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Por que o sucesso da SpaceX com o foguete Falcon 9 é tão importante

Na noite de segunda-feira (21), a SpaceX conseguiu fazer o Falcon 9 atingir a órbita da Terra e retornar, abrindo caminho para o conceito de foguetes reutilizáveis.

Emerson Alecrim Por

Missão ORBCOMM-2

É difícil acertar de primeira. Histórias de sucesso frequentemente são precedidas por tentativas frustradas. Mas a persistência é a locomotiva de todo grande feito. A SpaceX está aí para provar: na noite da última segunda-feira (21), a companhia espacial fundada pelo bilionário Elon Musk conseguiu fazer o foguete Falcon 9 aterrissar com sucesso depois de conduzir 11 satélites à órbita baixa da Terra. Tamanha proeza pode trazer grandes avanços para as missões espaciais.

Uma façanha histórica

Às 23:29, no horário de Brasília (20:29 no horário local), o foguete Falcon 9 FT decolou do Complexo de Lançamento SLC-40 do Cabo Canaveral, na Flórida, para cumprir a missão ORBCOMM-2 (PDF), que consiste, basicamente, em colocar em órbita 11 satélites Orbcomm Generation 2.

A Orbcomm é uma companhia especializada em comunicação Machine-to-Machine (M2M). Os satélites recém-lançados deverão atuar nesse tipo de comunicação por cinco anos, aproximadamente, permitindo o monitoramento de veículos em campos de mineração e o rastreamento de embarcações, só para exemplificar.

Os satélites chegaram à órbita baixa da Terra sem nenhum incidente. Mas essa é só uma parte da missão. A outra, mais desafiadora, consistia em fazer o foguete retornar ao planeta depois de “entregar” os satélites e aterrissar na vertical em uma plataforma em terra firme. Deu certo, como mostra o vídeo baixo. A missão foi um sucesso do início ao fim.

Tamanha proeza havia sido tentada pelo menos três vezes. Na primeira, no início do ano, o Falcon 9 deveria ter pousado em uma embarcação, mas o foguete ficou sem um fluído hidráulico, o que dificultou a realização de manobras. Resultado: o Falcon 9 não conseguiu chegar à plataforma na posição correta e acabou colidindo.

Na segunda tentativa, executada em abril, o Falcon 9 deveria ter pousado em uma plataforma marítima, mas, por causa de uma falha em uma válvula, o foguete perdeu velocidade tardiamente. Isso fez o Falcon 9 chegar com muita força à plataforma, tombando na sequência.

Em junho houve a terceira tentativa. Nessa, o foguete nem se aproximou do solo — o pouso seria feito em terra firme. Pouco mais de dois minutos após a decolagem, uma anomalia fez o foguete explodir no ar:

Na noite de ontem, em uma conferência realizada logo após a aterrissagem, Elon Musk revelou que não estava muito confiante no sucesso da última missão, mas não escondeu a euforia com o pouso do Falcon 9: “passaram-se 13 anos desde que a SpaceX foi criada. Chegamos perto [do objetivo] várias vezes. Acho que as pessoas aqui estão muito felizes”, disse.

Por que isso é tão relevante?

A SpaceX realizou algumas mudanças nessa missão. Isso certamente contribuiu para o êxito de ontem. Uma delas foi a escolha de uma área de pouso em terra (uma antiga área de testes da Força Aérea dos Estados Unidos) que, obviamente, é mais estável que plataformas marítimas. Outra foi o uso de motores mais toleráveis a manobras rigorosas.

Graças a esses motores (ao todo, nove), o primeiro estágio do foguete — o propulsor, aquele que fornece potência à decolagem — se desprendeu alguns minutos após a decolagem e iniciou seu regresso à Terra. Depois de 11 minutos do início da missão, esse estágio estava pousando em posição vertical. Nos minutos seguintes, o segundo estágio continuou seu trajeto e liberou, também com sucesso, os 11 satélites Orbcomm.

