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Video Direct: a plataforma da Amazon para produtores de vídeos independentes

Serviço rivaliza com o YouTube, mas só até certo ponto

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3 anos atrás

Amazon Video

O sucesso absoluto do YouTube prova que o streaming de vídeo é mesmo um grande negócio. Não é surpresa, portanto, que a Amazon esteja fazendo investidas no segmento. A mais recente surgiu nesta semana: a companhia lançou o Video Direct, plataforma que, de certo modo, chega com a missão de competir com o serviço de vídeos do Google.

No YouTube, a publicidade continua sendo o principal meio de obtenção de receita. Só nos últimos anos é que o serviço conseguiu ser realmente rentável seguindo esse modelo, ainda assim, sem atender a todas as expectativas. A tentativa de melhorar essa situação tem levado à criação de modalidades diferentes, como o YouTube Red, que oferece vídeos offline e sem anúncios mediante uma assinatura de US$ 9,99 por mês.

É nesse ponto que aparece o primeiro diferencial do Video Direct. O modelo de remuneração do serviço lembra, ainda que vagamente, os métodos que a Amazon utiliza há tempos para dividir receita com editores de livros independentes, por exemplo.

Os vídeos da plataforma podem ser alugados (disponibilizados durante certo período de tempo), comprados ou visualizados gratuitamente. Nesse último modelo, há exibição de anúncios. Assinantes do Amazon Prime podem acessar o conteúdo do Video Direct irrestritamente.

A Amazon paga ao editor 50% da receita obtida com aluguel ou venda de conteúdo. Essa proporção sobe para 55% na arrecadação conseguida com anúncios. No caso dos acessos por assinantes do Amazon Prime, a remuneração varia conforme o número de horas de consumo de vídeo e o país.

O YouTube Red é que pode mesmo ser visto como um rival para o Amazon Video Direct

O YouTube Red é que pode mesmo ser visto como um rival para o Amazon Video Direct

Já deve ter ficado claro para você as intenções da Amazon. O YouTube incentiva a publicação de qualquer tipo de vídeo (exceto os ilegais, obviamente), não importa se o material tem boa qualidade de edição ou se é completamente amador. Já o Video Direct foi criado para atrair estúdios e produtores de vídeos independentes, mas que têm algum grau de profissionalismo.

Existe mesmo uma boa oportunidade aí. Há cada vez mais canais no YouTube que capricham na qualidade de edição, na elaboração do conteúdo e na divulgação dos vídeos. O problema é que muitos produtores não conseguem gerar receita suficiente com anúncios, mesmo obtendo trocentas visualizações em cada publicação. Um modelo de negócio que prioriza o pagamento para acesso ao conteúdo pode ser a solução para quem enfrenta esse tipo de problema.

Só que a Amazon sofre de uma grande desvantagem: o YouTube não é meramente uma plataforma de vídeos, mas uma rede social voltada para esse tipo de conteúdo. Isso faz o YouTube ter uma base enorme de usuários que acessam o serviço todos os dias à procura de novo conteúdo. Uma vez estabelecido, é difícil mudar esse comportamento. Por essa razão, muitos produtores podem resistir à ideia de explorar o Amazon Video Direct.

Para atrair essa turma, a Amazon promete fornecer também dados estatísticos e métricas bastante completas sobre os acessos aos vídeos publicados na plataforma. Mas deve caber mesmo às propostas de remuneração o papel de chamariz.

Amazon Video Direct

Não é por menos que a Amazon decidiu criar um estímulo focado justamente nesse ponto: todo mês, a companhia dividirá um bônus de US$ 1 milhão para os 100 vídeos do Video Direct mais visualizados no Amazon Prime. Trata-se de um programa batizado como Amazon Video Direct Star.

Tudo indica que a Amazon está mesmo determinada a mergulhar no universo dos vídeos online. A companhia oferece há algum tempo conteúdo para rivalizar com serviços como Netflix e Hulu. Além disso, desde 2014 a empresa é dona do Twitch, até hoje a plataforma mais popular para transmissão de vídeo para gamers.

Com o Video Direct, a Amazon busca reforçar a sua presença no segmento. Pena que o alcance é limitado: o serviço só está disponível nos Estados Unidos, Alemanha, Áustria, Reino Unido e Japão, países que já contam com a plataforma Amazon Video. Por ora, não há previsão de lançamento em outros mercados.