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D-Link DIR-822: o roteador que cobre a casa inteira

As quatro antenas garantem boa cobertura, mas DIR-822 é caro para o que oferece

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3 anos atrás

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A D-Link anunciou recentemente seu novo portfólio de roteadores para o mercado brasileiro, e o DIR-822 é um deles. Com tecnologia 802.11ac, velocidades de até 1.200 Mb/s e quatro antenas com potência de 5 dBi, o produto é indicado para quem faz consumo intenso de mídia e quer boa cobertura Wi-Fi em casa.

Será que o DIR-822 dá conta do recado? O Tecnoblog testou o produto e você poderá descobrir todos os detalhes do lançamento da D-Link.

O produto

O DIR-822 é… um roteador. Como quase todos os modelos do mercado, ele se parece com uma pequena nave espacial e não apresenta grandes diferenciais quanto ao design, trazendo acabamento misto em black piano e uma parte fosca com pequenas faixas. Como o roteador provavelmente ficará esquecido em algum canto da casa, você provavelmente não irá se preocupar com a facilidade para riscos ou mesmo a capacidade para atrair pelos.

Na parte traseira, temos cinco portas Ethernet (sendo uma WAN), conector para fonte de alimentação, chave liga/desliga e um botão que serve para ativar WPS e restaurar as configurações de fábrica. É surpreendente a ausência de uma porta USB, algo presente em quase todos os roteadores da mesma faixa de preço.

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Na caixa, além do cabo Ethernet e manuais, a D-Link inclui um cartão para auxiliar a configuração. Ele apresenta o endereço de IP e as senhas de Wi-Fi padrão do produto, com espaço para o usuário incluir os próprios dados. Útil para as várias pessoas que frequentemente esquecem suas senhas.

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Configuração inicial

Logo ao plugar o roteador na tomada e o o cabo da banda larga na porta WAN, o equipamento já começa a funcionar. Conectado à rede Wi-Fi com nome e chaves estabelecidos de fábrica, basta tentar navegar em qualquer site que o assistente de configuração abrirá automaticamente.

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Se a forma de conexão for por DHCP (maioria das operadoras), não é necessário fazer nenhum ajuste. Caso sua operadora utilize discagem de PPPoE (conexões DSL e FTTH com modem em bridge), basta colocar o usuário e senha. Após essa etapa, você poderá escolher o nome (SSID) e senha para sua rede Wi-Fi. Ou melhor, suas redes Wi-Fi, já que o roteador também opera na frequência de 5 GHz.

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Após essa etapa, o processo é concluído e o roteador será reiniciado já com a nova configuração. A partir daí, toda a configuração básica já foi feita e sua nova rede Wi-Fi estará funcionando.

Interface e recursos

Se você já utilizou um roteador mais antigo da D-Link, sabe que a interface era horrível. As janelas eram confusas com uma padronagem laranja e cinza, com configurações suficientemente escondidas para que muitos desistissem de fazer uma alteração simples, como o nome da rede. Esqueça tudo isso.

Parece mentira, mas o DIR-822 trouxe uma interface completamente remodelada, simples, intuitiva e bonita. Você já deve ter percebido essa mudança na configuração inicial, mas o painel do roteador é tão funcional que me surpreendeu.

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Logo de cara, a dashboard do roteador mostra as informações mais importantes: se a internet está conectada, quantas pessoas estão conectadas à rede e detalhes como endereço de IP e tempo de conexão. Um dos maiores destaques da D-Link é que o produto é 100% compatível com o padrão IPv6, e isso é bem visível, uma vez que a tecnologia tem o mesmo destaque no painel que o padrão IPv4.

Para os viciados em informações, o painel do DIR-822 é capaz de exibir estatísticas da rede em tempo real. O legal é que dá para ter dados exatos para todo o acesso à internet (ou seja, tudo que acessa a porta WAN), tráfego da rede interna (LAN) e, por fim, dados específicos nas redes de 2,4 GHz e 5 GHz. Também há registro do total de pacotes transferidos e a quantidade de kilobytes trafegados. Ter acesso a esse tipo de informação é ótimo, já que as operadoras querem acabar de vez com a internet ilimitada.

Outro recurso que deve agradar muita gente é o de priorização de tráfego (QoS). Apesar de ser um recurso comum em diversos roteadores, o DIR-822 permite um controle de maneira mais prática. Existem três opções: maior prioridade, alto e médio. Basta arrastar o dispositivo desejado para a categoria desejada e, assim, melhorar o desempenho da rede de acordo com suas necessidades.

