Início » Ciência » Culpa dos antibióticos: em 2050, superbactérias podem matar um a cada 3 segundos

Culpa dos antibióticos: em 2050, superbactérias podem matar um a cada 3 segundos

Por
3 anos atrás

p13f1-comiendo-blisters

O Reino Unido tem estudos de ponta quando o assunto é resistência a antibióticos. Eles possuem um órgão próprio, chamado Review on Antimicrobial Resistance (AMR), que responde diretamente ao primeiro-ministro, para discutir o consumo exagerado ou desnecessário do medicamento. E um relatório publicado recentemente deixa evidente que precisamos de uma revolução na forma como antibióticos são utilizados, sob o risco de voltarmos para a Idade das Trevas!

280824_Papel-de-Parede-Batman-O-Cavaleiro-das-Trevas-Ressurge--280824_1920x1200

Não, não esse tipo de Trevas. E o papo aqui é sério! Quem chamou o Toad para escrever este texto, afinal? Bom, voltando…

Segundo Lord Jim O’Neill, que coordenou o estudo, o problema é que muitas pessoas tomam antibióticos como se fossem doces, não se preocupando em como isso pode afetar o corpo e tornar as bactérias mais resistentes.

1463664712722

Vamos aos números: atualmente, a resistência das superbactérias a antibióticos já é responsável pela morte de 700 mil pessoas por ano. Pelo levantamento do relatório, em 2050, esse número aumentará para 10 milhões (em outras palavras, o equivalente a uma morte a cada três segundos). Proporcionalmente, isso é bem próximo do número de mortes por ano da Segunda Guerra Mundial.

_79638121_antimicrobial_map_624

Sei que isso soa muito alarmante, e é preciso dizer que o documento foi recebido com uma mistura de apreensão e ceticismo por órgãos internacionais. Mas vamos às recomendações do AMR:

  • Uma campanha global urgente e massiva de conscientização sobre os riscos que muitos desconhecem;
  • Levantar US$ 2 bilhões para pesquisas preliminares sobre novos antibióticos;
  • Melhorar o acesso a água limpa e potável, saneamento básico, hospitais mais limpos para prevenir a disseminação de infecções;
  • Reduzir drasticamente o uso desnecessário de antibióticos na agricultura, incluindo o veto aos mais críticos à saúde humana;
  • Aumentar os estudos sobre a resistência ao medicamento;
  • Pagar US$ 1 bilhão para empresas que descobrirem novos antibióticos, como incentivo;
  • Financiar campanhas que desincentivem o uso de antibióticos onde eles, sabidamente, não funcionam;
  • Promover o uso de vacinas e alternativas a esse tipo de droga sempre que possível.

Mas, Toad, de onde viria essa grana toda?

Foi a primeira pergunta que eu me fiz também. A sugestão feita é que isso tudo pode ser pago com pequenas partes do orçamento de saúde dos países e impostos extras para empresas farmacêuticas que não estejam colaborando com essas pesquisas.

Politicamente e economicamente falando, eu acho que isso vai enfrentar muitas barreiras e talvez sequer saia do papel, se for dentro desses moldes. E os mais conservadores poderiam entender que esse relatório nada mais é que um documento radical demais, com o intuito de conseguir mais controle público e verba para a indústria farmacêutica.

pills

Eu entendo essa linha de raciocínio, e ela não está errada. Todo ceticismo é importante quando o assunto é ciência e saúde. Mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) está batendo nessa tecla há bastante tempo. Algumas pessoas sequer sabem o que é um antibiótico. Tem gente que acha que “serve pra matar vírus”, e poucos imaginam quão nocivas essas superbactérias podem se tornar.

Essas mudanças são urgentes e necessárias.

Mais sobre: ,