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Tinder passa a disponibilizar informações sobre doenças sexualmente transmissíveis

Ação vem depois de "cutucadas" de organizações sem fins lucrativos que lutam contra a AIDS

Jean Prado Por

Depois de uma forte cutucada da AIDS Healthcare Foundation, organização americana sem fins lucrativos que luta contra a proliferação da AIDS, o Tinder enfim adicionou informações em seu aplicativo sobre doenças sexualmente transmissíveis. A página pode ser acessada direto pelo aplicativo, na seção de perguntas frequentes.

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Mas ela ainda não está tão visível. O usuário precisa ir ao fim da página e encontrar um link sobre saúde, que leva a este endereço. “Um aspecto importante de qualquer relação saudável — formada no Tinder ou não — é garantir segurança e saúde sexual” diz a empresa, oferecendo algumas dicas.

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Além de pouco acessível, a página não oferece muitas informações. As dicas estimulam o usuário a se proteger por meio de preservativos, ser aberto e honesto com o parceiro, manter a vacinação em dia e fazer exames regularmente. Eles ainda disponibilizam um link para o site da Healthvana, que mostra os lugares mais próximos que fazem esse tipo de teste. Só.

Ao The Verge, o Tinder não sinalizou que pretende atualizar ou deixar a página mais visível. “Os usuários sempre podem chegar ao tinder.com por meio do aplicativo”, disse um porta-voz da empresa. Ainda assim, a falta de detalhes na página é preocupante, uma vez que a única DST mencionada (bem por cima, aliás) é a AIDS.

Como aponta o veículo, outras páginas com mais informações poderiam ser incluídas para guiar os usuários na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. Esta página do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), por exemplo, oferece dados e dicas preventivas muito mais completas.

Por que a página foi atualizada?

Em outubro, a AIDS Healthcare Foundation (AHF) exibiu mais de 20 outdoors em Los Angeles que ligavam DSTs como clamídia e gonorreia a aplicativos de encontros, como Tinder e Grindr. Eles estão “alterando rapidamente o panorama sexual, deixando o sexo casual tão fácil e disponível quanto pedir uma pizza”, afirmou Whitney Engeran-Cordova, diretora-sênior da AHF em nota à imprensa.

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O anúncio se baseia em um estudo do CDC que indica o crescimento da proliferação de DSTs como clamídia, gonorreia e sífilis pela primeira vez desde 2006. O Centro também aponta que a maioria dessas doenças afeta os mais jovens, grupo etário que usa o smartphone “o dia inteiro”, segundo a AHF.

Apesar de o estudo não relacionar diretamente as doenças com aplicativos de encontro, alguns especialistas britânicos também observam que a transmissão de doenças sexuais cresceu junto com o uso desse tipo de rede social. Essa informação, no entanto, não é consenso.

De qualquer forma, com a veiculação do anúncio da AHF, o Tinder considerou a relação feita “falsa e depreciativa”. Poucos dias depois, um advogado da empresa enviou uma carta à AHF solicitando que a organização removesse as referências à empresa do outdoor.

Segundo o LA Times, a fundação negou remover os anúncios até o Tinder oferecer informações sobre DSTs na página da empresa. A AHF também criticou o Grindr, aplicativo que conecta homens homossexuais, que já disponibilizou informações mais completas sobre o assunto em seu blog.

À agência de notícias Reuters, o Tinder reforçou que o CDC conduziu o maior e mais confiável estudo no assunto e mesmo assim “nunca achou” nenhuma relação entre o uso do aplicativo e a transmissão de DSTs. A empresa ainda incentivou “organizações que fornecem educação pública sobre o tema” a continuarem com o trabalho, afirmando que está fazendo a sua parte em ajudá-los.

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Abhinav Gupta

This is really helpful blog but for this sexual reason we are developed Tinder Plus.

Abhinav Gupta
This is really helpful blog but for this sexual reason we are developed Tinder Plus.
Rafael Salgado Ribeiro
Eu gosto muito dessa abordagem do Hornet (ainda que o app em si seja lento demais), mas, tem a questão cultural aqui no Brasil que dificilmente uma pessoa sairia tranquilamente com um soropositivo, ainda que a carga viral seja indetectável etc. Essa questão de demonizar o HIV+ acontece demais. Lembro de uma propaganda veiculada pelo ministério da saúde que colocava pessoas "transando" com escorpiões e cobras, como se a pessoa soropositiva fosse um animal venenoso...
Rafael Salgado Ribeiro
O Hornet já tem isso, de certa forma. Não é exatamente assim, até porque o funcionamento do app não é baseado em like mútuo e sim em localização, mas, tem a abordagem de deixar o status sorológico
Luan Borges
O Hornet é um dos aplicativos mais completos em relação a isso. Tem informações detalhadas sobre HIV, onde é possível o usuário dizer se é positivo, negativo, positivo sem detecção (quando o uso do medicamento reduz a viralidade a níveis indetectáveis) e ainda lembra de três em três meses que é hora de fazer um novo teste. O problema de uma campanha como essa feita por essa ONG é demonizar quem tem HIV ou qualquer DST. É claro que alertar sobre os riscos de transar sem camisinha nunca é demais, mas cada um que faz sabe dos riscos que corre.
@Sckillfer

É incrível é a quantidade de gente que usa esses apps (e sites) pra encontrar outras pessoas interessadas em sexo SEM preservativo. É como se o smartphone tivesse chegado a 1950.

F. S.
É incrível é a quantidade de gente que usa esses apps (e sites) pra encontrar outras pessoas interessadas em sexo SEM preservativo. É como se o smartphone tivesse chegado a 1950.
Antony
AUhUHAUHUHA Já eu pensei que teria um checkbox do tipo "Você tem alguma DST?"
LekyChan
pior que pensei a mesma coisa quando vi o titulo do post.
Douglas B

Menos mau, pensei que fosse ser tipo "It's a match! This person has AIDS". huashuahsuhas Seria bizarro!

Douglas Baião
Menos mau, pensei que fosse ser tipo "It's a match! This person has AIDS". huashuahsuhas Seria bizarro!