Início » Ciência » Implantes de ovários feitos em impressora 3D, uma esperança no tratamento da infertilidade

Implantes de ovários feitos em impressora 3D, uma esperança no tratamento da infertilidade

Emerson Alecrim Por

Fertilidade

As impressoras 3D estão dando um novo rumo para a medicina. Esses equipamentos vêm viabilizando a construção de próteses de diversos tipos e ajudando médicos a planejarem cirurgias com a impressão de réplicas de órgãos a serem operados, por exemplo. Eu só não esperava que as impressoras 3D pudessem ajudar mulheres que sofrem de infertilidade a terem filhos. Bom, na verdade, não podem. Mas poderão em breve no que depender de alguns cientistas.

O primeiro passo para isso foi dado na Universidade de Northwestern. Sob liderança da pesquisadora Monica M. Laronda, uma equipe da instituição fez fêmeas de camundongos que tiveram os ovários removidos cirurgicamente terem filhotes.

Como? Com a reconstrução dos ovários. É nesse ponto que a impressora 3D biológica — um modelo da EnvisionTEC — tem papel fundamental. O equipamento foi usado para criar uma espécie de prótese biológica que serve de suporte para células produtoras de hormônios e para os ovócitos, células germinativas que podemos entender como óvulos imaturos.

Esse suporte foi feito com um material derivado do colágeno que dá à estrutura um aspecto gelatinoso, mas rígido o suficiente para permitir que folículos ovarianos (essencialmente, ovócitos envolvidos por células que os nutrem e protegem) se escorem ali e continuem a se desenvolver.

Na etapa seguinte, essa estrutura foi implantada no lugar dos ovários retirados das ratinhas. O resultado foi bastante animador. Os folículos ovarianos se apoiaram nesse suporte biológico que, por sua vez, se "conectou" aos vasos sanguíneos ao seu redor, processo essencial para a fertilização. Pouco tempo depois, as cobaias tiveram o ciclo hormonal restaurado, ovularam e, por fim, deram à luz a ninhadas saudáveis.

Uma impressora similar a essa foi usada

Uma impressora similar a essa foi usada

Obviamente, a intenção da equipe de Laronda é estender essa técnica aos humanos. Os pesquisadores acreditam que a ideia poderá ser útil, por exemplo, para mulheres que nasceram com deficiências no ovário ou cuja fertilidade foi afetada por câncer: muitas vezes, os tratamentos com quimioterapia e radiação causam danos irreversíveis ao sistema reprodutivo.

"Nós desenvolvemos este implante tendo aplicações humanas em mente, pois tudo é feito por meio de um método de impressão escalável, a partir de um material [biológico] que já é usado nos seres humanos", explica Laronda.

Sim, vai demorar para esse dia chegar. Fazer testes com ratos em laboratório é uma coisa; experimentar a técnica em humanos é outra. Mas os pesquisadores já estão se preparando para essa fase: eles estabeleceram parcerias com instituições médicas especializadas em saúde feminina para encontrar mulheres para participar dos testes em humanos.

Duas dessas instituições, na verdade, são focadas em saúde infantil. Há uma boa razão para isso: muitas mulheres desenvolvem quadros de infertilidade por causa de tumores que surgiram quando elas eram muito jovens. Quanto antes houver tratamento focado em fertilidade para elas, melhor.

A preocupação com o assunto é bastante pertinente. Estima-se que até 12% da população mundial (incluindo aí homens) tenha algum tipo de infertilidade. Os tratamentos atuais são bastante sofisticados, mas continuam limitados e, não raramente, são extremamente caros, como é o caso do autotransplante de ovário.

No longo prazo, a expectativa é a de que as próteses biológicas geradas em impressoras 3D ajudem a diminuir os custos dos tratamentos e, claro, tragam resultados mais eficazes. Que assim seja.

Com informações: 3D Printing IndustryBroadly (Vice)

O futuro em 3D

Tecnocast 025

A impressão 3D é uma febre recente para diversas áreas, não só a medicina. A ideia, no entanto, surgiu nos anos 1980. Alguns acreditam que a popularização dessa tecnologia pode revolucionar completamente a forma como criamos e consumimos produtos. Será? Debatemos o assunto no Tecnocast 025. Não deixe de conferir 😉