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Por que o Google quer ter mais controle sobre a linha Nexus?

Sundar Pichai, presidente do Google, disse que a empresa vai “assumir um controle maior” sobre a linha

Jean Prado Por
4 anos atrás

Depois de sinalizar a fabricação de processadores próprios, o Google começou a dar mais indícios de estar tentando unificar o ecossistema do Android, exercendo um controle mais rígido sobre a linha Nexus. Segundo o The Information, Sundar Pichai, presidente do Google, disse para “colegas e pessoas de fora” que a empresa vai “assumir um controle maior” sobre os smartphones Nexus.

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O veículo é o mesmo que deu a informação sobre o processador próprio do Google, indicando que o Google quer reduzir a fragmentação do Android unificando os chips dos dispositivos. Assim como a Apple faz com o iPhone, o Google poderia produzir um processador mais potente e mais caro para o seu dispositivo, já que não precisaria se preocupar tanto com o custo de produção isolado do chip.

Agora, a gigante de Mountain View também quer usar uma abordagem parecida com os dispositivos dos Nexus, “integrando verticalmente” a linha de smartphones. Atualmente, o Google faz parceria com fabricantes como Samsung, Motorola, LG e Huawei para projetar os aparelhos, combinando o melhor do software do buscador com o melhor do hardware das empresas.

Só que esse modus operandi tem alguns problemas, como depender das fabricantes para vender os aparelhos sem que haja muito marketing. Como a linha Nexus é tratada como algo de nicho e ela nunca tem os melhores números de vendas, as empresas acabam nem se importando muito com a disponibilidade dos aparelhos ao redor do mundo.

É só ver o que acontece com a linha Nexus aqui no Brasil, que tem aparelhos que demoram séculos para chegar no país, como o Nexus 6P, que foi homologado recentemente (ou às vezes nem chegam, vide a Motorola que decidiu nem comercializar o Nexus 6 por aqui). Também não há quase nenhum marketing para esse tipo de dispositivo no Brasil, e é o Google que cuida dos lançamentos.

Mas os números de vendas decepcionantes nunca foram um problema tão grande, uma vez que o Google lucra mais com seus serviços, que estão amplamente distribuídos entre as plataformas e funcionam muito bem nos iPhones. Só que algumas mudanças de foco no plano de negócios da Apple podem ter forçado o Google a se preocupar mais com hardware.

Com as vendas da Apple prestes a desacelerar pela primeira vez em 13 anos, uma das alternativas para a empresa é direcionar parte de seus esforços para serviços online, o que significa reduzir a participação do Google nesse nicho. Caso essa abordagem avance, a gigante de Mountain View pode ficar cercada e ganhar menos com os iPhones, que são uma das maiores fontes de lucro da empresa atualmente.

Crystal, um dos mais vendidos bloqueadores de anúncios para iOS.

Crystal, um dos mais vendidos bloqueadores de anúncios para iOS.

Como aponta o Business Insider, a recente liberação de aplicativos de bloqueio de anúncios no iPhone potencialmente afetou a maior fonte de renda do Google. Seus anúncios e plataforma de busca são tão importantes no ecossistema da Apple que o Google pagou US$ 1 bilhão à empresa de Cupertino para continuar sendo o buscador padrão no iOS.

Por isso, o Google parece estar precisando de uma marca mais consolidada no mercado de smartphones topo de linha, ainda mais nos Estados Unidos. Apesar do Android dominar e continuar crescendo em número de usuários (53,1% dos EUA), a Apple tem uma base mais consolidada, com 43,1% de presença; a Samsung, para comparação, tem apenas 28% e a LG não chega nem a 10% de participação no mercado.

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Outro aspecto que também não favorece muito é a baixa rentabilidade dos Androids. Cada fabricante ganha muito pouco com seus dispositivos, o que força-as a lançar vários modelos para atingir vários nichos de mercado (leia-se: atirar para todos os lados). A LG, por exemplo, lucra cerca de US$ 0,012 por smartphone vendido. É uma taxa tão baixa que pouco consegue suprir a demanda por lucro no mercado de smartphones.

Não é à toa que a Apple detém 92% do lucro do mercado de smartphones. Só para mostrar a dimensão do quão absurdo é o lucro gerado pelos iPhones, a Apple fez mais dinheiro com ele em três meses que o Google fez em toda a história do Android. Talvez uma mudança no modelo de negócios ajude o cenário a ser diferente para o robôzinho verde.

O Information também revela que funcionários do Google não gostaram que os Nexus 6P e 5X não foram vendidos nas operadoras americanas, com aquelas opções de contrato de dois anos e preços reduzidos. O mesmo aconteceu com quase todos os outros smartphones da linha Nexus, exceto com o Nexus 6 e com o Galaxy Nexus, que não venderam quase nada.

Há quem defenda que essa abordagem não seja muito eficiente. O Droid-Life argumenta que, fora o Nexus 6, a linha Nexus nunca teve preços muito altos (e o 6P por US$ 499 nem é tão caro assim, segundo eles). O blog também se mostra cético com o controle mais rígido, argumentando que muito dinheiro seria gasto com a linha Nexus, que sempre foi voltada para nichos e com um viés aberto, justamente o contrário do que o Google visa agora.

Por fim, como aponta o Droid-Life, a linha Nexus vai continuar com um número de vendas relativamente baixo até que o Google invista pesado no marketing da linha. A nova abordagem parece interessante, mas com a escassez de detalhes e os inúmeros desafios pela frente, seria um chute no escuro dizer se poderá salvar a linha Nexus. Mas enfim, nunca vamos saber se o Google não tentar.

Será que esse controle maior sobre a linha pode dar certo?

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