Missão ORBCOMM-2

Você não precisa ser engenheiro aeroespacial para saber que foguetes são caros. Só os custos de produção do Falcon 9 estão estimados em US$ 16 milhões (desconsiderando custos de projeto). É nesse ponto que a SpaceX quer fazer diferença: se a empresa conseguir oferecer foguetes reutilizáveis, os custos das missões espaciais cairão drasticamente. Sem falar que a reutilização diminui a geração de lixo espacial.

É fácil entender. Quando um foguete é lançado para colocar satélites em órbita ou cumprir uma missão de reabastecimento, por exemplo, o equipamento é completamente descartado após o cumprimento da tarefa. Por conta disso, cada missão precisa de um novo foguete. Ao recuperar o primeiro estágio do Falcon 9, a SpaceX poderá reutilizá-lo várias vezes em missões com os mais diversos fins.

É só o começo

Com o aprimoramento da tecnologia, a SpaceX espera alçar voos mais altos, com o perdão do trocadilho. Um feito como esse pode abrir portas não só para missões convencionais mais frequentes, como também para o tão sonhado turismo espacial, por exemplo. Musk, que nunca foi de pensar pequeno, acredita até que a tecnologia poderá viabilizar missões para Marte. Já pensou?

Falcon 9

Tudo acontece no seu tempo, porém. A SpaceX não detalhou os próximos passos, mas já se sabe que a companhia continuará realizando testes de reutilização — é provável até que insista na ideia de realizar pousos no mar.

Agora, o momento é de comemoração. Até Jeff Bezos enviou a Musk os seus cumprimentos, o que não surpreende: o fundador da Amazon também está na “corrida espacial”. Bezos é dono da Blue Origin, companhia que, no final de novembro, também fez um foguete pousar. Só que as circunstâncias foram diferentes: o BE-3, como é chamado, atingiu uma altitude de 100 quilômetros e depois voltou. Já o Falcon 9 cumpriu uma missão de verdade, alcançando, como você já sabe, a órbita terrestre baixa.

Você pode conferir todos os detalhes do lançamento no site da SpaceX.

Com informações: ExtremeTech, Ars Technica

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868686
E eu detalhei o motivo principal para que quem não saiba possa entender. Afinal de contas, nem o artigo nem o cara aí de cima disseram qual é.
Mr. Carbon
Ele sabe disso, por isso especificou este motivo como extra. =)
Wellington Gabriel de Borba
Pelo menos para internet ultrabanda largar não. O Brasil ainda está lançando o primeiro deles com banda Ka disponível.
Sam86
O objetivo principal é poder lançar cargas maiores e/ou alcançar altitudes mais altas, pois pousando no mar não é necessário voltar o estágio para terra, manobra que consome combustível.
Sam86
Se fosse só pra chegar à altitude de 100Km e depois pousar a SpaceX já teria feito há muitos anos. Então, são coisas diferentes.
Sam86
Sim.
Vagner "Ligeiro" Abreu
A insistência em pouso em mar tem um motivo extra: em caso de erros, é possível usar o mar como "amortecimento". Além, claro, da segurança. Pousos em terra firme pode ter problemas dependendo da área usada. Que bom que o tempo passa e as tecnologias se aperfeiçoam :)
Vagner "Ligeiro" Abreu
"Estamos sem recursos. E para dar lançamento, precisamos de 50 centavos" :p
Auridian
Pois é, ainda não voltou desde a notícia "os 10 maiores fracassos da tecnologia", até pensava que o site tava fora do ar.
F. S.
O principal problema da telecomunicação em locais distantes está em terra mesmo, porque os satélites já tão lá.
Bruno Almeida
A definição para alcançar o espaço é atingir mais de 100KM, ele chegou a 100,5KM, então ele conseguiu sim ir até o espaço e voltar. Ou seja, a Space X entrou para o clube, mas depois do Bezos.
Wellington Gabriel de Borba
Tomara com isso o custo dos satélites caírem e com isso o acesso à telecomunicações em lugares distantes.
Ramon Gonzalez
inacreditavel o pouso do foguete. Incrivel!! *-*
Antony
Só lembrei disso
Antony
http://www.septclues.com/SPACE%20SHUTTLE/WOODYwoodpeckerCapeCanaveral.jpg
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