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Vivo, não estrague a nossa internet

Um desabafo sobre a gestão de Amos Genish, ex-presidente da GVT e atual CEO da Vivo

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3 anos atrás
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Está claro que a Vivo quer mudar totalmente a nossa relação com a internet. A operadora foi a primeira a abolir a redução de velocidade pós-franquia em pacotes de dados móveis e também a empresa que começou a tecer publicamente críticas ao WhatsApp. O próximo passo é estabelecer limites de consumo para a banda larga fixa.

É verdade que a Vivo não é a primeira operadora a considerar esse tipo de limite. A NET estabelece franquias mensais de consumo nos contratos há anos, embora raramente limite as conexões dos assinantes na prática. O mesmo serve para a Oi, que também explicita as limitações no regulamento, mas sequer tem tecnologia para aplicar isso na vida real: em muitos lugares, a troca de velocidade tem de ser feita manualmente nas centrais regionais.

Dado o histórico recente da Vivo, é provável que a operadora realmente aplique esse tipo de limitação. No Twitter, a operadora começou a esclarecer que a banda larga por fibra ótica terá corte após uso integral da franquia, enquanto a internet no padrão ADSL terá velocidade reduzida.

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Quando questionada pelo Tecnoblog, a assessoria de imprensa da Vivo negou a informação. Segundo a empresa, em relação aos clientes GVT e Vivo Fibra, o limite de franquia “está sendo avaliado”. No entanto, é importante lembrar que novos contratos da banda larga por fibra ótica da Vivo para empresas começaram a estabelecer franquias mensais de consumo, assim como no Vivo Internet Fixa.

O que mais espanta é que quem está no comando da empresa é Amos Genish, ex-presidente da GVT que assumiu a Vivo após a fusão das companhias. Genish criou a GVT do zero. Durante sua jornada na GVT, a visão da empresa era muito mais aberta ao consumidor do que a interesses corporativos. Lembro-me perfeitamente de campanhas que anunciavam o fato da banda larga ser realmente ilimitada e de ser a única operadora que oferecia “respeito ao consumidor”.

Confesso que, como cliente, fiquei empolgado ao saber quem iria liderar a Vivo após a fusão. A minha esperança era de que a gestão de Genish aplicasse os mesmos princípios da GVT para todos os clientes do grupo. Infelizmente, isso não se concretizou. Mudar contratos antigos de clientes sem alarde, no caso da internet móvel, foi exatamente o contrário do “respeito” que uma empresa pode ter com seus consumidores. Chamar o WhatsApp de “operadora pirata” foi outra falta de respeito, tanto com o aplicativo quanto com o bilhão de usuários do serviço.

Para muitos, especialmente no interior de São Paulo e nas regiões periféricas da capital paulista, a Vivo é a única opção de banda larga disponível. Com franquia de 130 GB para uma conexão de 25 Mb/s, basta que o cliente faça tráfego constante na velocidade máxima por pouco mais de 11 horas. Numa época em que estamos usando cada vez mais serviços de streaming e backup na nuvem, 130 GB é pouco.

Deixar uma franquia tão baixa significa alterar toda a nossa forma de utilização de internet. Já não basta monitorarmos dados no celular, agora teremos que medir o consumo da internet em casa? Em vez de tentar “preservar” a rede, invista mais nela e em sua disponibilidade. Tem muita gente querendo assinar velocidades maiores (e por consequência gastar mais com esse tipo de serviço), mas a operadora simplesmente não possui viabilidade técnica para tal.

Como redator de telecomunicações e principalmente como consumidor, torço bastante para que a empresa reveja sua estratégia de limitar a banda larga fixa, nem que seja fazendo vista grossa para o próprio contrato, como acontece na NET e Oi. Por favor, Vivo, não estrague a forma como utilizamos a internet.

Tecnocast.zip 001 – Do not, my friends, become addicted to the internet

Gravamos uma edição especial do Tecnocast para discutir os limites na banda larga fixa. O modelo de negócio das operadoras está em risco, pois todos os seus serviços estão deixando de existir e migrando para dentro da internet. É fato que o usuário não pode pagar o pato, mas também não existe almoço grátis. O que fazer? Dê o play!

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