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O futuro da Oi: os detalhes da expansão, crise e nova marca da operadora

Diretor de varejo da Oi, Bernardo Winik conta ao Tecnoblog o que está por trás da operadora

Lucas BragaPor

A semana foi atípica na Oi: a companhia remodelou seu portfólio de produtos convergentes e lançou uma marca nova, que dividiu opiniões. Em conversa com o Tecnoblog, o diretor de varejo da companhia Bernardo Winik mostrou tudo o que está por trás dos novos combos Oi Total. Além disso, ele nos deu pistas sobre os planos da operadora para superar a crise financeira e qual o futuro para o desenvolvimento de infraestrutura da operadora.

TL;DR

Esta conversa revela:

  • Que o Oi Total é um produto com grande importância para a operadora, uma vez que unifica a operação de serviços de telefonia móvel, fixa, banda larga e TV por assinatura em uma única plataforma de controle;
  • Que a Oi não tem intenção de levar o serviço de TV por assinatura para o estado de São Paulo;
  • Que os decodificadores da Oi TV serão futuramente conectados à internet para acesso ao Oi Play;
  • O que a operadora está fazendo para melhorar o acesso a maiores velocidades em sua rede de banda larga fixa;
  • O que irá acontecer com a tal banda larga e TV por assinatura por fibra ótica lançados pela operadora em 2012 e que nunca se expandiu;
  • O impacto da nova marca sobre a crise financeira que a Oi tem enfrentado.
Bernardo Winik, diretor de varejo da Oi (Foto: Eny Miranda/Divulgação)

Bernardo Winik, diretor de varejo da Oi (Foto: Eny Miranda/Divulgação)

Oi Total e TV por assinatura

Tecnoblog: A Oi já tinha o plano Oi Conta Total, que era basicamente o que o Oi Total propõe, mas sem a TV por assinatura. Por que essa mudança é tão importante para a empresa?
Bernardo Winik: O Oi Total traz maior ganho operacional para a operadora. Antes, o cliente possuía três faturas diferentes (uma para TV, outra para celular e outra para banda larga). A plataforma de suporte tinha diferentes sistemas para diferentes produtos, e o novo plano acabou integrando tudo num único lugar. Com o Oi Total, a instalação dos três serviços fixos é feita por um único técnico e o suporte é concentrado em uma única central.

“TV por assinatura é um produto de baixíssima lucratividade para a operadora”

Tecnoblog: Então o mesmo instalador de fixo e banda larga também estará capacitado para atender TV por assinatura?
Winik: Essa é a intenção. No momento ainda são dois técnicos diferentes, mas já está acontecendo o treinamento para milhares de técnicos e a instalação será simplificada a partir do 2º semestre do ano.

Tecnoblog: Agora que a Vivo comprou a GVT e está “invadindo” a área da Oi com TV por assinatura, não seria a hora da Oi fazer o mesmo e levar a Oi TV para São Paulo?
Winik: Não. TV por assinatura é um produto de baixíssima lucratividade para a operadora, com um payback (retorno financeiro) muito longo. É um produto para triple-play, e não vamos para SP porque não temos rede fixa disponível para o cliente.

Tecnoblog: Então o Oi Total é uma forma da operadora vender o serviço de TV para seus clientes?
Winik: O cliente pode fazer as contas: se assinar cada serviço separadamente pagará muito mais do que num combo. Temos combos sem TV e com TV, e o cliente irá perceber a diferença de valores caso contrate um serviço à parte.

Tecnoblog: A operadora atualmente vende conteúdo em pay-per-view por meio do Oi Filmes com acesso diretamente pelo set-top-box de TV, mas também possui a plataforma Oi Play, que não está disponível pelo controle remoto. Agora que todos os combos têm internet banda larga, a operadora não tem intenção de conectar os decodificadores à internet? Havia essa promessa desde o ABTA 2015.
Winik: Iremos conectar os decodificadores, mas ainda não formulamos como isso será feito. Quando o modem da banda larga fica ao lado da TV é só ligar um cabo, mas em muitas residências esse modem fica longe da sala, por exemplo. Estamos testando uma modalidade de transmissão sem fio, via Wi-Fi.

Tecnoblog: Sim, outras operadoras fazem isso. Uma tecnologia que é pouco difundida, mas muito funcional, é o PLC, que transmite dados pela rede elétrica. Isso seria útil até mesmo para instalações de IPTV, evitando um monte de cabos e facilitando a instalação. Não seria uma boa oportunidade para o uso da tecnologia?
Winik: Também estamos testando esse modelo de transmissão por rede elétrica em nossos laboratórios. Tanto isso como Wi-Fi ainda não foram homologados, mas isso deve acontecer em breve.

