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Alguns dados sobre a internet no Brasil e no mundo, segundo o Facebook

3,2 bilhões de pessoas têm acesso à internet. Brasil é o 78º país, de 202, com maior cobertura da rede

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1 ano e meio atrás
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O Facebook liberou o relatório State of Connectivity 2015, seu segundo estudo anual que analisa o estado da conectividade global e o que mudou desde 2014, quando o levantamento começou a ser produzido. Esses dados são importantes para o Facebook principalmente por causa do Internet.org, sua iniciativa para conectar o mundo inteiro.

Internet.org-logo

Antes de tudo, o estudo mostra alguns dados importantes sobre o estado da internet ao redor do mundo: 3,2 bilhões de pessoas têm acesso à rede, um crescimento de 10% em relação aos 2,9 bilhões de 2014. Segundo a companhia, isso é parcialmente devido ao barateamento do acesso à rede e ao crescimento da renda global.

Ainda assim, isso significa que 4,1 bilhões de pessoas não estão conectadas ― e até 2020 esse número se reduzirá para apenas 3 bilhões, segundo estimativas do Facebook. Em outras palavras, apenas 43% do mundo tem acesso à internet, e o Facebook dá vários sinais de querer mudar isso. Com o relatório, ele lista as quatro principais barreiras que restringem o acesso à internet:

  • Disponibilidade, que requer proximidade à infraestrutura necessária para acessar a rede;
  • Acessibilidade, que depende do custo para ter acesso à rede, o que também varia com a distribuição de renda de cada país;
  • Relevância, ou seja, um motivo para acessar a internet, como o consumo de conteúdo disponível em uma língua primária;
  • Preparação, a capacidade de acessar a internet, que depende da aptidão, compreensão da estrutura e da aceitação cultural de determinada população em relação à rede.

Com esses quatro aspectos em mente, o Facebook avalia a distribuição da internet ao redor do mundo por meio de pesquisas de campo, coleta de preços e outros dados, além de mapeamento por satélite.

Por exemplo: uma parceria do Facebook com a Universidade de Columbia, dos Estados Unidos, trouxe dados precisos sobre a distribuição da população em 20 países, o que ajuda a rede social a ver as áreas em que as pessoas estão concentradas e comparar com os investimentos em infraestrutura governamentais, priorizando onde há maior concentração populacional.

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Com tudo isso em mente, vamos analisar as descobertas do relatório em um âmbito global e depois comparar com as informações disponíveis especificamente para o Brasil. Logo quando você abre o relatório, é possível ver a porcentagem da população online distribuída para cada país.

O Brasil está em 78º lugar, atrás de países como Azerbaijão, Rússia, Arábia Saudita, Malásia, Gronelândia e Israel. O país tem cerca de 58% da população online, um crescimento de quase 10% em relação ao ano anterior (dentro da média para países em desenvolvimento). Mas, ainda assim, o país possui 86 milhões de habitantes que ainda não têm acesso à internet.

Só por curiosidade, os cinco países mais conectados no mundo são: Islândia, Bermudas, Noruega, Dinamarca e Andorra. O Reino Unido ocupa a 13º posição no ranking, o Japão a 16ª e os Estados Unidos a 18ª, com mais de 90% da população conectada. As lanternas do ranking, Eritreia, Burundi, Somália, Guinéa (África) e Timor-Leste (Sudeste Asiático), não têm nem 5% da população conectada e tiveram crescimento praticamente nulo durante o último ano.

A disponibilidade da rede não é um problema tão grande assim: as redes 2G estão disponíveis para 96% da população mundial, enquanto o 3G está disponível em 78% do mundo. Ainda assim, 1,6 bilhão de pessoas não têm nenhuma cobertura de banda larga (3G ou 4G) devido à fatores econômicos, operacionais e políticos.

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Veja, por exemplo, o uso de 2G, 3G ou 4G no mundo medido pelo aplicativo do Facebook para Android na imagem acima, onde a rede registrada é apenas a de última geração. Observe que nos Estados Unidos e na Europa o 4G praticamente domina, enquanto o Brasil está recheado de pontinhos amarelos. Dá pra ver apenas algumas manchas azuis em alguns pontos de São Paulo, Rio de Janeiro ou Brasília.

Outro ponto sensível é o custo das redes móveis, que não é exatamente barato no Brasil, mas vem caindo. Segundo os dados analisados, inovações tecnológicas e competições de mercado fizeram com que os preços dos megabytes caíssem 12% em 2014 nos países em desenvolvimento. No Brasil, o custo médio por 500 MB é de US$ 8,46, quantia que 53% da população pode pagar, segundo o relatório.

Em contraste com o nosso país, apenas 32% das pessoas que vivem em nações emergentes podem pagar 500 MB de dados, contra 94% nos países desenvolvidos. E normalmente é essa franquia que os emergentes consomem; mais especificamente, 550 MB por mês em redes 3G ou 4G, enquanto em nações desenvolvidas esse número salta para 1,4 GB.

