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Por que você deveria usar o Modo Noturno no seu smartphone

Luz azul emitida pela tela dos computadores, smartphones e tablets impacta na qualidade do seu sono

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2 anos atrás
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Com o lançamento do Modo Noturno no iOS 9.3, levantou-se a importância de um filtro que deixe a tela com cores mais quentes e menos azuis. Por que eu preciso de um negócio desses no meu computador, smartphone e tablet? Será que o recurso realmente me ajuda a dormir ou torna as leituras mais confortáveis?

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Resposta rápida: sim. Basicamente, como explica a descrição do aplicativo f.lux, “durante o dia, as telas de computador são confortáveis de olhar — elas são feitas para parecer o sol. Mas, às 21h, 22h ou 3h da manhã, você provavelmente não deveria estar olhando para o sol”.

Então, conforme o sol se põe, é interessante que você use menos o computador ou faça ele emitir luzes mais confortáveis para o seu olho. É por isso que vários médicos recomendam que você evite o computador e outros eletrônicos por pelo menos uma hora antes de dormir.

Ao enxergar luzes “mais confortáveis”, o problema é remediado (ainda bem, porque nem todo mundo pode ficar longe do computador só para dormir melhor). Tem toda uma explicação científica para isso, que vem a seguir, mas se você não se interessa por ciência pode pular para a seção “Modo Noturno em todas as plataformas”.

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Por que isso acontece?

Você já deve conhecer as três cores primárias, que formam os pixels da maioria dos displays por aí: verde, azul e vermelho. Apesar de serem emitidas juntas, elas não são absorvidas pela nossa córnea (e posteriormente, pelo cérebro) do mesmo jeito.

As diferentes tonalidades de cor são absorvidas por vários tipos de fotorreceptores, células que captam a luz que chega à retina e transmitem impulsos nervosos sobre essas luzes para o cérebro. A luz azul, em especial, é absorvida por um fotopigmento chamado melanopsina, encontrado em um fotorreceptor da retina.

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Só que a melanopsina, quando sensibilizada pela luz azul, envia uma mensagem para o cérebro parar de produzir a melatonina, o hormônio que controla o sono. É um processo natural: com a quantidade de luz azul recebida durante o dia (pelo céu e radiação solar), nosso corpo entende que ainda não é hora de dormir.

No entanto, conforme o sol vai se pondo, o corpo começa a produzir melatonina para indicar que é hora de dormir. Então você já deve imaginar o que a combinação de celular e cama faz: devido a alta quantidade de luz azul na tela de seu smartphone, muito maior que a de luz incandescente, seu cérebro entende que a hora de dormir ainda não chegou, embora o ritmo circadiano (o famoso “relógio biológico”) tente dizer o contrário.

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Essa combinação não é nada saudável. Como expliquei no post em que divulguei a pesquisa que indica que quase metade dos brasileiros usa o smartphone antes de dormir, a secreção de melatonina é significativamente atrasada e você tem normalmente uma hora a menos de sono por dia.

E é sempre bom dormir direito. O doutor Dan Siegel, da Escola de Medicina da UCLA na Califórnia, disse ao Business Insider que, se você dormir menos que sete a nove horas por dia, as células da glia não limpam direito as toxinas geradas pelos seus neurônios.

Isso influi na produtividade, uma vez que sua atenção, memória e capacidade de resolver problemas ficam debilitadas. Dan diz que até a insulina, que ajuda a regular o metabolismo, não funciona muito bem. Sem a insulina funcionando corretamente, você fica mais suscetível a ganhar peso porque você tende a comer mais sem necessidade. Quanta coisa pode dar errado, né?

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Portanto, os aplicativos abaixo, que funcionam de forma semelhante ao Modo Noturno, regulam a quantidade de luz azul sendo emitida para os seus olhos a um nível saudável, por meio de um filtro que deixa o display mais parecido com uma luz incandescente, com uma tonalidade alaranjada.

Modo Noturno em todas as plataformas

Na próxima versão do iOS, a 9.3, donos de iPhones 5s ou superior poderão ativar o Modo Noturno e dormir melhor, mesmo usando o smartphone na cama e em horários tardios. Mas, apesar da Apple ter sido a primeira fabricante a incluir esse recurso nativamente em seu sistema operacional, donos de iPhones não são os únicos que podem ter essa vantagem.

Na verdade, aplicativos para controlar a cor da tela para outras plataformas existem há anos. O mais popular é o f.lux, que eu mencionei no começo do post. “O f.lux faz com que a tela de seu computador se pareça com a sala que você está, a qualquer hora. Quando o sol se põe, ele faz com que o computador se pareça com as luzes artificiais do seu quarto. De manhã, ele faz a tela se parecer com a luz do sol novamente”, diz a descrição do app.

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O funcionamento você já conhece: a partir da sua localização geográfica, o f.lux puxa os horários em que o sol nasce e se põe. Com essas informações, ele controla o filtro de cor da sua tela em três principais intensidades: Luz do dia (6500K), Halogênio (3400K) e Incandescente (2700K).

Por padrão, a Halogênio (sim, o nome vem das lâmpadas incandescentes de tungstênio) é ativada à noite e deixa a tela bem mais laranja que o normal. A transição é feita aos poucos, conforme o dia vai escurecendo, para seus olhos não estranharem a mudança de cor.

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É claro que você ainda vai perceber que o display está com menos intensidade azul e com cores mais quentes, mas dá para se acostumar com o tempo. Se você estranhar ou precisar mexer em algo que demande precisão de cores, é possível desabilitar o f.lux sem problemas. Você também pode ir brincando com as mais variadas temperaturas de cor (em Kelvin) para encontrar a que melhor te encaixa.

O bom do f.lux é que ele está disponível para quase todas as plataformas: serve para usuários de Windows, Mac, Linux e iOS (caso o seu iPhone não suporte o Modo Noturno ou você não queira esperar até o iOS 9.3 sair para todo mundo; é necessário ter jailbreak).

Twilight, a alternativa para Android

Calma, quem usa Android também tem uma saída. Batizado de Twilight, o aplicativo é semelhante ao f.lux e tem configurações muito parecidas. Um agradecimento em especial para os desenvolvedores do app, que explicaram muito bem no vídeo acima e nas imagens do Google Play como ele é útil no smartphone.

O diferencial do Twilight é que você pode configurar o horário específico dos filtros, além de criar perfis com diferentes cores e intensidades para se adaptar às suas necessidades. Também é possível controlar a intensidade e a iluminação da tela, caso o brilho no mínimo ainda esteja claro demais.

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Um perfil que vem configurado por padrão, por exemplo, é o de Leitura na cama. Ele configura a temperatura da cor para 1000K, intensidade 50% e deixa a tela 55% mais escura, para que a cor do display fique confortável a ponto de você olhar para ele naturalmente, sem que seus olhos sofram com o brilho. Bom para quem não tem um Kindle e gosta de ler ebooks no celular.

Se você costuma compartilhar muitas screenshots, um aviso amigável: como esses filtros são aplicativos sobre todo o sistema, as capturas de tela ficarão alaranjadas (e você já deve ter percebido isso pelas imagens ao redor). Nada catastrófico, mas é bom saber disso antes que alguém te pergunte porque as capturas de tela do seu celular estão com uma cor diferente.

Caso você esteja levando esse negócio de controlar o sono muito a sério, pode comprar a versão Pro do Twilight por R$ 2. Ela permite que você configure mais que dois perfis de cores e ajustar o tempo que o sol nasce ou se põe.

Você vai usar algum desses aplicativos?