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Médico usa Google Cardboard para realizar cirurgia em bebê

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3 anos e meio atrás

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Pode adicionar esse post na lista de tecnologias, sejam de realidade virtual ou não, que ajudaram a medicina a salvar vidas (e ela é mais longa que você imagina). O caso de hoje é o de Teegan Lexcenher, uma menina que nasceu com um só pulmão e metade do coração. Esse conjunto de defeitos é letal.

Os pais de Teegan a levaram a um médico em Minnessota. A família recebeu o pior prognóstico possível: não havia como operar o bebê e Teegan não sobreviveria à deformação. Então eles buscaram outras opções até que chegaram ao Dr. Redmond Burke, um cirurgião cardiovascular de Miami.

Burke trabalha no hospital Nicklaus Children’s e, quando se deparou com o caso de Teegan, começou a procurar opções para salvar a vida da criança. “Aqui [no hospital], nós odiamos essa palavra [inoperável]”, diz. Burke declarou ao Daily Mail que a chave para conseguir fazer uma cirurgia de sucesso é ter uma “ideia cristalina” do que você vai operar.

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Para fazer isso, ele levou o caso ao seu colega, o Dr. Juan Carlos Muniz, perguntando-o qual tipo de mecanismo para construir uma imagem digital dos órgãos eles poderiam usar. Existem várias formas de criar essa representação, incluindo uma tomografia computadorizada (TC) ou uma imagem por ressonância magnética (IRM), mas, como aponta o Dr. Muniz, essas duas tecnologias criam apenas uma representação plana, que é pouco suficiente e arriscada para o tipo de cirurgia que Teegan deveria ser submetida.

Procurando alternativas, os médicos resolveram usar os dados da tomografia para gerar essas imagens em uma representação tridimensional. Essa prática vem se tornando comum: no ano passado, uma réplica de um coração feita em uma impressora 3D foi usada para salvar uma menina de quatro anos que sofria de uma malformação congênita rara. O mesmo aconteceu com um bebê que possuía um coração com falhas estruturais e funcionais.

Com a imagem gerada, Burke e Muniz foram imprimir a imagem gerada do coração de Teegan, mas… A impressora 3D do hospital não estava funcionando. Com pouco tempo, eles precisaram “improvisar”. Foi aí que Muniz teve a ideia de usar o Cardboard, óculos de realidade virtual do Google, para dar uma olhada no órgão de Teegan e ter as informações necessárias para a cirurgia.

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Cirurgia durou sete horas e agora Teegan passa bem.

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Teegan Lexcenher, paciente do Dr. Burke, em observação.

Os médicos, então, carregaram o coração em 3D no aplicativo Sketchfab e o inseriram no Cardboard para obter informações mais precisas. A imagem gerada pelo acessório teve qualidade alta o suficiente para que Burke fizesse a cirurgia em Teegan sem nenhum problema, algo que o médico não havia considerado ainda. “Eu tive uma perspectiva totalmente diferente do coração do bebê. [O Cardboard] me deu autonomia e flexibilidade. Você pode usá-lo em qualquer lugar”, comentou.

É interessante ver como um dispositivo que custa tão pouco (por volta de US$ 20) ajudou a salvar a vida de um bebê em condições letais. Algo parecido poderia ter sido feito com o HoloLens, da Microsoft, que produz imagens em realidade aumentada, mas o custo seria absurdamente maior: US$ 3 mil na versão para desenvolvedor.

A cirurgia de Teegan teve vários estágios e durou cerca de sete horas. Uma série de procedimentos foi executada para reconstruir a região do coração. A artéria aorta precisou ser conectada à artéria pulmonar, que então foi ligada ao pulmão. Há mais ou menos um mês, a criança está em recuperação no hospital e, segundo Burke, está cada dia mais forte. A previsão é que ela tenha alta no mês que vem.

Com informações: 9to5Google.