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O futuro da Oi: os detalhes da expansão, crise e nova marca da operadora

Diretor de varejo da Oi, Bernardo Winik conta ao Tecnoblog o que está por trás da operadora

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3 anos atrás

A semana foi atípica na Oi: a companhia remodelou seu portfólio de produtos convergentes e lançou uma marca nova, que dividiu opiniões. Em conversa com o Tecnoblog, o diretor de varejo da companhia Bernardo Winik mostrou tudo o que está por trás dos novos combos Oi Total. Além disso, ele nos deu pistas sobre os planos da operadora para superar a crise financeira e qual o futuro para o desenvolvimento de infraestrutura da operadora.

TL;DR

Esta conversa revela:

  • Que o Oi Total é um produto com grande importância para a operadora, uma vez que unifica a operação de serviços de telefonia móvel, fixa, banda larga e TV por assinatura em uma única plataforma de controle;
  • Que a Oi não tem intenção de levar o serviço de TV por assinatura para o estado de São Paulo;
  • Que os decodificadores da Oi TV serão futuramente conectados à internet para acesso ao Oi Play;
  • O que a operadora está fazendo para melhorar o acesso a maiores velocidades em sua rede de banda larga fixa;
  • O que irá acontecer com a tal banda larga e TV por assinatura por fibra ótica lançados pela operadora em 2012 e que nunca se expandiu;
  • O impacto da nova marca sobre a crise financeira que a Oi tem enfrentado.
Bernardo Winik, diretor de varejo da Oi (Foto: Eny Miranda/Divulgação)

Bernardo Winik, diretor de varejo da Oi (Foto: Eny Miranda/Divulgação)

Oi Total e TV por assinatura

Tecnoblog: A Oi já tinha o plano Oi Conta Total, que era basicamente o que o Oi Total propõe, mas sem a TV por assinatura. Por que essa mudança é tão importante para a empresa?
Bernardo Winik: O Oi Total traz maior ganho operacional para a operadora. Antes, o cliente possuía três faturas diferentes (uma para TV, outra para celular e outra para banda larga). A plataforma de suporte tinha diferentes sistemas para diferentes produtos, e o novo plano acabou integrando tudo num único lugar. Com o Oi Total, a instalação dos três serviços fixos é feita por um único técnico e o suporte é concentrado em uma única central.

“TV por assinatura é um produto de baixíssima lucratividade para a operadora”

Tecnoblog: Então o mesmo instalador de fixo e banda larga também estará capacitado para atender TV por assinatura?
Winik: Essa é a intenção. No momento ainda são dois técnicos diferentes, mas já está acontecendo o treinamento para milhares de técnicos e a instalação será simplificada a partir do 2º semestre do ano.

Tecnoblog: Agora que a Vivo comprou a GVT e está “invadindo” a área da Oi com TV por assinatura, não seria a hora da Oi fazer o mesmo e levar a Oi TV para São Paulo?
Winik: Não. TV por assinatura é um produto de baixíssima lucratividade para a operadora, com um payback (retorno financeiro) muito longo. É um produto para triple-play, e não vamos para SP porque não temos rede fixa disponível para o cliente.

Tecnoblog: Então o Oi Total é uma forma da operadora vender o serviço de TV para seus clientes?
Winik: O cliente pode fazer as contas: se assinar cada serviço separadamente pagará muito mais do que num combo. Temos combos sem TV e com TV, e o cliente irá perceber a diferença de valores caso contrate um serviço à parte.

Tecnoblog: A operadora atualmente vende conteúdo em pay-per-view por meio do Oi Filmes com acesso diretamente pelo set-top-box de TV, mas também possui a plataforma Oi Play, que não está disponível pelo controle remoto. Agora que todos os combos têm internet banda larga, a operadora não tem intenção de conectar os decodificadores à internet? Havia essa promessa desde o ABTA 2015.
Winik: Iremos conectar os decodificadores, mas ainda não formulamos como isso será feito. Quando o modem da banda larga fica ao lado da TV é só ligar um cabo, mas em muitas residências esse modem fica longe da sala, por exemplo. Estamos testando uma modalidade de transmissão sem fio, via Wi-Fi.

Tecnoblog: Sim, outras operadoras fazem isso. Uma tecnologia que é pouco difundida, mas muito funcional, é o PLC, que transmite dados pela rede elétrica. Isso seria útil até mesmo para instalações de IPTV, evitando um monte de cabos e facilitando a instalação. Não seria uma boa oportunidade para o uso da tecnologia?
Winik: Também estamos testando esse modelo de transmissão por rede elétrica em nossos laboratórios. Tanto isso como Wi-Fi ainda não foram homologados, mas isso deve acontecer em breve.

Tecnoblog: O Oi Total tem banda larga com velocidade de 10 Mb/s em todos os planos. Ao mesmo tempo, operadoras concorrentes oferecem velocidades superiores a 15 Mb/s no combo. 10 Mb/s não é uma velocidade muito baixa?
Winik: O cliente pode contratar até 35 Mb/s se quiser. Deixamos 10 Mb/s porque tem gente que não precisa de mais do que isso, e conseguimos nivelar os planos por baixo. Dessa forma, a possibilidade de escolha do cliente fica mantida. Outro problema é que, nesse momento, a Oi não consegue oferecer velocidade maior do que 10 Mb/s para todo mundo.