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A última função interessante que o DIR-822 traz é o filtro de páginas. É possível criar uma lista negra com até 24 sites para bloquear na sua rede, o que é bem útil para quem quer controlar sites perigosos ou inadequados para determinados ambientes. O legal é que você também pode criar uma lista branca, ou seja, todo o acesso é bloqueado com exceção do que está listado.

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Ah, não se preocupe: assim como todo roteador que se preze, o DIR-822 também possui os tradicionais redirecionamento de portas, firewall (com suporte a criação de regras específicas para IPv4 e IPv6) e suporte a DNS dinâmico (por meio do DynDNS ou da solução própria da D-Link).

Desempenho

O argumento de venda do DIR-822 é ser um roteador rápido com boa cobertura de sinal. Com tecnologia 802.11ac e velocidade máxima teórica de 1.200 Mb/s, é de se esperar que o produto seja ótimo para uso multimídia, com streaming simultâneo de vídeos, jogos online e navegação pesada. É aí que ele decepciona um pouco.

Não faz sentido um roteador com padrão 802.11ac sem portas Gigabit Ethernet. Embora a maioria dos dispositivos utilizem Wi-Fi, é desejável ter no mínimo uma porta WAN com suporte a velocidades superiores a 100 Mb/s. As conexões banda larga são cada vez mais rápidas, sendo que duas das três principais operadoras de internet fixa oferecem velocidades superiores ao máximo suportado pelo roteador.

Para testar a velocidade de transferência de arquivos, a D-Link nos enviou um adaptador wireless USB (DWA-171) que é compatível com a tecnologia 802.11ac. O único porém é que esse adaptador tem velocidade máxima teórica suportada de 480 Mb/s, enquanto meu MacBook Pro suporta os 1.200 Mb/s.

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O resultado foi abaixo do esperado. Gastou-se 2min14s para transferir um arquivo de 2,5 GB de um computador para outro, no mesmo ambiente, a no máximo dois metros de distância do roteador. A velocidade média foi de 18 MB/s, ou 144 Mb/s. Bem inferior à velocidade máxima de 480 Mb/s do adaptador e longe dos 1.200 Mb/s do DIR-822. Com meu roteador de uso diário (Time Capsule), ultrapasso a casa dos 350 Mb/s sem muito esforço. Na rede de 2,4 GHz, os valores chegaram a 11 MB/s (88 Mb/s).

As velocidades de transferência vão caindo conforme aumenta a distância entre dispositivo e roteador. Nas medições, já pude notar que o roteador poderia ser mais rápido, mas não esperava que o desempenho fosse piorar de maneira significativa mesmo a uma distância curta do produto. A dois cômodos de distância, mesmo com sinal bom (-50 dBm na rede de 5 GHz), não consegui velocidades maiores do que 40 Mb/s.

Ainda assim, o DIR-822 tem uma grande vantagem: a cobertura de sinal Wi-Fi é fantástica. As quatro antenas (não destacáveis) de 5 dBi foram capazes de me entregar sinal médio (-80 dBm) na rede de 2,4 GHz com velocidades de 17 Mb/s enquanto estava num estabelecimento comercial localizado a dois imóveis de distância de minha residência.

Conclusão

Casa boa é aquela que tem cobertura Wi-Fi em qualquer ambiente. Se você segue esse mantra, o DIR-822 pode ser uma boa opção. É impressionante como as quatro antenas garantem boa cobertura. No entanto, quem exige boa velocidade estando distante do roteador deve procurar outro produto.

Pelo preço sugerido de R$ 399, o DIR-822 é caro. O curioso é que o produto não é caro apenas no Brasil: nos Estados Unidos, o DIR-822 tem preço sugerido de 109 dólares, acima do que esperamos para um roteador dessa categoria.

É difícil entender como um roteador com essa faixa de preço não inclua ao menos uma porta USB para compartilhar uma impressora ou disco rígido externo na rede. Também é estranha a existência de um produto com tecnologia 802.11ac, que promete velocidade máxima de 1.200 Mb/s, mas que não possua portas no padrão Gigabit. Fica a sugestão para a D-Link: se o DIR-822 tivesse ao menos esses recursos, seria mais fácil compreender o valor cobrado.

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