Tecnoblog: O Oi Total tem banda larga com velocidade de 10 Mb/s em todos os planos. Ao mesmo tempo, operadoras concorrentes oferecem velocidades superiores a 15 Mb/s no combo. 10 Mb/s não é uma velocidade muito baixa?
Winik: O cliente pode contratar até 35 Mb/s se quiser. Deixamos 10 Mb/s porque tem gente que não precisa de mais do que isso, e conseguimos nivelar os planos por baixo. Dessa forma, a possibilidade de escolha do cliente fica mantida. Outro problema é que, nesse momento, a Oi não consegue oferecer velocidade maior do que 10 Mb/s para todo mundo.

Tecnoblog: Mas por que então no Oi Total os planos de celulares são casados com a categoria? É impossível ter um plano de TV básica com celular topo de linha.
Winik: É possível ampliar a franquia de dados do móvel mesmo no plano mais básico, pagando um adicional.

Tecnoblog: Mas não os minutos, certo? Um cliente não poderia ter 3.000 minutos com o plano mais básico de TV.
Winik: Sim, isso é verdade. Mas todos os planos foram modelados depois de muitas pesquisas para entender o perfil dos consumidores. Um cliente que precisa de 3.000 minutos é um ponto fora da curva, que praticamente está falando no celular o tempo todo.

Banda larga e infraestrutura

Tecnoblog: Você falou anteriormente que nem todos os clientes conseguem contratar velocidades altas. Por quê?
Winik: Nossa maior barreira era o backbone, que tinha diversos gargalos. Esse problema foi corrigido no ano passado, quando criamos um backbone novíssimo de altíssima capacidade. Arrisco dizer que, atualmente, o backbone da Oi é o mais avançado do Brasil em comparação com a concorrência. Nossa barreira atual é a última milha, com longas distâncias da casa do cliente até a central.

“Sabemos que não estamos atendendo todas as necessidades de nossos clientes”

Tecnoblog: E o que a operadora está fazendo para resolver isso?
Winik: Estamos trabalhando no encurtamento da nossa rede. Iremos criar novas centrais, reduzindo a distância até a casa do cliente e, dessa forma, aumentando as velocidades disponíveis para a base. Todas as implementações de portas já são no padrão VDSL, que permite entregar maior velocidade até o usuário.

Tecnoblog: Tem algum prazo para concluir isso?
Winik: Não há data definida, mas sabemos que não estamos atendendo todas as necessidades de nossos clientes. Precisamos fazer isso de forma rápida, e, para isso, o cronograma de encurtamento é baseado em análise de potencial de consumo de regiões e cidades, bem como nas demandas registradas em call center e operações. É um plano para ser concluído a médio prazo. É importante lembrar que a Oi tem serviços em mais de 4 mil cidades, enquanto a concorrência tem operação muito menor. É como se eles atendessem apenas Manhattan, enquanto preciso atender Manhattan e todo o resto do país. O orçamento fica dividido, e nem sempre o resultado de todos os investimentos irá agradar todo mundo.

Tecnoblog: Existem planos de implementar a tecnologia G.fast? (padrão de transmissão de dados via par metálico com velocidades que podem chegar a 1 Gb/s)
Winik: Estamos com testes da tecnologia em laboratório. Os resultados são impressionantes: quando se pensa que o par de cobre não tem mais como evoluir, surge uma tecnologia que dá uma sobrevida. Iremos fazer testes de campo em breve, mas existe a intenção de usar a tecnologia comercialmente.

Tecnoblog: A Oi iniciou uma operação de banda larga e IPTV por fibra ótica, disponível em selecionadas regiões na Barra da Tijuca (Rio de Janeiro) e no Belvedere (Belo Horizonte). Essa rede nunca se expandiu desde então. A Oi desistiu de levar fibra ótica até os clientes?
Winik: É uma tecnologia que estamos retomando investimento. Iremos expandir essa rede de uma forma menos agressiva, aos poucos. Em meados de 2017 e 2018 haverá uma dedicação maior a essa tecnologia, mas disponível para poucas áreas.

Nova marca e crise financeira

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Tecnoblog: Existem 70 novos logotipos da operadora. Isso não deixa o consumidor confuso?
Winik: Com tantas marcas diferentes, o cliente irá perceber que a Oi pode estar presente em sua vida de diversas maneiras. Não é a intenção que o consumidor se confunda, mas sim perceba o dinamismo da Oi.

“Não é a intenção que o consumidor se confunda, mas sim perceba o dinamismo da Oi”

Tecnoblog: Em redes sociais, internautas criaram memes associando a marca a brinquedos infantis e desenhos animados. Entre os nossos leitores, a receptividade da marca nova não fui muito boa. Como é a percepção da operadora quanto a isso?
Winik: Na nossa avaliação, o saldo foi positivo. O mercado se posicionou a favor da mudança de marca e a perspectiva de consumidores foi melhor do que o esperado. É certo que tem gente que não gostou da novidade, principalmente clientes antigos que eram apegados à marca Oi.

