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Consórcio chinês oferece US$ 1,2 bilhão pela Opera Software

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3 anos e meio atrás

Opera

O Opera, aquele que muitos consideram “o melhor navegador que quase ninguém usa”, pode ter novos donos em breve: na noite de terça-feira (9), um grupo formado pelas empresas chinesas Beijing Kunlun Tech e Qihoo 360 fez uma oferta de US$ 1,2 bilhão para adquirir a Opera Software.

Uma proposta como essa já vinha sendo esperada. No ano passado, a companhia revelou planos de vender as suas operações e, para acalmar os acionistas, definiu a data de 9 de fevereiro de 2016 como prazo máximo para dar uma posição sobre o assunto.

Na semana passada, os rumores sobre uma oferta por um grupo chinês se intensificaram de tal forma que, na última sexta-feira (5), as ações da Opera Software subiram pouco mais de 5%, o que fez a bolsa de Oslo suspender as negociações dos papéis — relembrando, a companhia tem sede na Noruega.

Para a Opera Software, o negócio pode ser questão de sobrevivência no longo prazo. Embora tenha encerrado 2015 no vermelho, a saúde financeira da companhia não está tão ruim assim. Seu principal problema é a dificuldade para acompanhar o ritmo dos concorrentes, especialmente o Google: o Chrome vem conquistando cada vez mais espaço, tanto em desktops quanto em dispositivos móveis.

Tentando se manter no páreo, a Opera Software vem apostando em outros produtos, como o Opera Max, app para Android que compacta vídeos e imagens com a promessa de reduzir o consumo de dados em até 50%.

Opera Max

As tecnologias de compressão de dados fazem com que os produtos da Opera sejam relevantes principalmente em mercados emergentes. Neles, os custos das franquias de acesso à internet acabam sendo muito elevados para o consumidor, portanto, qualquer solução de economia é vista com interesse.

É no segmento móvel que essa participação é expressiva. Segundo a NetMarketShare, o Opera Mini, o navegador móvel mais popular da empresa (por funcionar satisfatoriamente inclusive em dispositivos baratos), encerrou janeiro com 7,28% de participação no mercado. Não é muito frente aos líderes Chrome e Safari (41,57% e 34,12%, respectivamente), mas o suficiente para ajudar a Opera Software a obter receita com publicidade.

Market share - browsers

E que receita! A publicidade móvel respondeu por cerca de 75% do faturamento da empresa no último trimestre de 2015, o que corresponde a um montante aproximado de US$ 145 milhões. Apesar disso, a Opera Software acumulou prejuízo de US$ 28,4 milhões no ano passado (lembra que eu falei que ela fechou no vermelho?).

Esse cenário parece não preocupar o consórcio chinês, porém. A Opera Software, com a tradição que tem (são mais de 20 anos de existência), pode ajudar na expansão dos negócios do grupo, especialmente fora da China.

A Beijing Kunlun Tech tem como principal ramo de atividade o segmento de games online. Já a Qihoo 360 é especializada em soluções de segurança — o seu principal produto é o antivírus 360 Total Security.

Em comum, as duas têm em seu histórico investimentos em outras empresas de tecnologia. É o que levou ambas a formarem o consórcio para adquirir a Opera Software, mas não de modo exclusivo: as empresas Golden Brick Silk Road e Yonglian Investment também fazem parte do grupo.

Qihoo 360

Até o momento, nenhuma das partes deu detalhes sobre a proposta, por isso, não se sabe quanto cada companhia investirá no negócio — é possível até que a Opera Software não seja comprada por completo. Mas tudo aponta para a Qihoo 360 como “líder” do negócio.

Isso pode ser motivo de preocupação para quem sempre confiou nos softwares da Opera: a Qihoo 360 já se envolveu, mais de uma vez, em polêmicas por condutas antiéticas ou anticompetitivas. No ano passado, por exemplo, a companhia foi acusada de trapacear em testes de antivírus (PDF).

Espero que esse seja um temor desmedido, é claro. Seria terrível uma empresa com a tradição da Opera Software se envolver em trapaças e afins ou, pior, colocar a privacidade dos usuários em risco.

A aquisição, vale destacar, ainda precisa passar pela aprovação de acionistas e entidades regulatórias, mas já é vista no mercado como certa.

Com informações: Reuters, Forbes