer sempre que o relógio estiver carregando.

Não sei se tem muito sentido passar fotos para o smartwatch: novamente, em vez de abrir um app de galeria na telinha minúscula, é mais prático sacar o smartphone do bolso. Quanto às músicas, pode ser útil caso você tenha um fone Bluetooth: é possível conectá-lo ao Gear S2 e sair para correr, como em outros relógios.

Inclusive, sem o smartphone, o Gear S2 não fica tão desorientado: alguns aplicativos conseguem se atualizar pelo Wi-Fi, como o do Flipboard, e o S Health funciona bem; quando a conexão é retomada, os dados são registrados no aplicativo. Você só ficará sem suas notificações e atualizações de redes sociais, a não ser que baixe apps para atualizá-lo, como o Social Watch.

Conclusão

Depois de muitos experimentos malucos e uma falha atrás da outra, acredito que a Samsung finalmente acertou com o Gear S2. Ele é um relógio bonito, com uma bateria aceitável e um sistema que funciona bem. Por que ninguém pensou em incluir um aro giratório que se integra com o software antes? Sério. É muito útil.

O problema mais grave (que acaba nem sendo tão grave assim) fica por conta do Tizen. Não porque falta aplicativos, afinal, se eu quiser fazer algo a mais que responder a uma notificação ou monitorar minha atividade física, prefiro sacar o smartphone do bolso. Mas porque eu tenho um pouco de receio da vida útil do Gear S2 a longo prazo.

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Conforme os outros relógios inteligentes vão sendo atualizados, o sistema acompanha e a vasta disponibilidade de aplicativos para a plataforma também. No Gear S2, não sei se isso deve acontecer, uma vez que a Samsung não tem bom histórico em lidar com tempos de suporte muito longos e os desenvolvedores nem se mostraram tão interessados no Tizen assim. É mais uma preocupação que um problema em si.

No entanto, ele acaba se agravando com o preço do Gear S2 por aqui. O relógio inteligente custa R$ 1.899 no seu modelo mais barato, enquanto o Gear S2 classic pode chegar a assustadores R$ 2.099. Isso é muito mais que outros relógios com Android Wear, como o Moto 360 ou o LG Watch Urbane.

O Gear S2 é um bom smartwatch, mas… por quase R$ 2 mil? Tudo bem que os relógios comuns costumam ser caros, mas eles não têm perigo de ficarem obsoletos.