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Um carro autônomo do Google bateu num ônibus (e a culpa foi do software)

Jean Prado Por

Os carros autônomos do Google já andaram cerca de 2,2 milhões de quilômetros desde 2009, quando o projeto começou. Desde então, foram 17 acidentes (sem contar este), dos quais nenhum o carro do Google havia sido culpado (a falha sempre era humana). Só recentemente um acidente causado por um motorista distraído resultou em feridos. Mas agora o cenário mudou.

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Segundo o Departamento de Veículos Motorizados (DMV) da Califórnia (equivalente a uma CET em São Paulo), um dos lugares onde os carros autônomos rodam, um Lexus RX450h bateu em um ônibus ao fazer uma conversão. No relatório mensal de fevereiro, que sai amanhã e foi obtido com exclusividade pelo The Verge, o Google admite "alguma responsabilidade" pela batida.

O relatório escrito pela DMV detalha o acidente, que aconteceu no dia 14 de fevereiro. O veículo estava a 3,2 km/h se aproximando de um cruzamento, e moveu-se para a faixa da direita, que estava com sacos de areia à frente por conta de uma construção. Para desviar deles, o carro voltou para a faixa da esquerda, onde um ônibus se aproximava, a uma velocidade significativamente maior, de 24 km/h.

Como de praxe em conversões na faixa, o motorista que estava dentro do carro autônomo achou que o ônibus iria diminuir a velocidade ou parar para o veículo voltar à faixa. Mas isso não aconteceu: três segundos depois, quando o carro autônomo estava voltando para a esquerda, ele colidiu com o ônibus, danificando parte do para-choque esquerdo, a roda e alguns sensores do Lexus. Ninguém ficou ferido.

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É difícil identificar um culpado claro nesses casos, mas até o Google admite que o seu veículo deveria ter parado. No entanto, "o nosso motorista de testes achou que o ônibus iria reduzir a velocidade ou parar para permitir que o carro continue seu caminho, e que teria espaço o suficiente para isso acontecer", disse o Google.

Depois de revisar o acidente no simulador inteligente da empresa (e milhares de variações), eles conseguiram ajustar o software para coisas como estas não acontecerem de novo. Eles adicionaram a informação de que ônibus e outros veículos largos são menos prováveis de dar passagem que outros tipos de veículo, o que foi constatado no simulador.

Analisando o caso, é uma questão curiosa saber que nem o motorista de testes, que estava dentro do veículo, previu que o ônibus não daria passagem. Em situações como esta no trânsito, como aponta o The Verge, existe um grau de negociação entre ambos os motoristas, e suposições podem estar erradas (o que causa acidentes).

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É realmente uma questão de ir ajustando o software para ele ficar perfeito. Ainda nesse âmbito do aprendizado de máquina, mas do lado oposto, já foi constatado que os carros autônomos do Google seriam "seguros demais", uma vez que eles brecavam constantemente em cruzamentos e não sabiam direito se um carro estava dando passagem ou não. Em uma realidade que a inteligência artificial divide as ruas com os humanos, ser cuidadoso demais também é um problema.

E qual a solução? Não existe fórmula mágica. Em ambos os casos, o software foi modificado para entender melhor como os humanos dirigem. Só depois de vários outros dilemas os carros autônomos poderão dominar as ruas. Afinal, ainda não chegamos num patamar em que o trânsito é autônomo e os pedestres não cometem erros.

Com informações: Reuters, iG Tecnologia.

Programados para matar

Falamos mais sobre esse assunto de carros autônomos no Tecnocast 033, com o título "Programados para matar". Ele aborda, entre ouras questões, os impasses que esse tipo de tecnologia enfrenta no mundo atual.

Tomamos como base algumas questões éticas levantados por um professor de Stanford, que argumenta que os veículos autônomos, em várias situações, precisam decidir qual vida é mais importante (a do motorista ou de um pedestre), em caso de uma colisão iminente. Quem você acha que ele deve salvar? O botão de play fica logo abaixo! 🙂

033

Comentários

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rogerio
Seu celular sempre funcionou?
Keaton
Ai teriamos outro problema... imagina sampa ou mesmo a região metropolitana de curitiba... 12x mais onibus, passagem 12x mais cara... etc... etc... =p
Deilan Nunes
Então... Acho que deveria ser proibido levar passageiros em pé... Se ha não for
Keaton
Cinto de segurança só funciona com quem está sentado... e o pessoal em pé? Afinal, estamos falando de onibus em geral.
Deilan Nunes
Não sei se é obrigatório ter cinto de segurança em ônibus, mas se todos usassem já resolveria esse problema.
Keaton
A quinta palavra (ou terceira se tu desconsiderar "que no") já indica qual é o problema na tua resposta....
Deilan Nunes
Cinto de segurança existe e para isso...
Leonart Gutz
Não sei se ele poderia ter dado a preferencia, mas tbm não vejo com erro do software e sim com a falta de implementação. Veja bem, agora com a nova variável mais acidentes podem ser evitados como um ônibus ou caminhão sem freio, que poderia causar um acidente muito maior.
Leonart Gutz
É "simples" resolver o problema, enquanto existirem os 2 tipos de motoristas, virtuais e físicos, esses problemas irão acontecer, a vantagem de um motorista virtual seria a conexão que todos teriam dessa forma evitando quase que totalmente os problemas referentes a colisões de carros.
Leonart Gutz
Melhora 8000? Os acidentes mais graves vem de São Paulo....
Zanac_Compile
Aqui em Canguçu não tem guarda municipal
Silvio Ney
Falei com relação ao que o amigo citou, sobre "veiculos grandes quererem que a gente se dane". Pior que também é verdade sobre isso. hAHAHUHAUHA
Victor
O mais incrível é ver a descrição do vídeo: "Was travelling a little under 45 mph. There was some rain, but roads were pretty dry. I was watching stopped traffic to my right. I did not touch the brake. Car did all the work."
Elias Barnard
Bora galera, alimentar o troll. Ele vai ficar felizinho vendo a gente xingando uns aos outros.
Elias Barnard
Cara a gente tem uma noção distorcida da frenagem de veiculos grandes. É claro que eles levam mais tempo do que um carro pequeno, mas eu que ando de onibus ja vi altas paradas bruscas. Qd o motorista afunda o pé pra valer ele para mesmo, ainda mais em velocidade baixa como esse que estava a 24km/h.
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