Tecnoblog: A Oi está com uma dívida bruta que beira os 55 bilhões de reais. Uma mudança de marca não traz um custo muito alto para um momento como esse?
Winik: A nova marca é fundamental para a recuperação da Oi quanto a crise. Ela mostra o lado operacional saudável da operadora, mostra que a companhia tem viabilidade financeira e pode gerar caixa, e uma forma de conseguir um voto de confiança para os credores de que a crise irá ser superada. A crise é um dos assuntos mais importantes da Oi, e está sendo levada muito a sério pelo próprio Bayard [Bayard Gontijo, CEO da operadora]. Isso virou um desafio pessoal dele, e confiamos muito que esse é um problema que terá resolução.

Tecnoblog: Quando as mudanças chegam às lojas?
Winik: A mudança será feita de maneira gradual. São muitas vertentes da marca que precisam ser atualizadas. Os pontos de venda serão os primeiros impactados: as próximas campanhas, incluindo a do Dia das Mães, já estão com a nova marca. Lojas que têm maior fluxo de clientes serão priorizadas, mas no geral não iremos nos apressar muito. O Pão de Açúcar passou por experiência similar e demorou mais de 4 anos para concluir as alterações em todas as lojas.

Comentários

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Claudio
bOA!
Claudio
A empresa poderia, além de mudar a logomarca, mudar de nome para OITOPIA
erick
Só no Centro e bairros considerados nobres. Bairros afastados (saída pra Anapolis, saida pra Sao Paulo, bairros longinquos de Aparecida de Goiania) nao tem cobertura de nada da NET.
erick
Espero que a Oi saia dessa situacao e nao va a falencia. Em alguns estados os servicos da Oi sao os melhores.
Sergio Mauro
É BILHÕES, mesmo... joga no Google, "oi tem dívida de 60 bilhões. E Leia as reportagens da Exame e Estado de Minas (em.com.br)
mord4z
Jujubas! Parece uma obra do Romero Brito. Melhorar o serviço que é bom...
Tiago Santos
Estava feliz aqui com meus 50mb GVT que infelizmente agora E VIVO (morta na vdd) aqui a OI nunca foi boa, maximo 150kbps de velocidade.
Destiel.
Aqui em Anápolis não chega nem a 5% ??
Wellington Gabriel de Borba
Nos bairros com menos de 10 anos não. Mas nos outros, 90% da cidade sim.
Marcus VBP
cara "TV POR ASSINATURA É UM PRODUTO DE BAIXÍSSIMA LUCRATIVIDADE PARA A OPERADORA” Pois fechou, pq tirando o telefone fixo, TV por assinatura é o serviço mais dispensável. Não era melhor parar de investir no que dá pouco lucro e focar no que realmente importa, que é a internet? Fico puto com essas coisas, as empresas empurram pacotes de serviço e dão um desconto patético, e você tem que se sentir satisfeito por pagar caro por serviços que você não quer utilizar. telefone fixo? O Aparelho quebrou a meses, não me preocupei em consertar TV por assinatura? tem 2 anos que minha tv não vê um cabo de antena de qualquer tipo, e estou bem com isso. No fim só a internet importa. Não tem como assinar um pacote com 3 serviços com 25% de desconto e achar que está tendo uma vantagem, se você não vai utilizar 2 dos 3 serviços oferecidos. Fica sempre o gostinho de que estamos pagando por coisas q não vamos utilizar.
Antonio Francisco de Souza
Até os passarinhos pararam de cantar nessa nessa manhã ensolarada. Parabéns, Oi? Você conseguiu se superar.
Anderson Antonio Santos Costa
A Oi tem como ponto positivo seus serviços de TV Paga. Pena q a própria não dá muita atenção a isso ou divulgue.... Talvez o Oi Total ajude nisso.
VCTGomes
Vai fazer "UM ANO" que o 3G da Oi da minha cidade não pega. O celular conecta, o ícone aparece, mas não acessa nada. Se quiser usar internet, só ativando a opção de apenas 2G. Isso eles não mudam. Resultado: Mudei para Vivo.
Vagner Alves Corpa Carvalho
Meu amigo isso não é só na OI, A GVT/VIVO a Net todas são umas porcarias e sabe o porque disso. É bem simples assim como o cara Yago G. disse os clientes acabam se conformando, usando aquele velho ditado ruim com pior sem e isso serve para a nossa política também. Enquanto nós não tomarmos nenhuma atitude como clientes ficamos sempre nessa. Sou morador do entorno do DF e onde moro a OI chegou a cortar a minha internet por dizer que não tinha disponibilidade técnica em mandar o sinal para a minha residência sabe a quanto tempo isso desde 2010 e até hoje nunca fizeram nada para melhorar a cidade onde resido tem mais de 300 mil habitantes e nem uma das operadoras citadas acima sequer tentaram levar um sinal descente, isso é para a OI que é a única operadora na cidade as demais nem querem.
Bruno Silveira
Em vez deles se preocuparem em levar uma super banda larga para alguns clientes, deveriam se preocupar em levar uma internet de qualidade mesmo q nao tao rapida, mas q funcione bem o tempo todo...
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