Tecnoblog: Mas por que então no Oi Total os planos de celulares são casados com a categoria? É impossível ter um plano de TV básica com celular topo de linha.
Winik: É possível ampliar a franquia de dados do móvel mesmo no plano mais básico, pagando um adicional.

Tecnoblog: Mas não os minutos, certo? Um cliente não poderia ter 3.000 minutos com o plano mais básico de TV.
Winik: Sim, isso é verdade. Mas todos os planos foram modelados depois de muitas pesquisas para entender o perfil dos consumidores. Um cliente que precisa de 3.000 minutos é um ponto fora da curva, que praticamente está falando no celular o tempo todo.

Banda larga e infraestrutura

Tecnoblog: Você falou anteriormente que nem todos os clientes conseguem contratar velocidades altas. Por quê?
Winik: Nossa maior barreira era o backbone, que tinha diversos gargalos. Esse problema foi corrigido no ano passado, quando criamos um backbone novíssimo de altíssima capacidade. Arrisco dizer que, atualmente, o backbone da Oi é o mais avançado do Brasil em comparação com a concorrência. Nossa barreira atual é a última milha, com longas distâncias da casa do cliente até a central.

“Sabemos que não estamos atendendo todas as necessidades de nossos clientes”

Tecnoblog: E o que a operadora está fazendo para resolver isso?
Winik: Estamos trabalhando no encurtamento da nossa rede. Iremos criar novas centrais, reduzindo a distância até a casa do cliente e, dessa forma, aumentando as velocidades disponíveis para a base. Todas as implementações de portas já são no padrão VDSL, que permite entregar maior velocidade até o usuário.

Tecnoblog: Tem algum prazo para concluir isso?
Winik: Não há data definida, mas sabemos que não estamos atendendo todas as necessidades de nossos clientes. Precisamos fazer isso de forma rápida, e, para isso, o cronograma de encurtamento é baseado em análise de potencial de consumo de regiões e cidades, bem como nas demandas registradas em call center e operações. É um plano para ser concluído a médio prazo. É importante lembrar que a Oi tem serviços em mais de 4 mil cidades, enquanto a concorrência tem operação muito menor. É como se eles atendessem apenas Manhattan, enquanto preciso atender Manhattan e todo o resto do país. O orçamento fica dividido, e nem sempre o resultado de todos os investimentos irá agradar todo mundo.

Tecnoblog: Existem planos de implementar a tecnologia G.fast? (padrão de transmissão de dados via par metálico com velocidades que podem chegar a 1 Gb/s)
Winik: Estamos com testes da tecnologia em laboratório. Os resultados são impressionantes: quando se pensa que o par de cobre não tem mais como evoluir, surge uma tecnologia que dá uma sobrevida. Iremos fazer testes de campo em breve, mas existe a intenção de usar a tecnologia comercialmente.

Tecnoblog: A Oi iniciou uma operação de banda larga e IPTV por fibra ótica, disponível em selecionadas regiões na Barra da Tijuca (Rio de Janeiro) e no Belvedere (Belo Horizonte). Essa rede nunca se expandiu desde então. A Oi desistiu de levar fibra ótica até os clientes?
Winik: É uma tecnologia que estamos retomando investimento. Iremos expandir essa rede de uma forma menos agressiva, aos poucos. Em meados de 2017 e 2018 haverá uma dedicação maior a essa tecnologia, mas disponível para poucas áreas.

Nova marca e crise financeira

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Tecnoblog: Existem 70 novos logotipos da operadora. Isso não deixa o consumidor confuso?
Winik: Com tantas marcas diferentes, o cliente irá perceber que a Oi pode estar presente em sua vida de diversas maneiras. Não é a intenção que o consumidor se confunda, mas sim perceba o dinamismo da Oi.

“Não é a intenção que o consumidor se confunda, mas sim perceba o dinamismo da Oi”

Tecnoblog: Em redes sociais, internautas criaram memes associando a marca a brinquedos infantis e desenhos animados. Entre os nossos leitores, a receptividade da marca nova não fui muito boa. Como é a percepção da operadora quanto a isso?
Winik: Na nossa avaliação, o saldo foi positivo. O mercado se posicionou a favor da mudança de marca e a perspectiva de consumidores foi melhor do que o esperado. É certo que tem gente que não gostou da novidade, principalmente clientes antigos que eram apegados à marca Oi.

Tecnoblog: A Oi está com uma dívida bruta que beira os 55 bilhões de reais. Uma mudança de marca não traz um custo muito alto para um momento como esse?
Winik: A nova marca é fundamental para a recuperação da Oi quanto a crise. Ela mostra o lado operacional saudável da operadora, mostra que a companhia tem viabilidade financeira e pode gerar caixa, e uma forma de conseguir um voto de confiança para os credores de que a crise irá ser superada. A crise é um dos assuntos mais importantes da Oi, e está sendo levada muito a sério pelo próprio Bayard [Bayard Gontijo, CEO da operadora]. Isso virou um desafio pessoal dele, e confiamos muito que esse é um problema que terá resolução.

Tecnoblog: Quando as mudanças chegam às lojas?
Winik: A mudança será feita de maneira gradual. São muitas vertentes da marca que precisam ser atualizadas. Os pontos de venda serão os primeiros impactados: as próximas campanhas, incluindo a do Dia das Mães, já estão com a nova marca. Lojas que têm maior fluxo de clientes serão priorizadas, mas no geral não iremos nos apressar muito. O Pão de Açúcar passou por experiência similar e demorou mais de 4 anos para concluir as alterações em todas as lojas.

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