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Cobrança de tarifa nas Filipinas, que leva em conta vários fatores na hora de taxar o usuário

Uma das formas de fazer com que mais pessoas acessem a internet é diminuindo o custo dos dados: o Facebook cita algumas alternativas, como uma cobrança de tarifa diferente feita nas Filipinas (por mega, que também varia com o tempo de navegação). Mas ainda assim, conseguir acessar à internet é três vezes mais caro para quem não tem smartphone (2,7 bilhões de pessoas). O custo, obviamente, reflete o preço de um celular novo, além de voz e SMS, que normalmente vêm juntos.

Por fim, sabemos que para usar a internet é necessário pelo menos um conhecimento básico de língua inglesa. O relatório do Facebook aponta que, de 7 mil línguas existentes no mundo, apenas 55 têm conteúdo relevante online (mais de 100 mil artigos na Wikipedia); 67% da população falam pelo menos um desses 55 idiomas como língua primária ou secundária. Para esse número chegar a 98% da população global, 800 idiomas (!) deveriam ser abrangidos.

E fora da Wikipedia? Apesar de a internet ser um lugar bem vasto e que permite a expressão de várias culturas diferentes, relativamente poucas línguas são usadas. Apenas dez idiomas compõem 89% dos sites analisados, sendo que 56% são apenas em inglês. Segundo o Facebook, a falta de conteúdo com língua nativa afasta usuários de países em desenvolvimento.

O relatório inteiro, por si só, é interessante, e cita várias outras abordagens para conseguirmos superar os desafios que a penetração global da internet enfrenta. Por exemplo: mais de dois terços daqueles que não têm acesso à internet e moram em países desenvolvidos não sabem nem o que a palavra “internet” significa.

Caso você queira ver o relatório completo (em inglês), ele está disponível aqui.

  • Fiz uma leitura dinâmica, mas se entendi bem o Facebook mede a porcentagem de conexões baseados no acesso do seu site?

    Porque tipo assim: Eu não tenho facebook, então pra eles eu não entro pra estatística? Ou tipo… Eu não tenho acesso à internet? Depois vou ler com calma o PDF citado no texto.

    • Supersonic

      Pelo mapa parece que sim.

    • Vinicius Zucareli

      Fora que, aparentemente, eles não consideram somente a população adulta. Eles consideram toda a população, inclusive bebês. Até pode fazer sentido, visto que já vi muitos perfis de bebês, mas achar que isso tem que ser a norma…

    • Tiago Celestino

      Realmente, não tem como entender essa pesquisa.

    • ochateador

      Se você entra no site do tecnoblog que tem um plugin de curtir do facebook eu acho que isso é considerado também.

    • Tipo em casa somos 4 pessoas, mas meus pais não usam a internet isso conta como tem acesso a internet ou não tem ?

    • grande_dino_2

      Eles usaram dados de vários relatórios.
      Se por “porcentagem de conexões” você quer dizer o “Percentage of population online” que está na capa do relatório, não, eles não usaram os dados de acesso ao site deles. Os dados são do ITU, do relatório ICT Indicators Database de 2015.
      O anexo B tem as fontes de onde eles tiraram os dados.

  • Internetorg = zzzzzz

  • Keaton

    “People can afford 500MB per month”.
    Ok… como se no brasiu tivessemos algum jeito de conseguir 500MB via mobile num mes… lol

  • Ricardo – Vaz Lobo

    A cobertura de 4g nos EUA/Europa/Japão/Korea/Aussie/NZelandia me dá um nó na garganta.

  • Ramon Gonzalez

    incrivel como no mapa a metade leste dos eua tem beeem mais 4G que a metade oeste. Alguma explicacao?

    • Ricardo – Vaz Lobo

      EU ACHO que é por conta da região mais montanhosa, com menos cidades e menos povoada, que se inicia do meio do país até a Califórnia

      • Marcvs Antonivs

        Exatamente.

  • leoleonardo85

    Porque a região Oeste do EUA é quase toda escura, pensei que o País todo tava conectado.

  • nicolas gleiser

    ” No Brasil, o custo médio por 500 MB é de US$ 8,46, quantia que 53% da população pode pagar, segundo o relatório. ”
    Qual operadora tem esse plano ? pago aqui 10 pilas por semana em 400mb =x

    • Brenno Medeiros

      Medio, quer dizer que tem na realidade podem ser mais baixos ou mais altos. Aqui no Brasil dependendo do lugar que se mora, existe um diferença grande no preço da internet.

  • Marcvs Antonivs

    O surpreendente nesse mapa é a escuridão na China (???) e a presença ainda muito significativa do 3G na França e Espanha…

    • Brenno Medeiros

      É por que o facebook não é usado na China.

    • A área rural de alguns países europeus ainda não é bem servida pelo 4G, mas mesmo assim a população é bem conectada e como eles tem planos 3G a preços descentes, conseguem acessar.

  • Ednilson

    uso internet pra bate papo, zueiras, transações bancarias, namoro online, compras online, etc… mas ainda prefiro o mundo na época em que não existia isso pq além de ser muito viciante a internet deixou de modo geral as pessoas mais individualistas e mais conectadas no mundo virtual do que no mundo real é só observar o compportamento das pessoas nas ruas parecem um monte de robos hipnotizados no celular !!!!